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Plano de segurança de Flávio Bolsonaro atende aos interesses de Trump, diz especialista

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) lançou nesta quinta-feira (18) o seu plano de segurança pública em evento realizado em São Paulo rodeado de velhos aliados e novas promessas. O evento, intitulado “Brasil Sem Medo”, apresentou o que seria um pacote com 12 propostas voltadas ao suposto combate ao crime organizado, endurecimento de penas e a promessa de enquadrar as maiores facções criminosas do país como terroristas, num aceno que atente aos interesses de Donald Trump e que colocam a soberania nacional em risco.

O plano, apresentado em São Paulo com a constrangedora participação do ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato ao governo do Paraná e protagonista de uma das maiores fraudes judiciais da história do país,sendo o apresentador de uma agenda de combate ao crime do nome hoje envolvido no centro do Escândalo do Banco Master.

Entre medidas ultrapassadas como castração química para casos de estupros e a insistência na agenda da reduação da maioridade penal, que ainda passa por debate no Congresso e só pode ser aprovada por meio de de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), Flávio Bolsonaro afirmou textualmente que, se eleito presidente, mudará a tipificação jurídica do Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e das milícias para organizações narcoterroristas.

Ele defendeu que essas facções agem como um “governo paralelo” em várias regiões e, por isso, devem receber o tratamento mais rigoroso previsto em lei. “Terrorista vai ser tratado como terrorista. Vamos declarar PCC, Comando Vermelho e milícias e todas as outras facções como organizações narcoterroristas. Eles serão perseguidas com força e inteligência para que os seus líderes sejam presos e os seus negócios ilícitos sejam asfixiados”, disse Flávio Bolsonaro.

A declaração do ultra conservador vai na contramão da postura de Lula na defesa da soberania nacional e dos interesses do Brasil na luta contra o crime organizado. Enquanto Lula reitera a posição do Brasil na busca de uma cooperação mútua no combate ao crime organizado, a ponto de recusar um pedido de reunião bilareral com Donald Trump em meio aos encontros do G7 na Europa, seu principal concorrente na disputa à Presidência da República segue a cartillha da subserviência mesmo a distância.

Para Benedito Mariano, coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia do Istituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), a fala do pré-candidato da extrema direita atende aos interesses de Donald Trump e mostra que Flávio Bolsonaro não tem de fato um plano para enfrentar o crime organizado.

Benedito Mariano, especalisista em segurança pública (Foto: Prefeitura de Diadema)

“A decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como organizações terroristas é mera decisão política eleitoral para ajudar o candidato de extrema direita. Agora ele faz o mesmo. A extrema direita não quer enfrentar o crime organizado pra valer”.

Mariano, no entanto, acredita que a possível reeleição de Lula enfraqueceria os planos da Casa Branca e tornaria inviável uma investida contra uma democracia tão consolidada como a brasileira.

“Penso que se o presidente Lula, que esta em pré-campanha, for eleito para o quarto mandato, ainda este ano o Trump vai recuar na classificação. Ainda assim, a pergunta que fica é: quem atenta contra a democracia e o estado democrático de direito, merece qual classificação?”, questiona o especialista, apontando os intresses escusos do primogênito de Jair Bolsionaro, preso por tentativa de golpe de Estado, neste tema.