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Seminário sobre como estabelecer e colocar em prática uma percepção correta dos méritos administrativos na Escola do Partido Comunista Chinês de Pequim

Delegação de Partidos Políticos de Sulamérica

Maria Carlotto 

Representante da FPA, pelo Partido dos Trabalhadores

Boa tarde a todos os companheiros e camaradas aqui presentes,

Em nome da Fundação Perseu Abramo e do Partido dos Trabalhadores, agradeço ao PCCh pelo convite e pela generosa hospitalidade,

É muito bom e muito importante estarmos juntos, partidos de esquerda da América do Sul e Partido Comunista Chinês, refletindo sobre os desafios da classe trabalhadora nesse tempo histórico de crises, medo e guerras, mas também de cooperação, esperança e oportunidades.

Nesses últimos dias, temos falado muito, e com razão, de crises, medo e guerras. Mas é de cooperação, esperança e oportunidades que gostaria de falar hoje.

O PT e o PCCh têm uma história de mais de 4 décadas de cooperação, inaugurada com a primeira visita formal de uma delegação do PT à China em 1984. Desde então, nossa relação passou por muitos momentos e, nos últimos anos, se aprofundou a ponto de se tornar uma cooperação sólida para a qual o PT confere grande importância estratégica. 

Essa cooperação avançou em muitos temas e assumiu diferentes formatos e instrumentos. Apesar dessa diversidade, há um sentido comum nos nossos diálogos e parcerias: refletir e superar os desafios da construção do socialismo como horizonte histórico estratégico da classe trabalhadora. É disso que falamos quando falamos da nossa esperança em construir um futuro compartilhado.

Sabemos que os caminhos para a construção do socialismo são diversos, porque são diversas nossas formações sociais, nossos obstáculos políticos, nossas escolhas frente a eles. Por isso mesmo, temos tanto a aprender uns com os outros, com os caminhos políticos específicos de cada um. Não só para lamentar guerras, mas para fomentar a cooperação. Não só para dividirmos medos, mas para multiplicarmos esperança. 

E é da cooperação e da esperança compartilhadas que nascem as oportunidades, sobre as quais gostaria de tratar a partir de agora.

Não sei se todos sabem, mas a China pode estar até 13  horas na frente do Brasil. Conto isso não só pelo carinho que nós, petistas, temos pelo nosso número 13, com o qual vencemos todas as eleições que disputamos no Brasil no século XXI, com exceção da que Lula estava  injustamente e ilegalmente preso. Falo isso porque o fato da China estar horas à frente do Brasil motiva uma brincadeira, entre nós da esquerda brasileira, de que viajar para a China é viajar para o futuro, porque aqui o sol nasce primeiro.

Trata-se de uma bela metáfora do que a China representa para nós em termos da esperança  de, pelos nossos próprios caminhos, avançarmos na construção de uma nova sociedade no Brasil, uma sociedade de paz, desenvolvimento, soberania, democracia e igualdade, em suma, uma sociedade socialista.

É por isso que a cooperação com a China se torna, para nós do PT, uma oportunidade tão importante.

Há um consenso no PT, hoje, de que independentemente das nossas diferentes avaliações internas sobre a China e o socialismo com características chinesas, é absolutamente fundamental conhecer a China, conhecer o PCCh e conhecer o pensamento de Xi Jinping. 

É por isso que o Partido dos Trabalhadores, por meio da sua Fundação e como parte do nosso Núcleo de Altos Estudos, está estudando a criação de um Núcleo permanente de estudos Brasil China sob a supervisão direta da presidência da Fundação Perseu Abramo e tendo como plano de trabalho:

1/ acompanhar, de maneira sistemática, as relações Brasil China;

2/ acompanhar, de maneira sistemática, as relações PT-PCCH;

3/ contribuir para o aprofundamento das relações entre a FPA e instituições similares na China;

4/ estudar, tendo em vista os interesses e as necessidades brasileiras e do PT, a experiência chinesa, em particular os temas vinculados ao desenvolvimento, ao planejamento, a governança e as relações internacionais; 

5/ estudar, tendo em vista os interesses e as necessidades brasileiras e do PT, o pensamento chinês contemporâneo, em particular o chamado Pensamento Xi Jinping;

6/ elaborar, periodicamente, um informe dirigido ao Diretório Nacional do Partido, contendo informações e sugestões de iniciativas relativas à relação Brasil-China;

7/ propor e quando autorizado pela diretoria da FPA executar ações práticas (visitas, seminários, cursos, publicações etc.) cujo objetivo seja difundir as opiniões do Brasil e do PT na China.

Esse núcleo será uma oportunidade de aprender como o povo chinês, por meio do PCCh presidido por Xi Jinping, está enfrentando os desafios também enfrentados pelo PT e pelo presidente Lula, no Brasil, de governar para o povo, com o povo para, com isso, construir um mundo de Paz e de futuro compartilhado.

Governar para o povo e com o povo é, para o PT, um enorme desafio que dá sentido ao debate que estamos fazendo hoje: como avaliar corretamente os méritos administrativos. 

O Partido Comunista Chinês, lançou, em fevereiro de 2026, uma campanha nacional de reflexão sobre como se deve avaliar os méritos administrativos de seus funcionários e dos militantes. Não se trata apenas de uma reflexão proposta para o governo, no plano técnico-administrativos, mas também para o partido, seus militantes e sua estrutura partidária. É no âmbito dessa campanha que realizamos este seminário na Escola de Formação do PCCh em Pequim.

Uma informação que considero relevante partilhar é que, no Brasil, gestão e administração são os cursos de graduação com o maior número de matrículas. São quase 1 milhão de estudantes estudando conhecimento gerencial. Isso é bom, mas é também o resultado de anos de atuação dos Estados Unidos, especialmente durante a ditadura militar brasileira, de 1964 a 1985, na difusão de um gerencialismo com forte viés norte-americano que contribuiu para o projeto de destruição de uma tradição propriamente brasileira de pensar o Estado e o desenvolvimento, a partir de uma chave histórico-estrutural. Na esteira desse processo, se difundiu uma perspectiva gerencialista, tecnicista e curto-prazista profundamente cristalizada no corpo técnico do Estado, especialmente nas áreas econômicas. É esse corpo técnico que, muitas vezes, desde dentro do Estado, constrange, limita e enquadra as políticas que propomos para o povo, tomados por uma perspectiva, no fundo, neoliberal dos problemas brasileiros. Isso contribui para explicar porque o Brasil, que foi um dos países que mais cresceu no século XX e que chegou a ter o maior e mais avançado parque industrial do sul global, viveu, a partir dos anos 1990, um dramático processo de desindustrialização e perda de capacidade tecnológica.

É por isso que, para nós do PT, torna-se especialmente interessante a reflexão proposta pelo PPCh sobre como podemos rever a avaliação desses méritos para que o Estado, o serviço público, as políticas públicas e estratégicas e o próprio partido se voltem para servir ao povo e não perseguir objetivos administrativos de curto prazo, inócuos e de corte neoliberal.

Acho importante citar duas oportunidades de colaboração entre o PT e o PCCh, no âmbito do nosso governo e do nosso partido nesses temas.

Em abril de 2026, a Ministra da Inovação em Serviços Públicos (MGI) do Brasil, Esther Dweck, esteve na China firmando acordos de cooperação em administraçã o e serviço público.. Essa é uma oportunidade muito importante para aprofundarmos o diálogo sobre como avaliar os méritos administrativos.

Também em abril de 2026, o PT realizou o seu VII congresso, para o qual havia um grupo de trabalho para sistematizar propostas de revisão do Estatuto e da Organização do Partido em que um dos objetivos é produzir mudanças internas na nossa militância para que ela seja mais efetiva para nossos objetivos táticos e estratégicos. Essa discussão e deliberação não se encerrou em abril de 2026, será retomada em 2027 pós-eleição. Essa é outra enorme oportunidade que teremos de trocar visões e concepções sobre o tema dessa mesa.

Para terminar, gostaria de abordar uma dimensão que foi muito enfatizada pelos companheiros do PCCh na primeira parte deste seminário. É importante enquadrar o problema da perfomance administrativa e política à luz dos anseios do nosso povo. A primeira versão do programa de governo que o PT apresentará aos partidos políticos da nossa frente eleitoral se abre com uma frase que diz: “o que nos move são os sonhos dos brasileiros”. Isso dá uma indicação do quanto o PT e o PCCh, não obstante suas diferenças e especificidades, compartilham o compromisso político profundo de seguir ao lado do povo.

Em nome do PT e da classe trabalhadora brasileira nele organizada saúdo todos vocês!

Viva a luta pelo socialismo!

Viva a classe trabalhadora!

Viva nosso futuro compartilhado!

Viva o PT, o PCCh e todos os partidos irmãos hoje aqui presentes!

Pequim, 09 de junho de 2026