Em encontro realizado neste sábado (20/06), o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, recebeu uma delegação de figuras ligadas ao Corinthians, em evento no qual recebeu de presente uma camiseta da Democracia Corinthiana.
O grupo corinthiano contou com a presença de Walter Casagrande Jr., ex-atleta que foi ídolo do clube justamente na época da Democracia, movimento do qual foi um dos líderes, junto com Sócrates e Wladimir.
Também estiveram na reunião o sociólogo Rafael Castilho, que dirige o Departamento Cultural do clube, e o advogado Vinícius Cascone, ex-diretor do Departamento de Negócios Jurídicos.
A delegação corinthiana presenteou Mamdani com uma camiseta personalizada, com o sobrenome do prefeito nas costas junto com o número oito, que era usado pelo meia Sócrates durante o período da Democracia Corinthiana.
Após o encontro, Casagrande disse que participou do evento porque se sentiu “bastante emocionado” com a homenagem feita dias atrás à Sócrates e à Democracia Corinthiana, em vídeo gravado pelo prefeito novaiorquino – que também é uma das figuras destacadas do movimento Socialistas Democráticos da América (DSA, por sua sigla em inglês).
“Eu não vim aqui para representar o Casagrande, ou o Sócrates, ou o Wladimir, vim representar o grupo da Democracia Corinthiana, e me encontrei com o prefeito de Nova York, que conhece a Democracia, que conhece o Corinthians e alguns jogadores do Corinthians, e me senti ali como se estivesse junto com Mauro, com Solito, Zé Maria, Biro-Biro, Ataliba, com o saudoso Paulinho, o saudoso Daniel González, Zenon, todos aqueles jogadores que fizeram parte da Democracia Corinthiana”, contou o ídolo corinthiano.
Casagrande também disse que Mamdani “nos recebeu muito bem”, que é “uma figura muito humilde e muito carismática”, Também destacou que o encontro ocorreu em uma praça, no bairro novaiorquino do Queens, “onde me senti como na Zona Leste de São Paulo”.
Já o diretor cultural corinthiano, Rafael Castilho, ressaltou que “o encontro com o prefeito de Nova York demonstra o imenso legado da Democracia Corinthiana e como ela serve de farol para as gerações futuras na busca de igualdade e representação popular”.
“O Corinthians é um dos únicos grandes clubes do mundo que tem em sua história seu principal ativo. O Corinthians nasceu para dar vez e voz para seu povo. A torcida criou esse clube como instrumento de representação e identidade de sua gente. Isso ultrapassa fronteiras, inspira o mundo inteiro e dá a dimensão do alcance do Corinthians e seu potencial de ser muito mais do que um clube, muito mais que o jogo jogado nas quatro linhas”, salientou o sociólogo.
Vídeo de Mamdani inspirou presente
Casagrande está nos Estados Unidos participando como comentarista esportivo da cobertura da Copa do Mundo de 2026. A iniciativa de se encontrar com Mamdani surgiu após o prefeito publicar vídeo homenageando a Democracia Corinthiana, movimento do qual ele fez parte, e também o craque Sócrates, outro ídolo do clube dos Anos 80.
No vídeo, difundido horas antes da estreia da Seleção Brasileira na Copa, contra o Marrocos (no dia 13 de junho), o prefeito novaiorquino conta que “enquanto esperamos Brasil contra Marrocos, tenho pensado muito sobre Sócrates. Não o filósofo grego, mas o maestro brasileiro do meio campo. Ele jogou nos Anos 70 e 80, incluindo a Copa de 1982. Esses foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governou o país, impondo seu domínio pela força”.
“No Corinthians, o clube que ele foi capitão, Sócrates e seus companheiros de equipe participaram do que os brasileiros sonhavam todos os dias: democracia. Eles começaram um experimento de auto governança, chamado Democracia Corinthiana. Se você era o atacante principal do time, ou o funcionário da lavanderia, você tinha o mesmo voto. E enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates levou os jogadores a campo vestidos com agasalhos em que estava escrito nas costas ‘Eu quero votar no meu presidente’”, acrescentou Mamdani.

Alexandre Battibugli
Sobre a Democracia Corinthiana
A Democracia Corinthiana foi um dos maiores movimentos sociais relacionados ao esporte no Brasil, e tinha entre seus principais líderes jogadores como Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon.
Seu surgimento, no início dos Anos 80, coincidiu com o crescimento da campanha pelas Diretas Já, da qual Sócrates, Wladimir e Casagrande participaram assiduamente, inclusive participando de comícios no Estado de São Paulo, fazendo do Corinthians uma das principais plataformas de defesa da luta pela redemocratização do país.
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