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EUA x Brasil: a intervenção subterrânea

Foto: Joe Raedle/Getty Images

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Por Sara Vivacqua, no Monthly Review Online | Tradução: Antonio Martins

Pete Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA, anunciou em 10 de junho, na base naval da Baía de Guantánamo, que Washington está “retomando o controle do nosso hemisfério” e que, para isso, já está implantando na América Latina a mesma inteligência, as mesmas redes e a mesma força militar usadas contra a Al-Qaeda e o Estado Islâmico no Oriente Médio, em coordenação com os países aliados do Escudo das Américas.

“Estamos caçando vocês como caçamos a Al-Qaeda e o Estado Islâmico no Oriente Médio – com as mesmas redes e a mesma inteligência”, disse Hegseth às tropas, em uniforme de treinamento. Invocou a Doutrina Monroe do século XIX e o que ele chamou de novo “Corolário Trump” – uma atualização do Corolário Roosevelt que trata o hemisfério ocidental como “território chave” para a segurança nacional dos EUA.

No Brasil, maior país e economia da América Latina, essa nova arquitetura deixou de ser uma abstração em 5 de junho. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram designados pelos Estados Unidos como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTO, na sigla em inglês) e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGT, na sigla em inglês) – as mesmas categorias legais aplicadas à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. Mas o Brasil não foi o primeiro. A campanha de designação já durava mais de um ano. Em 20 de fevereiro de 2025, oito cartéis latino-americanos foram designados como FTOs e SDGTs de uma só vez: Tren de Aragua, MS-13, Cartel de Sinaloa, CJNG, Cartel del Noreste, La Nueva Familia Michoacana, Cartel del Golfo e Carteles Unidos. Em outubro de 2025, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) foi ainda mais longe. Incluiu o presidente colombiano Gustavo Petro – um chefe de Estado eleito e em exercício – diretamente à Lista SDN.

Agora, o OFAC, órgão responsável pela aplicação de sanções econômicas e pelo congelamento de ativos de pessoas e entidades sancionadas – atualizou sua lista de sanções (a Lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas, ou Lista SDN) para classificar o PCC e o Comando Vermelho como um “Grupo Terrorista Transnacional” e uma “Organização Criminosa”. Embora a designação criminalize a própria entidade como terrorista, a inclusão significa que qualquer indivíduo, banco, empresa ou instituição – dentro ou fora dos Estados Unidos – com qualquer exposição às organizações designadas fica sujeito a sanções secundárias e processo criminal. Este instrumento garante o isolamento financeiro global de qualquer entidade classificada, estendendo o alcance da doutrina muito além das fronteiras norte-americanas.

Como resultado, o Brasil está sendo inserido na mesma estrutura legal antiterrorista aplicada a esses grupos no Oriente Médio, em um contexto de crescente presença militar dos EUA na região, incluindo Paraguai e Argentina. Empresas, instituições e indivíduos brasileiros estão agora potencialmente sujeitos a sanções do OFAC mesmo fora dos Estados Unidos, e passíveis de sanções sob leis arbitrárias de imigração e segurança nacional dentro do país.

Lula, o presidente brasileiro, é alvo do governo Trump.

Não é mera improvisação retórica que a família Bolsonaro tente vincular Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT) ao PCC desde 2022 – uma alegação falsa que levou o TSE a ordenar a remoção das publicações relevantes e a multar Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro agora reativa a mesma estratégia em escala internacional, buscando transformar a oposição ideológica em suspeita criminal e pavimentar o caminho para a criminalização internacional de seus adversários – incluindo Lula pessoalmente, em ano eleitoral.

A esquerda associada pelos EUA aos grupos terroristas

Hegseth não fez sua declaração em Guantánamo como ex-apresentador do programa Fox & Friends Weekend, posto que um dia ocupou, mas como chefe civil do Pentágono — a maior máquina de guerra do mundo — e o oficial responsável por todo o aparato militar dos EUA. Seu cargo é o segundo mais alto na cadeia de comando militar, abaixo apenas do presidente.

O que Hegseth descreve não é uma metáfora. Trata-se da transferência literal da doutrina, dos métodos e da infraestrutura da Guerra ao Terror pós-11 de Setembro para a nova guerra ao terror de Trump contra o “extremismo violento de esquerda” transnacional. A nova arquitetura foi inaugurada pela Estratégia Nacional de Contraterrorismo de 2026 , assinada por Trump em 6 de maio.

Esse documento fundiu, pela primeira vez na história dos EUA, três categorias oficiais de ameaça terrorista em uma só: “narcoterroristas e gangues transnacionais”, “terroristas islâmicos tradicionais” e – algo sem precedentes – “extremistas violentos de esquerda, incluindo anarquistas e antifascistas”.

Hegseth citou a Estratégia como a Carta Magna da ofensiva para “retomar nosso hemisfério”, alegando que os presidentes anteriores “ignoraram a Doutrina Monroe por tempo demais” e “fingiram que nosso próprio quintal não importava”.

Não é coincidência que Hegseth tenha passado 45 minutos na Baía de Guantánamo — um local de tortura e de ocupação ilegal do território cubano pelos EUA — elogiando a operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro em minutos. Ele saudou essa operação contra a Venezuela como o grande ensaio geral para colocar a doutrina em prática.

A nova guerra de Trump contra o terror afasta-se da doutrina do terrorismo “árabe-religioso”, deslocando a guerra contra o jihadismo para o cerne da luta ideológica contemporânea da era pós-7 de outubro dentro da própria sociedade civil – incluindo o combate ao “extremismo de esquerda”.

Diversos documentos e atos oficiais do governo Trump estabelecem uma doutrina clara, bem documentada e oportunista contra uma nova forma de suposto terrorismo ideológico: o “extremismo violento de esquerda”. A estratégia é global. Nos Estados Unidos e na Europa, essa doutrina se traduz em campanhas de securitização e criminalização da sociedade civil – sobretudo dos movimentos de solidariedade à Palestina e de imigração –, enquanto na América Latina assume a forma de uma ruptura muito mais radical.

A arquitetura legal e militar para intervir na América Latina

Legalmente, a estratégia para a América Latina consiste em fundir “narcoterrorismo” e “extremismo de esquerda” em uma única categoria e atribuí-la a governos eleitos e líderes considerados hostis a Washington – abrindo, assim, as portas até mesmo para a intervenção militar.

1. Designações de Terrorismo

Classificar as organizações criminosas na mesma categoria jurídica da Al-Qaeda libera os poderes de ação militar extraterritorial usados no período pós-11 de setembro. A América Latina emergiu como uma prioridade política para o governo Trump desde o primeiro dia de seu mandato. Em 20 de janeiro de 2025, dia de sua posse, Trump designou Cuba como um Estado Patrocinador do Terrorismo (SST), enquanto a Venezuela foi deliberadamente excluída dessa lista.

Deliberadamente, pois naquele mesmo dia Trump assinou uma ordem executiva inaugurando uma estratégia diferente, a ser testada na Venezuela: um processo formal para designar, em linguagem ampla e abrangente, “certos cartéis” e “outras organizações” como Organizações Terroristas Estrangeiras ou Terroristas Globais Especialmente Designadas. Mais importante ainda, o documento alterou a própria definição de cartel, estabelecendo que tais grupos vão além do crime organizado tradicional, em virtude de sua alegada convergência com atores extra-hemisféricos, incluindo governos hostis.

Em novembro de 2025, Hegseth designou o Cartel de los Soles como uma Organização Terrorista Estrangeira e insistiu publicamente que Nicolas Maduro era “o líder desse cartel” – precisamente nos termos da nova definição da ordem executiva.

O Cartel de los Soles nunca existiu. O termo é uma gíria venezuelana da década de 1990, usada genericamente para se referir a líderes corrompidos pelo narcotráfico. O próprio Departamento de Justiça (DOJ) admitiria posteriormente, em juízo, que a organização não existe, e órgãos técnicos do governo norte-americano – a DEA, o Departamento de Estado, o Serviço de Pesquisa do Congresso e o Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC – contradizem a mentira que justificou a invasão, não identificando redes de produção ou distribuição de fentanil na Venezuela.

Tampouco eram necessárias armas de destruição em massa — a mentira contada por Bush e Tony Blair a seus respectivos legislativos para justificar a invasão e destruição do Iraque. A mera designação foi suficiente para abrir o caminho legal para a invasão de um Estado soberano. Como o próprio Hegseth reconheceu em entrevista à One America News Network, declarar o Cartel de los Soles uma organização terrorista infiltrada no Estado venezuelano traria “uma série de novas opções” sobre como os Estados Unidos lidam com quem acusam de narcoterroristas na região.

2. Coalizões de países aliados e tentativa de isolar a China

Em seu discurso, Hegseth também anunciou a expansão do Escudo das Américas – a coalizão anti-narcoterrorismo – como um mecanismo para operar dentro de países aliados, “descobrindo onde esses terroristas designados operam, onde produzem suas drogas”, replicando o modelo de operações especiais usado no Afeganistão e no Iraque.

Em seu discurso, Hegseth também anunciou a expansão do Escudo das Américas — a coalizão anti-narcoterrorismo — como um mecanismo para operar dentro dos países aliados.

As mesmas estruturas de vigilância, capacidades de fusão de dados e operações especiais construídas no Oriente Médio estão sendo replicadas no Caribe, na Amazônia e no Pacífico Sul. O Escudo das Américas é o equivalente à coalizão da “guerra ao terror” pós-2001. Bukele e Milei desempenham os papéis que o presidente paquistanês Parvez Musharraf e o Rei Abdullah, da Jordânia desempenharam no Oriente Médio.

Dois meses após a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, em 7 de março, Trump reuniu chefes de Estado de doze nações latino-americanas em seu resort de golfe em Doral, Flórida, para a cúpula inaugural do Escudo das Américas (oficialmente Coalizão das Américas Contra os Cartéis – ACCC). Os líderes das maiores economias da região – Brasil, México e Colômbia – não foram convidados, enquanto o autocrata Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina, estavam na lista de convidados. A narrativa oficial era a luta contra os cartéis, mas a proclamação do Escudo falava em repelir “influências estrangeiras” e “interferências no hemisfério”. A linguagem é direcionada à China, cujo comércio com a região aumentou de US$ 12 bilhões em 2000 para US$ 515 bilhões em 2024. A coalizão reúne 18 países com o objetivo de expandir o compartilhamento de informações e a interdição marítima no Caribe e no Pacífico.

3. Bases Militares

Guantánamo, as bases argentinas sob o Decreto 264/2026, o escritório do FBI no Equador e o SOFA no Paraguai tornam-se os equivalentes funcionais das bases americanas no Kuwait, Catar e Bahrein. Cuba ainda resiste.

Nos dias que se seguiram à cúpula, a arquitetura regional do Escudo das Américas começou a tomar forma. Em 10 de março, sob um acordo negociado entre Marco Rubio e o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou um Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA) que permite a presença de militares e civis dos EUA no país, com imunidade penal equivalente à do corpo diplomático. O presidente Lula expressou preocupação com a possibilidade de tropas americanas serem destacadas ao longo da fronteira entre o Paraguai e o Brasil.

Um dia depois, em 11 de março, os Estados Unidos inauguraram o primeiro escritório permanente do FBI no Equador, coroando uma série de acordos de segurança assinados em apenas duas semanas entre Washington e Quito – incluindo, em 3 de março, a primeira operação militar conjunta “antidrogas” em solo latino-americano, liderada pelo Comando Sul. Analistas observam que a posição estratégica do Equador – com acesso direto ao Pacífico e às Ilhas Galápagos – o torna um centro privilegiado para a projeção de inteligência dos EUA na região.

No processo de substituição do que resta da diplomacia pela militarização, Milei forneceu um aliado obediente e estruturalmente indispensável ao Escudo das Américas. O Decreto de Necessidade e Urgência 264/2026, assinado por ele em 17 de abril, autorizou a entrada de pessoal e equipamento das Forças Armadas dos Estados Unidos para o exercício “Daga Atlântica”, entre 21 de abril e 12 de junho de 2026, na Base Naval de Puerto Belgrano, na Guarnição Militar de Córdoba e na VII Brigada Aérea em Moreno, Buenos Aires – em paralelo com o destacamento do porta-aviões nuclear USS Nimitz nas águas do Atlântico Sul.

Mesmo enquanto a estrutura legal estava sendo formalizada, Washington já havia mobilizado navios de guerra, posicionado caças F-35 em Porto Rico e enviado o porta-aviões USS Gerald R. Ford para o Caribe — um poder de fogo claramente desproporcional para combater cartéis, que não possuem força aérea. Desde 2 de setembro de 2025, os Estados Unidos realizaram pelo menos 44 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, em ações que a ONU classificou como execuções extrajudiciais. Em março de 2026, um oficial da defesa confirmou ao Congresso que 47 embarcações haviam sido atacadas e pelo menos 157 pessoas mortas, incluindo pescadores de Trinidad e Tobago e da Colômbia. A ONU determinou que ações militares, diretas ou secretas, contra outro Estado soberano constituiriam “uma violação ainda mais grave da Carta da ONU”.

O próprio comandante do Comando Sul (Southcom) – a estrutura militar responsável pelas operações dos EUA na América Latina e no Caribe – o almirante Alvin Holsey expressou preocupações internas sobre a legalidade das operações e apresentou sua renúncia em uma tensa reunião com Hegseth em 6 de outubro.

4. A Palantir e a vigilância em massa em território estrangeiro

A dimensão tecnológica dessa arquitetura, contudo, chegou com outra figura do mundo corporativo – que tem profundas raízes nos serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel. Em 12 de abril de 2026 – precisamente quando as tropas americanas começavam a ocupar posições em bases argentinas – Peter Thiel desembarcou em Buenos Aires acompanhado por familiares, assessores e segurança pessoal. Em 23 de abril, foi recebido na Casa Rosada por Milei e pelo Ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno. Milei descreveu o encontro como uma conversa “maravilhosa” entre “anarcocapitalistas”.

Thiel, ex – sócio de Jeffrey Epstein , é cofundador e presidente da Palantir Technologies, uma empresa focada em integração de dados, análise de inteligência e contratos governamentais.

Desde 2014, a Palantir fornece tecnologia para agências de segurança israelenses e firmou uma “parceria estratégica” com o Ministério da Defesa de Israel para apoiar o “esforço de guerra”, realizando uma reunião do conselho em Tel Aviv “em solidariedade” a Israel. Um relatório da relatora especial da ONU, Francesca Albanese, concluiu que havia “motivos razoáveis” para acreditar que a Palantir forneceu tecnologia de policiamento preditivo e a plataforma de inteligência artificial que alimenta os sistemas “Lavender”, “Gospel” e “Where’s Daddy?” – sistemas que geram automaticamente listas com dezenas de milhares de alvos em Gaza. A Palantir também fornece tecnologia para o Centro de Coordenação Civil-Militar de Gaza, o complexo militar americano em Kiryat Gat, criado em outubro de 2025 para implementar o plano de Trump para Gaza.

Trata-se da mesma empresa que, nos Estados Unidos, acumulou contratos com o ICE no valor de US$ 287 milhões entre 2011 e 2025, fornecendo o sistema que dá a cada agente de imigração acesso a uma rede de bancos de dados públicos e privados sobre qualquer indivíduo. A Palantir está se infiltrando no Brasil por meio do apresentador de TV Luciano Huck e do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso.

A natureza sem precedentes da nova guerra de Trump contra o terror.

Os Estados Unidos estão inaugurando, diante de nossos olhos, uma doutrina de segurança hemisférica e global que é perigosamente confundida como mera continuação – mais explícita e agressiva – do expansionismo tradicional americano. Uma vasta arquitetura jurídica, política e militar está sendo elaborada pelo governo Trump e seus parceiros internacionais, incluindo Israel e o lobby israelense, para a chamada Nova Guerra ao Terror contra um “extremismo de esquerda transnacional” global da era pós-7 de outubro.

Esse nível de agressão vai muito além de tudo o que os EUA tenham feito na região nas últimas quatro décadas, desde a Operação Condor, a Guerra Contra e os golpes de Estado no Chile, Argentina, Brasil, Guatemala e outros países.

Documentos e atos oficiais do governo Trump estabelecem uma doutrina clara, coerente, oportunista e bem documentada contra uma nova forma de terrorismo. Há uma mudança paradigmática na era pós-7 de outubro, expressa como política de Estado pelo próprio governo Trump, que equipara sistematicamente os protestos pró-Palestina ao terrorismo e ao antissemitismo. Um exemplo revelador é o Projeto Esther, concebido pela Heritage Foundation – o mesmo grupo por trás do Projeto 2025 – que consolidou essa retórica em políticas institucionais explícitas em campi universitários. Atos como participar de protestos pró-Palestina foram enquadrados como antissemitismo e como fornecimento de apoio material ao terrorismo, de modo que os manifestantes poderiam ser deportados ou enfrentar prisão, sanções civis ou outras consequências graves.

Trata-se de uma tentativa de reorganizar a hegemonia dos EUA e do Norte global, expandindo o vocabulário do antiterrorismo para abranger o “extremismo de esquerda” e a dissidência na sociedade civil – abrindo o que a lei chama de “estados de exceção” transnacionais, desacreditando as garantias democráticas e pavimentando o caminho para a ascensão da extrema-direita e sua interseção com o libertarianismo americano: uma corrente que prega a dissolução do Estado e a soberania absoluta do indivíduo como princípio político.

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