
A Controladoria-Geral da União (Controladoria-Geral da União) iniciou uma auditoria para verificar se recursos provenientes de emendas parlamentares destinados a entidades controladas pela empresária Karina Ferreira da Gama acabaram sendo utilizados, direta ou indiretamente, no financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O resultado da apuração deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações conduzidas sobre a rastreabilidade das emendas parlamentares.
A investigação busca esclarecer se os recursos públicos permaneceram vinculados aos projetos originalmente contemplados ou se houve desvio de finalidade por meio de organizações e empresas ligadas à produção do filme.
Caso sejam identificados desvios de finalidade ou irregularidades na execução das emendas, os responsáveis poderão responder nas esferas administrativa, cível e criminal, além de serem obrigados ao ressarcimento dos cofres públicos. Até o momento, a auditoria segue em fase de coleta e cruzamento de informações, sem conclusões definitivas.
Entidades sob investigação concentram repasses milionários
O foco da auditoria recai sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e outras entidades dirigidas por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção nacional de Dark Horse.
Reportagens revelaram que parlamentares destinaram cerca de R$ 4,6 milhões em emendas para entidades vinculadas à empresária. Embora os recursos tenham sido oficialmente destinados a projetos sociais e culturais, a coincidência entre a direção das organizações beneficiadas e a produtora do filme levou órgãos de controle e o STF a aprofundarem as investigações.
Entre os casos analisados está uma emenda de R$ 2 milhões apresentada pelo deputado Mário Frias ao ICB, instituição presidida pela mesma empresária que controla a produtora cinematográfica. A apuração busca verificar se houve qualquer conexão entre esses recursos e a realização da obra.
STF e CGU coordenam apuração
O caso Dark Horse tornou-se mais um capítulo do debate sobre a fiscalização das emendas parlamentares e dos mecanismos de controle do gasto público. A principal questão investigada pela CGU e pelo STF não é o conteúdo da obra cinematográfica, mas a eventual utilização irregular de recursos públicos destinados a finalidades distintas da produção audiovisual.
A auditoria ocorre em paralelo às investigações abertas pelo ministro Flávio Dino, que determinou procedimentos específicos para verificar a rastreabilidade de emendas parlamentares relacionadas às organizações ligadas à produtora.
Em entrevista recente, o ministro da CGU, Vinícius Marques de Carvalho, afirmou que o órgão atua em cooperação com o Supremo e que as análises das emendas seguem demandas formuladas pela própria Corte, evitando antecipar conclusões sobre eventual auditoria específica enquanto os trabalhos permanecem em andamento.
Caso envolve também financiamento privado
A investigação sobre as emendas se soma a outra frente de apuração relacionada ao financiamento privado do filme. O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens indicando que o senador Flávio Bolsonaro buscou recursos junto ao empresário Daniel Vorcaro para custear a produção da cinebiografia.
Segundo informações já encaminhadas ao STF, parte dos valores negociados teria sido transferida para um fundo sediado no Texas controlado por aliados do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República defendeu que essa investigação seja conduzida pelo ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso Banco Master.
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