A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) emitiu um comunicado afirmando que a travessia pelo Estreito de Ormuz “somente é possível por rotas anunciadas pelo Irã”. O alerta ocorre após um porta contêineres ter sido atingido por um projéctil desconhecido na costa de Omã na quinta-feira (25/06).
Segundo o comunicado, “a única lei que rege esta região ainda é a lei da República Islâmica do Irã e da Marinha da Guarda Revolucionária”. A emissora estatal IRIB informou que três petroleiros estrangeiros tentaram atravessar o estreito “sem autorização”, retornando após as advertências da Marinha iraniana.
Na quinta-feira (25/06), Omã anunciou novas rotas para facilitar a circulação de embarcações na região. Segundo a Guarda Revolucionária, as embarcações, independentemente de navegarem por águas iranianas ou omanitas, devem estar “em total coordenação com as autoridades iranianas”. Caso descumpram a determinação, “o Irã agirá de acordo”.
A posição foi reforçada pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi. Nas redes sociais, ele reiterou que a passagem segura pelo Estreito de Ormuz “não pode ser garantida para embarcações que transitam com acordos ambíguos, rotas paralelas ou tomadas de decisão fora das considerações do Irã como Estado costeiro”.
“Qualquer estrutura credível deve basear-se na coordenação com o Irã e nas disposições do parágrafo cinco do Memorando de Entendimento de Islamabad”, acrescentou o diplomata, ao advertir que “caso contrário, o resultado será a suspensão da rota paralela designada.”

Jacques Descloitres / NASA/GSFC
Embarcação atingida
Os alertas ocorrem após o navio mercante Ever Lovely, de bandeira singapuriana, ser atingido por um projétil, ainda de origem desconhecida, durante a travessia da passagem marítima, nesta quinta-feira (25/06). O incidente ocorreu sem vítimas a 14 quilômetros a sudeste de Dahit, no enclave de Musandam, em Omã.
A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura divulgou um comunicado informando que a embarcação concluiu a travessia do estreito e prosseguiu viagem normalmente, classificando o episódio como “não provocado, injustificável e uma violação do direito internacional“.
Após relatos do ataque, a autoridade iraniana do Estreito do Golfo Pérsico, agência criada para controlar a navegação no estreito, afirmou que o trânsito de embarcações fora de suas rotas designadas “não será coberto pela garantia de passagem segura”.
OMI suspende operações
Em reação, a Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU, suspendeu a operação para retirar centenas de embarcações e milhares de marítimos retidos na região.
“Fui informado de um ataque ocorrido hoje no Golfo de Omã contra uma embarcação que passou pelo Estreito de Ormuz. Essa embarcação não transitou de acordo com o regime de evacuação da OMI”, disse Arsenio Dominguez, secretário-geral da OMI.
Segundo dados da agência marítima ligada às Nações Unidas, entre 23 a 25 de junho, cerca de 57 navios, transportando aproximadamente 1.100 marinheiros, transitaram pelo estreito sob coordenação do plano de evacuação da entidade.
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