As Forças Armadas do Paquistão realizaram, na noite deste domingo (28/06), uma série de ataques aéreos e, também terrestres, no leste do Afeganistão. Segundo o governo do Talibã, ao menos 36 pessoas foram mortas e mais de 160 encontram-se feridas.
Hamdullah Fitrat, porta-voz do governo afegão, disse que bombardeios atingiram as províncias fronteiriças de Paktika, Paktia e Kunar. Apenas em Paktia, mais de 130 pessoas ficaram feridas, segundo o diretor de saúde, Meraj Gul Adil.
Islamabad confirmou a autoria dos ataques. O governo paquistanês que as agressões militares tiveram como alvo membros de grupos armados afegãos, resultando na morte de pelo menos 32 combatentes entre eles.
Segundo o ministro de Comunicações, Attaullah Tarar, a operação também foi uma resposta ao ataque realizado no sábado (27/06) pelo Jamaat-ul-Ahrar, uma facção dissidente do Tehreek-e-Talibã Paquistão (TTP) ou Talibã Paquistanês, contra um acampamento da força paramilitar paquistanesa Rangers, na cidade porturária de Karachi.
Tarar disse que homens armados detonaram explosivos e abriram fogo contra a base, matando três agentes e ferindo outros quatro.
Desde o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão, em 2021, o Paquistão acusa o país vizinho de abrigar e apoiar militantes do TTP, responsáveis por ataques que já mataram milhares de integrantes de suas forças de segurança.

Forças Armadas do Paquistão / Wikimedia Commons
Fronteiras permanecem fechadas
Em 2023, como parte da resposta à insurgência, Islamabad expulsou mais de um milhão de refugiados afegãos do país. Segundo a Reuters, com base em dados oficiais paquistaneses, até fevereiro desde ano, mais de 2 milhões de afegãos foram repatriados.
Além disso, as fronteiras entre os países permanecem fechadas, o que atinge o comércio exterior do Afeganistão, que tinha o país vizinho como principal corredor para escoar suas importações e exportações.
As tensões entre os países vizinhos aumentaram em 2025, após incidentes na fronteira e uma série de explosões, pelas quais ambos os lados se culparam mutuamente. Em outubro do ano passado, as partes concordaram com um cessar-fogo em Doha. Em fevereiro deste ano, no entanto, os ataques escalaram levando à morte de 190 pessoas e retomando o histórico de agressões entre os países.
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