O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (Ofac), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro do país, anunciou nesta quarta-feira (1º/7) sanções contra dois cidadãos e três empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Leia mais em TVT News.
Os EUA classificaram os grupos PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas no final de maio deste ano.
Uma empresa portuguesa também foi sancionada.
No anúncio, o órgão do Tesouro americano diz que as empresas eram usadas como fachada pelo grupo criminoso para receber recursos oriundos de atividades criminosas realizadas nos Estados Unidos.
Foram sancionados os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda, Wave Construcoes Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (empresa portuguesa).
No comunicado, o Tesouro afirma que Shimada era o elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões obtidos em atividades criminosas nos EUA cidades através de transferências em criptomoedas, além de se envolver outros crimes financeiros.
Shimada foi indiciado em julho de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo no escândalo da empresa VaideBet. O relatório afirma que a Victory Trading, que tem Shimada como sócio, foi usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro.
Shimada também é sócio da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
Já Stella seria parente de Shimada e teria agido na condição de sua secretária e intermediária no recolhimento de grandes quantias de dinheiro, inclusive oferecendo serviços logísticos para o esquema de lavagem.
EUA classificaram PCC e CV como terroristas em maio
O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou em 28 de maio, através de comunicado do Departamento de Estado, que designaria as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês)
A decisão seria válida a partir do dia 5 de junho e as medidas são adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump. As designações como FTO entram em vigor após publicação no Federal Register.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou na ocasião que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.
O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.
Na avaliação de especialistas, esta designação representa um potencial risco à soberania brasileira e pode prejudicar até mesmo esforços de cooperação investigativa entre os países, já que alteraria o nível de sigilo das informações compartilhadas entre os órgãos de segurança dos dois países, centralizando-as na CIA [Central de Inteligência dos EUA] ou em órgãos militares
Esta mudança poderia atrapalhar investigações conjuntas em curso e inviabilizar futuras cooperações.
O promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, afirmou que a eventual designação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas representa um potencial risco à soberania brasileira.
“Vamos abrir um flanco para que, no futuro, possa haver algum tipo de operação militar secreta, da CIA [Agência Central de Inteligência] ou de forças especiais [estadunidenses], na fronteira ou mesmo dentro do território brasileiro”, declarou o promotor ao ser entrevistado pelo jornalista José Luiz Datena, durante o programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional em 12 de março
Gakiya investiga a atuação do PCC há mais de 20 anos, o que lhe valeu diversas ameaças de morte, obrigando-o a viver há mais de dez anos sob permanente escola policial. Considerado um dos maiores conhecedores do modus operandi do crime organizado no Brasil, ele defende que as facções brasileiras sejam classificadas como organizações criminosas do tipo mafioso, e não terroristas.
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