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O que é a Transnordestina e por onde ela passa

A Ferrovia Transnordestina deu mais um passo para sua conclusão nesta quinta-feira (2), com a entrega de dois novos trechos entre os municípios de Acopiara e Quixeramobim, no Ceará. A inauguração dos lotes 4 e 5 acrescenta 101 quilômetros à malha ferroviária já construída e eleva para 777 quilômetros o total de trilhos concluídos, o equivalente a 82% da primeira fase da obra, considerada atualmente a maior infraestrutura linear em execução no Brasil. Saiba mais na TVT News.

A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador do Ceará, Elmano de Freitas, ministros e autoridades federais e estaduais. Além da entrega dos novos trechos, o governo anunciou um aporte adicional de R$ 600 milhões para acelerar a construção da ferrovia, entregou 100 novos vagões graneleiros e confirmou a fabricação de outros 370 destinados ao transporte de cargas.

Com investimento total estimado em R$ 15 bilhões, a Transnordestina é considerada um dos principais projetos logísticos do país. Quando estiver totalmente concluída, terá capacidade para transportar mais de 30 milhões de toneladas de cargas por ano, reduzindo custos de transporte, ampliando a competitividade da produção nordestina e fortalecendo a integração econômica da região.

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Durante o evento, Lula destacou o papel estratégico da ferrovia para o desenvolvimento do Nordeste.

“Essa é uma estrada de ferro vital para a perspectiva de desenvolvimento dessa região. A nossa obrigação é levar oportunidades de desenvolvimento para as pessoas desse país”, afirmou o presidente.

Transnordestina

O que é a Transnordestina

Planejada há cerca de duas décadas, a Ferrovia Transnordestina nasceu com o objetivo de criar um grande corredor ferroviário para escoar a produção agrícola, mineral e industrial do interior nordestino até os portos de exportação.

O projeto atualmente em execução prevê 1.206 quilômetros de extensão entre o município de Eliseu Martins, no sul do Piauí, e o Porto do Pecém, na região metropolitana de Fortaleza (CE). Ao longo do percurso, a ferrovia atravessa 53 municípios dos estados do Piauí, Pernambuco e Ceará.

Ao longo da linha serão transportados produtos como:

  • grãos;
  • fertilizantes;
  • combustíveis;
  • cimento;
  • minério;
  • leite;
  • calçados e outras mercadorias produzidas no interior nordestino.

A expectativa do governo federal é concluir toda essa primeira etapa até o fim de 2027. Depois disso, haverá uma segunda fase correspondente a aproximadamente 151 quilômetros adicionais dentro do Piauí, prevista para ser entregue em 2028.

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, quase R$ 10 bilhões já haviam sido desembolsados até março deste ano para financiar as diferentes etapas da construção.

Por onde passa a Transnordestina

A Transnordestina parte de Eliseu Martins, no sul do Piauí, atravessa o sertão pernambucano pela região de Salgueiro e segue pelo interior do Ceará até alcançar o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Os dois trechos inaugurados nesta quinta-feira atravessam os municípios cearenses de:

  • Acopiara;
  • Piquet Carneiro;
  • Senador Pompeu;
  • Quixeramobim.

Somente nesses lotes foram movimentados cerca de 13 milhões de metros cúbicos de terra, utilizados 13,2 mil toneladas de trilhos, instalados 169 mil dormentes de concreto e empregados aproximadamente 242 mil metros cúbicos de brita.

O presidente da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), Tufi Daher Filho, afirmou que a ferrovia já emprega mais de 5,5 mil trabalhadores diretos e mobiliza cerca de 1.300 máquinas ao longo das obras.

Mesmo antes da conclusão definitiva, parte da ferrovia já começou a ser utilizada em caráter experimental. Em dezembro de 2025, um trem carregado de milho percorreu 585 quilômetros entre Bela Vista, no Piauí, e Iguatu, no Ceará, na primeira operação-teste autorizada pelo Ibama. A viagem, inicialmente prevista para durar 14 horas, foi concluída em pouco mais de 12 horas.

Nova logística para o Nordeste

A principal função da Transnordestina será reduzir significativamente os custos logísticos da produção nordestina.

Atualmente, grande parte das cargas do interior da região depende do transporte rodoviário. Com a ferrovia, produtores terão acesso mais rápido aos mercados nacional e internacional por meio do Porto do Pecém.

Durante a cerimônia desta quinta-feira também foram anunciadas novas iniciativas para ampliar essa estrutura logística.

Entre elas estão a assinatura da ordem de serviço do Ramal Nelog, que fará a ligação direta da ferrovia ao Terminal de Uso Privado instalado no Complexo do Pecém, e o protocolo de intenções para implantação do Porto Seco de Quixeramobim, empreendimento privado estimado em R$ 1 bilhão.

Segundo o governador Elmano de Freitas, a nova infraestrutura permitirá ampliar o mercado para produtos tradicionais da região, como leite e calçados.

“A Transnordestina é o começo de um novo futuro para o Ceará crescer cada vez mais”, afirmou.

O senador Camilo Santana também destacou o impacto econômico esperado para o Sertão Central.

“Essa ferrovia atravessa todo o Ceará, vai impulsionar um polo industrial aqui no Sertão Central e gerar emprego e renda para a população cearense.”

Ramal para Suape ainda depende do TCU

O projeto original da Transnordestina previa um traçado ainda maior, totalizando cerca de 1.753 quilômetros, incluindo um ramal de aproximadamente 550 quilômetros ligando Salgueiro ao Porto de Suape, em Pernambuco.

Esse trecho acabou sendo retirado da concessão da TLSA durante o governo anterior e passou a ser responsabilidade direta da União.

A retomada da obra, entretanto, permanece parcialmente suspensa por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a atualização dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental antes da continuidade da contratação.

Em junho, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo federal pretende defender junto ao tribunal a liberação das obras o mais rapidamente possível. Paralelamente, a Sudene desenvolve estudos para integrar a Transnordestina a novos corredores ferroviários, incluindo um futuro ramal entre Salgueiro e Petrolina e projetos para reativar o transporte ferroviário de passageiros entre Recife e Caruaru.

Caso todas essas conexões sejam implementadas, a Transnordestina poderá se consolidar como a principal espinha dorsal da logística ferroviária nordestina, ampliando a integração entre áreas produtoras, polos industriais e os principais portos da região, com potencial para impulsionar o desenvolvimento econômico e a geração de empregos em diversos estados do Nordeste.

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