No marco das celebrações fúnebres do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, o Ministério das Relações Exteriores do Irã definiu neste sábado (04/07) a busca pela justiça contra os Estados Unidos e Israel “uma causa duradoura”. O comunicado foi emitido enquanto uma multidão massiva de milhões de civis se concentrava na Grande Mesquita de Teerã entoando apelos de vingança contra as nações agressoras.
Também em meio às procissões fúnebres, o ministro interino da Defesa iraniano, Majid Ibn al-Reza, advertiu Washington que Teerã daria uma resposta “necessária e decisiva” caso os compromissos sob o acordo de cessar-fogo – que destacou ter sido firmado unicamente para preservar a estabilidade regional – fossem violados, conforme noticiou a agência de notícias ISNA. Neste sábado, a Casa Branca informou que as negociações devem ser retomadas somente depois das celebrações, que terminam em 9 de julho.
Referente à agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista de 28 de fevereiro, o ministro al-Reza reforçou as denúncias de que os bombardeios visaram intencionalmente centros civis, hospitais, universidades, escolas, infraestrutura industrial e locais históricos, provocando o martírio do líder supremo e dos principais comandantes militares do país.
O funeral público prevê uma duração de seis dias e deve percorrer as cidades de Qom e Mashhad, onde ocorrerá o sepultamento de Ali Khamenei. Neste primeiro dia de celebrações, o presidente do país persa Masoud Pezeshkian destacou que o luto manifestado pelo povo foi “a melhor prova da grandeza, dignidade e força do líder mártir da revolução”, em uma demonstração de “raiva pelos Estados Unidos e por Israel”.

Tasnim
Em entrevista ao portal norte-americano Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem comemorado os 250 anos da independência do país neste mesmo sábado, afirmou ter ficado “chocado” com a comoção dos iranianos em Teerã. “Eu pensei que as pessoas o odiassem”, disse o republicano.
Ainda ao veículo, o mandatário norte-americano afirmou que poderia “eliminar todos” os presentes no funeral de Khamenei, mas que “não restaria ninguém para negociar” caso decidisse por isso. Na última quinta-feira (02/07), ao longo dos preparativos para as procissões, o comandante militar da Sede Central de Khatam al-Anbiya, Ali Abdollahi, alertou contra qualquer ataque inimigo.
“Alertamos os inimigos do Irã, especialmente os Estados Unidos e o regime sionista, para evitarem qualquer erro de cálculo e pensarem na dura retaliação que nossas forças armadas fariam a qualquer ameaça e agressão contra nosso país”, disse.
Orações fúnebres
A expectativa é de que comece no domingo (05/07), às 6h pelo horário local, na Grande Mesquita de Teerã, a cerimônia de orações fúnebres para o ex-líder supremo Ali Khamenei, assim como também para os quatro membros de sua família que foram juntamente martirizados em 28 de fevereiro. Em paralelo, as cerimônias de despedida devem seguir em todo o território nacional.
Os quatro membros da família Khamenei assassinados nos ataques norte-americanos e israelenses são Mesbah al-Hoda Baqeri Kani, genro de Khamenei; Seyedeh Boshra Hosseini Khamenei, sua filha; Zahra Haddad Adel, sua nora; e Zahra Mohammadi Golpayegani, sua neta. Quem sobreviveu ao bombardeio inimigo é Motjaba Khamenei, filho de Ali e atual líder supremo iraniano, que não tem confirmação de aparição pública no enterro de seu pai.
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