
Em greve, estudantes da Unesp têm denunciado as condições de permanência nos 34 campi espalhados por todo o estado de São Paulo.
Leonardo de Paula e Kaiki Lins (SP)
JUVENTUDE – Em greve há mais de dois meses, os estudantes da Unesp têm denunciado as condições de permanência nos 34 campi espalhados por todo o estado de São Paulo.
Além das denúncias sobre as condições de permanência estudantil, os estudantes têm apontado o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o principal inimigo da juventude.
Permanência estudantil
Apesar de ser uma das universidades com maior número de campi em São Paulo, a Unesp não tem aumento orçamentário desde 1995.
Diante dessa realidade, os estudantes iniciaram mobilizações no final de 2025, com paralisações em fevereiro e março, reivindicando políticas de permanência.
O estopim da mobilização aconteceu após uma professora passar mal e falecer devido à falta de atendimento especializado, consequência da insuficiência de técnicos no campus da capital. Em 22 de abril, os estudantes ocuparam o prédio do Instituto de Artes da Unesp.
A greve foi estadualizada após o ato realizado pelas três universidades paulistas, que contou com milhares de estudantes e trabalhadores, unidos na denúncia da postura das reitorias em relação às pautas da comunidade acadêmica e na responsabilização do governador Tarcísio pela precarização da educação paulista.
Mobilização crescente
Mais de dez campi da Unesp estão em greve, com a paralisação de mais de 90 cursos, muitos paralisados por professores, servidores e estudantes.
A cada semana, novos cursos e unidades aderem ao movimento, demonstrando o fortalecimento da greve e a disposição dos estudantes em manter a mobilização até que as reivindicações sejam atendidas. Assembleias cada vez mais numerosas, atos, ocupações e atividades de agitação têm ampliado o envolvimento da comunidade, transformando a luta pela permanência estudantil em uma das maiores mobilizações da história da Unesp.
O DCE Helenira Resende, que representa todos os estudantes de graduação da universidade, tem elaborado uma carta estadual de reivindicações que será entregue à reitoria. O documento está sendo construído a partir das deliberações das assembleias realizadas nos campi e das reivindicações apresentadas pelo movimento estudantil ao longo da greve.
Mesmo sofrendo perseguições por parte do governo estadual e da própria reitoria, que tem chamado a polícia para reprimir mobilizações e processar lideranças do movimento estudantil, os estudantes se mantêm firmes na luta.
O fortalecimento da greve se refletiu na participação dos estudantes nas mobilizações de rua. No último dia 20 de maio, mais de dois mil estudantes da Unesp participaram da Marcha ao Palácio dos Bandeirantes, realizada na capital paulista, demonstrando a crescente capacidade de organização e mobilização do movimento estudantil.
Matéria publicada na edição impressa nº 336 do jornal A Verdade