A recente pesquisa eleitoral da AtlasIntel/Bloomberg para as Eleições Gerais de 2026, realizada no início deste mês, revela um dado que merece profunda análise e reflexão — não necessariamente no que tange às intenções de voto dos presidenciáveis, mas sim um resultado de cruzamento demográfico que pode ser interpretado como uma fotografia do momento.
A pesquisa Atlas BR-04582/2026, registrada no TSE em 25/06/2026 e divulgada em 01/07/2026, mostra que, na faixa etária de 16 a 24 anos, apenas 9,1% dos entrevistados se identificam com o espectro da “esquerda lulista”, enquanto expressivos 22,8% apontam identificar-se como “esquerda não lulista”. Um amigo e companheiro de militância me apresentou esse dado, o que me trouxe imediata inquietação e questionamentos sobre o motivo de esse setor estratégico da juventude não se identificar com a figura do presidente Lula e, consequentemente, com o Partido dos Trabalhadores.
A precarização do tempo e a ilusão das redes
Não restam dúvidas de que, no século XXI, a forma de fomentar e dar vida a um partido político, movimento social ou figura pública perpassa, ou deveria perpassar, pelas redes sociais. No Brasil, a pesquisa TIC Domicílios do Cetic.br indica que 91% dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos utilizam redes sociais, um nível significativamente superior à média nacional.
Hoje vemos influenciadores do setor da “esquerda não lulista”, ou autodenominados de “esquerda radical”, em forte ascensão nas mídias digitais. Poderia citar diversos movimentos, figuras e coletivos que surgiram na internet e que, muitas vezes, limitam-se a esse ambiente. O jovem brasileiro, que frequentemente trabalha na exaustiva escala 6×1 e estuda, tem pouquíssimo tempo para viver além dessas obrigações. Ao abrir uma rede social e encontrar conteúdos dessas figuras, o algoritmo — que trabalha com a preferência de consumo e a entrega de picos de indignação, acaba por moldar a identificação desse jovem. Ele passa a apoiar um movimento apenas “julgando o livro pela capa”, sem ter a oportunidade real de frequentar uma reunião do PT, “trocar uma ideia” olho no olho, ou conhecer a fundo as bandeiras que defendemos, o nosso modelo de socialismo e a construção cotidiana de um novo Brasil, ou mesmo as propostas de outros partidos e movimentos da esquerda vanguardista brasileira.
Aqui, não estou deslegitimando o trabalho de comunicação do nosso partido; muito pelo contrário. Temos jovens lideranças petistas muito preparadas e presentes nas redes sociais, disseminando o que pensamos e almejamos para a juventude brasileira. Eu mesmo, como militante, crio e engajo diariamente nos conteúdos do nosso partido, divulgando nossa atuação nas ruas, no movimento estudantil, nos mandatos, nas prefeituras e no Governo Federal. Entretanto, essa pesquisa me provocou a refletir sobre como, por meio das redes, parte do eleitorado jovem é cooptada por setores não lulistas ou de uma esquerda mais radical, muitas vezes baseada em vídeos rasos, desconexos e puramente estéticos.
A quem serve o fogo amigo contra o lulismo/petismo?
Compreendo a importância de termos no Brasil uma esquerda diversificada e com várias linhas teóricas de pensamento. Mas qual é o preço de, por meio das redes sociais, servirem, em muitos casos, como linha auxiliar da extrema-direita, ao disparar críticas infundadas ao PT e ao presidente Lula, atingindo um setor jovem da sociedade que muitas vezes não teve a oportunidade de conhecer “o outro lado da moeda”?
Esse abismo na formação política se reflete de forma nítida em outro cruzamento revelador trazido pela pesquisa da AtlasIntel: na totalidade dos entrevistados, 22% dos que se identificam com a “esquerda lulista” possuem ou estão no Ensino Superior, contra apenas 15,5% da “esquerda não lulista”. Esse dado estatístico reforça a tese de que o discurso radical de internet, rápido e moldado por algoritmos, tem capturado justamente a juventude mais precarizada, afastada do ambiente universitário e submetida a rotinas exaustivas de trabalho, que carece de tempo para o debate presencial e a formação teórica aprofundada.
O dever da disputa de corações e mentes
Diante desse cenário, a militância petista como um todo tem o dever urgente de ocupar as redes sociais de forma estratégica, espalhando nossas ideias, o legado e os feitos do nosso partido nas cidades, estados e no país sob o comando do presidente Lula. É preciso traduzir as grandes conquistas governamentais para a realidade imediata desse jovem que sofre na escala 6×1.
Para isso, faço uma menção honrosa ao Pode Espalhar e ao Porta-Voz do Lula, alguns dos importantes e potentes mecanismos organizativos do nosso PT. Ferramentas como essas são fundamentais para que a esquerda lulista, e consequentemente petista, cresça cada vez mais, garantindo que o nosso projeto se fortaleça por todos os cantos do país, disputando, de fato, os corações, as mentes e o futuro da juventude trabalhadora.
Arthur Gimenes é diretor executivo de Políticas Educacionais da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), estudante de Administração Pública na FCLAr/Unesp de Araraquara (SP), é militante da Juventude do PT, Coletivo ParaTodos e Caravana do PT. Também é membro do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Araraquara e foi presidente do Conselho Municipal de Juventude (COMJUVE).