Um alto funcionário do grupo houthis do Iêmen, oficialmente conhecido como Ansar Allah, ameaçou impor um “cerco” à Arábia Saudita em retaliação a um ataque ao Aeroporto Internacional de Sanaa. Os houthis atribuíram a responsabilidade do ataque de segunda-feira (13/07) à Arábia Saudita, mas o governo iemenita reconhecido internacionalmente reivindicou a autoria, afirmando que a ação visava impedir que um avião iraniano pousasse na capital iemenita, controlada pelos houthis.
Em entrevista à emissora catari Al Jazeera, Mohammed al-Bukhaiti, membro do gabinete político houthi, declarou que o grupo responderá a ataques que considerem ter origem em Riade. “A disposição deles em atacar o terminal de Sanaa para impedir a chegada ou a partida de voos dá ao Iêmen o direito de atacar seus aeroportos e impor-lhes um cerco, assim como fizeram conosco”, afirmou o porta-voz.
O porta-voz dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o ataque de segunda-feira encerrou a “fase de desescalada” da guerra no Iêmen, que se arrasta desde que os houthis tomaram Sanaa em 2014.
Os episódios de violência desta semana ocorrem após confrontos em Hodeida, entre forças houthis e do governo, no início de julho, e ameaçam pôr fim a quatro anos de relativa calma, mantida desde o acordo de trégua temporária firmado há quatro anos.
Os ataques, que segundo al-Bukhaiti “não ficarão impunes e não serão punidos”, atingiram a pista do aeroporto de Sanaa no momento em que um avião iraniano que transportava uma delegação houthi de Teerã se aproximava. A delegação havia participado do funeral do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

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Al-Bukhaiti estava entre os oficiais que viajavam no avião iraniano, que foi desviado para Hodeida, cidade na costa do Mar Vermelho do Iêmen, também controlada pelos houthis, aliados do Irã.
As declarações de al-Bukhaiti sucederam a resposta dos houthis ao ataque ao aeroporto de Sanaa: uma salva de mísseis balísticos disparada contra o Aeroporto Internacional de Abha, no sul da Arábia Saudita. A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou ter interceptado os mísseis com sucesso.
Os houthis ameaçaram adotar novas medidas para pôr fim ao “cerco” ao aeroporto de Sanaa e prometeram manter os voos entre Sanaa e Teerã, afirmando não ter qualquer problema em paralisar os aeroportos sauditas para alcançar esse objetivo.
Ameaça a Bab al-Mandeb
Com o potencial de escalada da violência no Iêmen, cresce o receio de que os houthis utilizem o controle que exercem sobre o território ao longo do Mar Vermelho para fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, a entrada sul dessa importante via navegável.
Somado às ameaças contínuas à navegação no Estreito de Ormuz — do outro lado da Península Arábica — como resultado da guerra dos EUA com o Irã, qualquer ataque à navegação na costa do Iêmen abalaria ainda mais a economia global.
Questionado sobre a possibilidade de fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, al-Bukhaiti afirmou que todas as opções estão sendo consideradas pelos houthis.
“O Bab al-Mandeb é um recurso estratégico que o Iêmen tem o privilégio de utilizar”, disse o funcionário. “Usaremos essa carta contra nações que estejam ativamente nos atacando. Usaremos o Bab al-Mandeb de uma forma que não cause danos a nações que não estejam envolvidas em hostilidades contra o Iêmen.”
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