
Edição 2026 do Anuário de Segurança Pública mostra que meta de homicídios foi atingida, mas mortes de mulheres e por policiais crescem.
O episódio desta quinta-feira (30) do programa Entrelinhas Vermelhas, do Portal Vermelho, debateu os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O Brasil atingiu a meta nacional de redução de homicídios, mas o cenário é contraditório: feminicídios e mortes por intervenção policial cresceram. O apresentador Inácio Carvalho recebeu Tiago Rodrigues, cientista político da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Assista a íntegra da entrevista:
O monopólio da direita
Rodrigues destaca que a segurança superou a economia como maior preocupação dos brasileiros e será crucial nas eleições. Ele alerta para a ingerência da ultradireita internacional, que usa o tema como arma política. “A esquerda não pode fingir que o problema não existe nem repetir o modelo repressivo. Precisamos oferecer respostas eficientes e integradas”, defende, criticando a fragmentação dos 27 sistemas estaduais de segurança.
A ilusão dos dados brutos
Apesar da queda nas Mortes Violentas Intencionais, o especialista alerta que as facções não enfraqueceram. “O crime organizado se adequou. A queda da letalidade indica apenas uma acomodação de mercado ou territorial”, explica. Ele aponta que o modelo punitivista é “bem-sucedido” para manter a lucrativa economia ilícita e transferir recursos públicos para a indústria privada e estrangeira de armas e segurança.
Feminicídios e polícia classista
O aumento de 4% nos feminicídios expõe a face patriarcal e armada da sociedade. Rodrigues defende a “segurança cidadã”, voltada à proteção da pessoa humana, em contraposição à lógica de guerra. Sobre a letalidade policial, que subiu 5,4%, ele é enfático: a atual polícia não visa a segurança de todos, mas a manutenção da desigualdade estrutural. “É uma polícia classista, racista e machista. Precisamos proteger a população da violência cotidiana”, conclui.
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