Notícias

Lula anuncia que desmatamento na Amazônia cai ao menor nível da série histórica

A área da Amazônia sob alertas de desmatamento caiu 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026, para 2.874,38 km², segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o menor nível da série histórica do Deter, iniciada em 2016, e representa uma redução de 55,6% em relação à média dos dez ciclos anteriores.

O resultado foi apresentado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Inpe, em São José dos Campos (SP), ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Os números reforçam a reversão da trajetória de avanço do desmatamento observada nos anos anteriores e dão respaldo às políticas de fiscalização, monitoramento por satélite e proteção ambiental retomadas pelo governo federal.

“Foi um compromisso desaforado nosso que poderemos chegar a desmatamento zero até 2030”, afirmou Lula durante o evento.

Queda também alcança o Cerrado e outros biomas

No Cerrado, os alertas recuaram 7,8%, para 5.119,46 km², o menor resultado dos últimos cinco anos. O comportamento, porém, foi desigual entre os estados. No Mato Grosso, por exemplo, os alertas cresceram 40,5%; no Maranhão, 2,1%; e em Minas Gerais, 72,5%. Já o Piauí teve redução de 51,2%.

Na Amazônia, Pará e Mato Grosso concentraram os maiores volumes de alertas, com 987,27 km² e 834,41 km², respectivamente. Ambos registraram queda: 25,5% no Pará e 49% no Mato Grosso. Amazonas, Acre e Rondônia também tiveram reduções expressivas. Roraima foi a exceção entre os principais estados, com alta de 32,5%.

Os dados consolidados do Prodes também apontam recuos em outros biomas. Na Caatinga, a área desmatada caiu 34,3%; na Mata Atlântica, 15,32%; e no Pampa, 41,7%. Mata Atlântica e Pampa registraram os menores resultados de suas respectivas séries históricas.

Monitoramento e fiscalização voltam ao centro da política ambiental

O governo atribui a melhora à retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado em 2004 e posteriormente descontinuado pelo governo Bolsonaro, além do fortalecimento da fiscalização e de mecanismos de financiamento climático.

O Ibama também passou a utilizar embargos remotos, com imagens de satélite para identificar áreas com indícios de infração e adotar medidas administrativas sem necessidade de uma vistoria presencial inicial.

A estratégia combina monitoramento tecnológico e ação estatal. O Deter fornece alertas praticamente diários para orientar a fiscalização, enquanto o Prodes realiza o levantamento anual mais preciso da supressão de vegetação. Por isso, os alertas não equivalem, isoladamente, à taxa oficial de desmatamento.

Segundo os dados apresentados, a taxa anual de desmatamento da Amazônia, medida pelo Prodes, caiu de cerca de 13 mil km² em 2021 para 5.700 km² em 2025.

Financiamento ambiental e meta para 2030

A redução dos alertas ocorre paralelamente à ampliação de instrumentos financeiros para conservação e recuperação ambiental. Entre as iniciativas citadas pelo governo estão R$ 834 milhões do Fundo Clima para restauração de vegetação nativa, R$ 270 milhões em doações britânicas ao Fundo Amazônia e R$ 370 milhões para o programa ARPA Comunidades.

Também foram anunciados R$ 60 milhões para o Programa Recaatingar e R$ 27,5 bilhões em recursos reembolsáveis do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima para ações de transição de baixo carbono em 2026.

Lula tem procurado transformar os números de monitoramento ambiental em argumento diplomático, especialmente diante das críticas e das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. A divulgação dos dados no Inpe ocorreu justamente em meio à disputa comercial com Washington e às acusações de que questões ambientais estariam sendo utilizadas como justificativa para pressionar o país.

O desafio agora é transformar a queda dos alertas em tendência duradoura. O Greenpeace alertou para o risco de condições climáticas adversas, como um possível El Niño mais intenso, aumentarem a ocorrência de secas e incêndios. Também há disputas em torno do licenciamento ambiental.

Ainda assim, o dado central do ciclo 2025-2026 é inequívoco: a Amazônia registrou o menor volume de alertas desde o início da série do Deter. Para Lula, o resultado representa uma etapa importante na tentativa de recuperar políticas ambientais e sustentar a promessa de chegar ao desmatamento zero até 2030.

O post Lula anuncia que desmatamento na Amazônia cai ao menor nível da série histórica apareceu primeiro em Vermelho.