A Espanha endureceu o tom contra a Itália e deu prazo até o próximo domingo (09/08) para que Roma suspenda o controle de fronteira imposto a viajantes vindos do país ibérico.
A decisão do governo italiano ocorreu após a crise migratória em Ceuta, que levou cerca de 72 mil pessoas a atravessar a fronteira e deixou cerca de 100 mortos.
Caso a posição de Roma se mantenha, o governo de Pedro Sánchez afirmou que adotará “medidas proporcionais” em resposta.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (07/08), o governo espanhol afirmou que “insta o governo italiano a retificar esta situação, a pôr fim aos controles e a tratar os espanhois como os outros cidadãos europeus”.

Wikimedia Commons
A nota acrescenta que, “caso isso não aconteça até o fim do domingo, 9 de agosto, a Espanha será obrigada a tomar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade de seus cidadãos”.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, foi a líder europeia que mais endureceu o discurso após a crise em Ceuta.
Ao defender a suspensão dos controles de Schengen com a Espanha, ela afirmou que as políticas migratórias do governo de Pedro Sánchez “estão incentivando a imigração ilegal”.
Meloni também disse que a regularização de centenas de milhares de imigrantes “envia a mensagem errada e coloca em risco toda a Europa”.
O governo espanhol rebateu a justificativa de Roma, afirmando que nenhum dos migrantes que entraram irregularmente em Ceuta na semana passada pode acessar livremente o Espaço Schengen devido ao status especial do enclave e que “quase todos eles já retornaram ao Marrocos”.
Itália é recordista em imigração na UE
O comunicado ainda criticou a política migratória italiana, afirmando que a Itália registra o maior número de entradas irregulares da União Europeia, com cifras que chegam a duplicar as da Espanha.
Apesar disso, ressaltou que Madri “nunca introduziu controles para a Itália” e que, ao contrário, acolheu parte dos migrantes que chegaram à ilha de Lampedusa em 2023, abrindo seus portos para embarcações de resgate no Mediterrâneo Central.
Na última terça-feira (04/08), durante reunião extraordinária dos ministros do Interior da União Europeia sobre a crise em Ceuta, Espanha e Itália divergiram sobre a resposta ao fluxo migratório.
Madri rejeitou uma proposta italiana para enviar imigrantes em situação irregular a centros de deportação em países terceiros.
Ao fim do encontro, o comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, afirmou que nenhum dos migrantes que chegaram a Ceuta alcançou a Europa continental.
Magnus também atribuiu a crise à atuação de redes de tráfico humano e campanhas de desinformação nas redes sociais. Segundo ele, a União Europeia demonstrou “resiliência” e respondeu com rapidez e solidariedade ao episódio.
*Com informações de Ansa.
O post Espanha ameaça retaliar Itália caso mantenha fronteiras fechadas após onda migratória apareceu primeiro em Opera Mundi.