
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará início oficial à caminhada pela reeleição no dia 16 de agosto, às 9h, no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP) — mais conhecido como Vila Euclides. A chapa Lula-Alckmin, já oficializada, chega ao ato com o apoio de sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, Psol e Rede.
O evento será o primeiro grande ato popular da campanha após a oficialização da candidatura. A escolha do local não é aleatória. Foi lá que, há mais de quatro décadas, Lula liderou as históricas greves dos metalúrgicos do ABC contra a ditadura militar.
Na Convenção Nacional do PT, realizada no dia 2 de agosto, Lula já havia convocado a militância para o encontro. “Dia 16 é o grande dia. Lá vocês vão ver o começo da grande vitória”, afirmou o presidente.
O estádio que virou palco da democracia
Antes de se tornar símbolo da luta operária, a Vila Euclides era um simples campo de futebol, construído pela Fiação e Tecelagem Elni para a recreação de seus funcionários. Com o fechamento da fábrica, o espaço passou para a Prefeitura de São Bernardo do Campo, que o transformou em estádio municipal.
Inaugurado oficialmente em 1968, o estádio recebeu à época o nome de Arthur da Costa e Silva, general que ocupava a Presidência durante a ditadura. NO entanto, o título nunca pegou entre os moradores da cidade, que sempre se referiram ao local pelo nome do bairro: Vila Euclides.
E foi com essa identidade que, no fim da década de 70, em meio à inflação que corroía os salários e à repressão do regime militar, a o estádio deixou de ser apenas um espaço esportivo para se transformar em palco de uma das maiores mobilizações sindicais da história do país.
Em 1979, a sede do Sindicato dos Metalúrgicos já não comportava o tamanho do movimento grevista. Cerca de 60 mil trabalhadores ocuparam pela primeira vez o gramado e as arquibancadas da Vila Euclides. Sem palco ou sistema de som, Lula discursou em cima de uma mesa de escritório, usando um megafone — suas palavras eram repetidas pelos trabalhadores mais próximos até alcançarem quem estava do outro lado do estádio.
Outras assembleias se seguiram, ainda maiores. Em uma delas, 80 mil metalúrgicos, muitos acompanhados das famílias, decidiram manter a paralisação até que os patrões aceitassem negociar. No 1º de Maio daquele ano, o estádio recebeu um ato com aproximadamente 150 mil pessoas. Ao longo das greves de 1979 e 1980, foram realizadas na Vila Euclides pelo menos 18 grandes assembleias.
A força dessas mobilizações ajudou a consolidar o chamado novo sindicalismo, abriu caminho para a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e fortaleceu a luta pela redemocratização do país. Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornou-se referência nacional a partir desse período.
Depois das greves de 1980, o estádio passou a se chamar Estádio 1º de Maio, em homenagem ao Dia do Trabalhador e à luta operária que havia marcado definitivamente a história do local.
Um retorno simbólico
Mais de quatro décadas depois das greves do ABC, Lula volta ao mesmo gramado para dar início a uma nova caminhada eleitoral. A campanha de mobilização para o ato, batizada de “Lula: onde tudo começou”, convida brasileiras e brasileiros de todas as gerações a ocupar novamente o espaço onde a organização dos trabalhadores ajudou a enfrentar a ditadura e impulsionou a redemocratização do país.
Serviço
Lançamento da campanha Lula 2026
Data: 16 de agosto
Horário: a partir das 9h
Local: Estádio Municipal 1º de Maio (Vila Euclides), São Bernardo do Campo (SP)
Credenciamento de imprensa: lula.com.br/ondetudocomecou – confirmações de credenciamento enviadas a partir desrta segunda-feira, 10 de agosto
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com agências
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