
A Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, transforma-se nesta terça-feira (24) em um epicentro de celebração à memória viva da contracultura brasileira. Sob o título “A força secreta daquela alegria – uma homenagem a Jorge Mautner”, o evento celebra a trajetória multifacetada do artista que, aos 85 anos, permanece como uma das vozes mais originais e subversivas do país.
O Evento: Diálogo e Transcendência
Idealizada por João Paulo Reys e Maria Borba, a homenagem ocupa o auditório histórico de Botafogo a partir das 17h. A programação articula debates e performances musicais, refletindo o caráter interdisciplinar de Mautner. Entre os debatedores confirmados estão figuras centrais da cultura nacional, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fernanda Torres, Fausto Fawcett e Cláudio Leal.
A parte musical fica a cargo de Rubinho Jacobina, com um encerramento especial protagonizado pelo próprio Mautner e Cecília Beraba. O encontro, com ingressos gratuitos via Sympla, simboliza a gestão de Alexandre Santini à frente da Fundação, que tem buscado expandir o papel da instituição para além do jurídico-constitucional, abraçando a diversidade e a experimentação popular como ferramentas de cidadania.
Perfil: O Profeta do Kaos
Jorge Henrique Mautner nasceu no Rio de Janeiro, em 1941. Filho de refugiados do holocausto, sua obra é atravessada pela fusão entre o erudito e o popular, o misticismo e a política. Escritor precoce, publicou seu primeiro livro, Deus da Chuva e da Morte (1962), aos 21 anos, obra que lhe rendeu o Prêmio Jabuti.
Como músico e pensador, Mautner foi um dos pilares conceituais do movimento Tropicalista, embora mantivesse uma trajetória singular de “amálgama”, termo que ele mesmo utiliza para descrever a mistura de raças, crenças e saberes que formam o Brasil. Sua atuação no cinema e na filosofia — influenciada pela Kabbalah e pela alquimia — consolidou-o como um intelectual público capaz de traduzir a identidade brasileira através de um prisma de alegria e resistência.
Para o presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Alexandre Santini, Mautner é um “Pensador do Brasil”, tanto na arte quanto na teoria. “O Jorge tem uma mensagem profundamente generosa e otimista sobre a formação do povo brasileiro, sobre o sentido e o destino histórico do Brasil”, afirma o gestor.
Obras Notáveis:
- Literatura: Deus da Chuva e da Morte (1962) e Fragmentos de Sabonete (1973).
- Música (Álbuns): Para iluminar a cidade (1972) e Bambas do Beco (2006).
- Cinema: O longa-metragem O Demiurgo (1970), rodado durante o exílio em Londres.
“A Bandeira do Meu Partido”
A figura de Mautner guarda uma conexão afetiva e simbólica profunda com o Partido Comunista do Brasil, com a esquerda e com militantes das causas populares através da canção “A Bandeira do Meu Partido”.
Composta por ele, a música é uma ode à esperança e à resistência. Ao cantar que “a bandeira do meu partido é vermelha de um sangue vivo”, Mautner imbui o símbolo de uma vitalidade humanista, reforçando que a alegria, mesmo em tempos de barbárie, é uma ferramenta política inegociável.
Essa força política que emana de sua figura é o que motiva o resgate de sua obra no atual cenário nacional. Segundo Santini, a inspiração que Mautner oferece é fundamental para a reconstrução do país. “As forças que ele reúne em torno de si, da política e da arte, e que ele consegue fazer o amálgama em sua obra, são justamente a inspiração que a gente precisa para pensar o futuro do Brasil”, conclui o presidente da Fundação.
Serviço:
- Evento: A força secreta daquela alegria – uma homenagem a Jorge Mautner.
- Data: 24 de março de 2026, às 17h.
- Local: Fundação Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134, Botafogo, RJ).
- Entrada: Gratuita (Sujeita a lotação).
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