
A Unidade Popular defende a política feita de frente, com mutirões de filiação e ações nos bairros populares, para ampliar sua presença entre as massas e preparar a militância para a guerra eleitoral com um programa socialista claro.
Tati Bornato | Unidade Popular (UP)
BRASIL – A grande mídia mente todos os dias. Na internet, controlada pelos interesses dos ricos, espalha-se confusão, medo e despolitização. Contra isso, nossa resposta deve ser a política feita de frente. É ali que o jornal, o panfleto, a ficha de filiação, a aula pública, a plenária e a conversa olho no olho ganham sentido político.
O plano de crescimento da Unidade Popular (UP) já está em marcha e deve ganhar nova intensidade. Os mutirões de filiação, as tribunas populares, as atividades de agitação e propaganda e as ações nos territórios precisam ser ampliados, acompanhados e conduzidos com método. Cada núcleo deve atuar como ponto vivo de mobilização, formação, filiação e assumir cada vez mais a dinâmica de comitês de campanha, colocando nossa militância nas ruas e levando o programa da UP a parcelas cada vez maiores do povo.
Em Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, Marx afirmou que “a força material se combate com força material” e que a teoria também se torna força material quando penetra nas massas. A formulação segue atual porque nos lembra que nenhuma transformação profunda acontece apenas no campo das ideias. Para combater a força material dos patrões, dos bancos e do imperialismo, é preciso construir uma força concreta junto às massas. Essa força não nasce de discursos isolados, nem de campanhas passageiras; ela se constrói na organização cotidiana da classe, na presença nos locais de trabalho, estudo e moradia, na capacidade de transformar a exploração sentida todos os dias em consciência, em luta coletiva, até a liberdade.
A campanha eleitoral que se aproxima – uma verdadeira guerra – exigirá mais organização, disciplina e formulação de novos métodos de trabalho. Não entraremos nessa guerra eleitoral para repetir as falsas promessas dos partidos da burguesia, nem para disputar espaço dentro dos limites impostos pelos “donos do poder”. A Unidade Popular tem lado, programa e horizonte revolucionários: a construção do socialismo. Esse objetivo precisa chegar com nitidez aos trabalhadores e trabalhadoras.
O socialismo é o sistema que valoriza a vida, não o lucro, onde o povo não é obrigado a viver esmagado pela preocupação diária de pagar aluguel, comprar comida, enfrentar transporte lotado e sobreviver até o fim do mês. Nele, a riqueza produzida socialmente deve servir a quem trabalha, e não a uma minoria que se apropria de tudo. Também é no socialismo que o avanço tecnológico deixará de ser ameaça de desemprego e passará a ser instrumento para reduzir a jornada e garantir tempo para viver além do trabalho.
As guerras, a fome, a miséria, o desemprego e a destruição dos serviços públicos não são acidentes. São consequências de um sistema que subordina tudo à acumulação de poucos. Nesse cenário, o operariado segue ocupando papel decisivo. Tentaram declarar o fim da classe operária, mas as fábricas continuam funcionando, as linhas de produção seguem girando, os caminhões seguem saindo carregados e alimentos, remédios, máquinas, roupas, veículos e mercadorias seguem sendo produzidos por mãos trabalhadoras. Sem o operário, a engrenagem capitalista para.
É nesse setor estratégico que a UP precisa seguir crescendo, nos espaços onde a exploração aparece sem disfarce. Não basta falar para os trabalhadores; é preciso falar com eles, organizar com eles, criar vínculos reais e permanentes.
A guerra eleitoral será mais uma trincheira dessa luta. Para enfrentá-la, precisamos de um Partido maior e mais presente entre as massas. Por isso, o próximo 6 de maio deve ser construído como o maior Dia Nacional de Filiação da história da Unidade Popular. Não como uma ação isolada, mas como parte do processo de crescimento que já estamos impulsionando em todo o país. Além disso, junho deve ser assumido como um mês de ofensiva, com mais filiações, mais atividades de rua, núcleos em movimento e propaganda constante do programa da UP.
A tarefa é preparar a UP para estar à altura da luta que virá. A força material que temos é a organização da nossa classe. É ela que pode enfrentar o imperialismo, derrotar os inimigos do povo e abrir caminho para uma sociedade sem exploração.
O povo trabalhador não produz migalhas. Produz toda a riqueza. E quem produz o banquete tem o direito de se sentar à mesa.
Matéria publicada na edição impressa nº 333 do jornal A Verdade