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“A rua convoca, a urna confirma!”, por Silvana Conti

O tema da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo de 2026 é “A rua convoca, a urna confirma”, chamando atenção para a importância do voto em um ano eleitoral presidencial.

O PCdoB segue lado a lado da população LGBTQIA+ na luta em defesa de seus direitos, cidadania e dignidade. Neste momento de intensa disputa política para reelegermos o projeto democrático e popular, acreditamos que o principal desafio dos e das comunistas é contribuir na luta política central pela reeleição do governo Lula e pela continuidade do processo de reconstrução democrática do país. Não existem direitos LGBTQIA+ sem democracia!

Precisamos seguir fortalecendo a unidade do campo democrático, ampliando alianças com os movimentos sociais, populares e sindicais, elevando a consciência política da classe trabalhadora e do conjunto do povo brasileiro. Destacamos, nesse caminho, a defesa da democracia, da soberania nacional, dos direitos da classe trabalhadora e de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho e ampliação dos direitos sociais, articulando o combate ao machismo, ao racismo e à LGBTfobia.

Acreditamos na nossa capacidade coletiva de construir, transformar e revolucionar esta sociedade, que ainda produz desigualdades e opressões contra quem se atreve a “sair da caixinha”, “fugir da regra” e “sair do armário”. A luta LGBTQIA+ integra a luta mais ampla por emancipação humana, justiça social e liberdade.

A crise estrutural do capitalismo aprofunda desigualdades, reorganiza a disputa pelo poder mundial e intensifica guerras, cercos econômicos e conflitos que atravessam a vida dos povos. O imperialismo estadunidense já não opera sob a mesma hegemonia absoluta do século passado e enfrenta deslocamentos na ordem internacional, enquanto forças ultraconservadoras e neofascistas buscam reorganizar poder político e cultural por meio do fundamentalismo, do racismo, da misoginia e da LGBTfobia.

Nesta encruzilhada histórica, dois projetos disputam o presente e o futuro: de um lado, o capitalismo neoliberal, a financeirização da vida e a mercantilização dos direitos; de outro, a soberania nacional, a democracia, a integração entre os povos e um projeto popular comprometido com trabalho, dignidade e justiça social.

No Brasil, os governos Lula abriram um período de ampliação da participação popular, fortalecimento das políticas sociais e reconhecimento de direitos historicamente reivindicados pelos movimentos sociais, entre eles o movimento LGBTQIA+, mulheres, juventudes, população negra, pessoas com deficiência e a classe trabalhadora organizada.

O direito de existir, trabalhar, amar e ser feliz ganhou densidade política através das lutas coletivas e da presença popular nos espaços institucionais e nas ruas, reafirmando que democracia e direitos caminham junto da participação social e da soberania nacional.

O golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, marcou uma inflexão profunda no país e abriu caminho para o aprofundamento do neoliberalismo, da retirada de direitos e da reorganização conservadora do Estado e da sociedade. A ruptura democrática produziu impactos diretos sobre as políticas públicas, sobre o trabalho e sobre os mecanismos de participação popular, preparando terreno para a ascensão de um projeto autoritário articulado internacionalmente.

A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e o crescimento global da extrema direita expressaram uma ofensiva internacional conservadora que encontrou no bolsonarismo sua tradução brasileira. Trump e Bolsonaro partilharam estratégias políticas atravessadas pelo negacionismo, pelo ultraconservadorismo, pela desinformação e pela mobilização do ódio como ferramenta de disputa social e eleitoral. O período bolsonarista representou um tempo de ataques à democracia, às instituições públicas, à ciência, à cultura e aos direitos humanos, atingindo de forma particularmente violenta mulheres, população negra e pessoas LGBTQIA+, enquanto discursos de intolerância buscavam naturalizar exclusão e violência.

O retorno do presidente Lula inaugurou um novo momento político de reconstrução democrática e reafirmação do projeto democrático e popular no Brasil. Após anos marcados pelo aprofundamento neoliberal, pelo conservadorismo e pela ofensiva autoritária do bolsonarismo, o país voltou a recolocar no horizonte a centralidade das políticas públicas, da participação social, da soberania nacional e da defesa dos direitos humanos. A retomada da agenda LGBTQIA+, a reconstrução de espaços de diálogo e participação e a realização da 4ª Conferência Nacional expressam esse novo tempo político construído pela resistência popular e pela luta organizada.

A luta LGBTQIA+ se fortalece como parte da luta da classe trabalhadora e dos povos por emancipação humana. Conquistas históricas foram arrancadas pela organização coletiva e pela coragem de quem ocupou ruas, sindicatos, escolas, universidades e territórios para afirmar o direito de existir, trabalhar, amar e ser feliz. O reconhecimento de direitos, o enfrentamento à discriminação, a ampliação da participação social e a retomada das políticas públicas expressam acúmulos produzidos pela resistência popular e democrática.

Nesta quadra política, os desafios permanecem profundos. A violência contra pessoas LGBTQIA+, especialmente travestis, mulheres trans, lésbicas e juventudes negras periféricas, segue revelando a urgência de um Estado comprometido com proteção social, cidadania e democracia. Os debates da 4ª Conferência Nacional reafirmam bandeiras fundamentais: enfrentamento à violência LGBTQIA+, trabalho digno e geração de renda, fortalecimento da participação popular, construção da Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ e políticas atravessadas pela realidade concreta dos territórios e das múltiplas identidades que compõem o povo brasileiro.

A educação em direitos humanos ocupa lugar estratégico neste horizonte. Educar para a igualdade, para o respeito às diferenças, para a superação do racismo, do machismo, do capacitismo e da LGBTfobia constitui tarefa política e civilizatória. Escolas, sindicatos, universidades e espaços formativos carregam potência para produzir consciência crítica, solidariedade e compromisso democrático, fortalecendo valores que afirmem a vida e a diversidade como patrimônio coletivo.

Defender democracia também significa defender trabalho digno e tempo de vida. O fim da escala 6×1 emerge como pauta civilizatória da classe trabalhadora e dialoga profundamente com a realidade das mulheres, das juventudes e da população LGBTQIA+, frequentemente submetidas às formas mais precarizadas de exploração do trabalho. A proposta de Lei da deputada federal Daiana Santos (PCdoB/RS), pela escala 5×2 sem redução de salário, afirma que a riqueza produzida pelo trabalho deve significar qualidade de vida, convivência, cultura e participação política.

Classe, gênero, raça e diversidade sexual caminham entrelaçadas nas disputas em torno dos projetos de sociedade. O momento atual carrega grande responsabilidade histórica. Em 2026, a tarefa estratégica do campo democrático e popular é manter e aprofundar a democracia, consolidar direitos conquistados, ampliar políticas públicas e impedir qualquer retorno autoritário. Democracia, soberania nacional e justiça social caminham juntas.

Nesta encruzilhada histórica, fortalecer o projeto democrático e popular, reeleger Lula, eleger no Congresso Nacional deputados e deputadas federais do campo progressista, Senadores e Senadoras, governadores e governadoras comprometidos(as) com o povo brasileiro, com a soberania nacional e com as pautas civilizatórias, significa afirmar um país plural, democrático e comprometido com a vida. Sem nenhum passo atrás.

A rua convoca porque a luta segue viva; a urna confirma porque democracia e soberania também se constroem nas disputas do presente e nas escolhas coletivas do povo brasileiro. A história ensina que direitos florescem quando o povo se organiza.

Chamamos todas, todes e todos às ruas, aos sindicatos, aos movimentos sociais e aos territórios de luta. É tempo de ampliar a unidade, fortalecer a consciência de classe e afirmar que democracia, soberania nacional, direitos LGBTQIA+ e justiça social caminham junto da luta por um Brasil onde existir, trabalhar, amar e ser feliz seja direito de todas as pessoas.

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