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A semana no mundo: conflitos na América do Norte, a festa (e violência) pós-Copa e novos líderes no Reino Unido e em Gaza


A semana foi marcada por eventos de grande impacto, começando pela crise ambiental transfronteiriça entre Estados Unidos e Canadá, provocada pela fumaça de incêndios florestais. No âmbito geopolítico, o cenário internacional acompanhou a reestruturação da liderança do Hamas com a escolha de Khalil al-Hayya e o início de uma nova gestão no Reino Unido sob o comando do primeiro-ministro Andy Burnham. Paralelamente, o desfecho da Copa do Mundo de 2026, com a vitória da Espanha sobre a Argentina, foi ofuscado por tragédias e distúrbios, incluindo o acidente fatal durante as celebrações espanholas e confrontos violentos entre torcedores e autoridades em Buenos Aires.

Fumaça de incêndios cruza a fronteira entre EUA e Canadá nos dois sentidos em meio à ameaças de tarifas de Trump

Foto: Bloxzge 025/Wickcommons

Depois de dias em que a fumaça densa de incêndios florestais no norte sufocou grandes cidades do norte dos Estados Unidos e levou Donald Trump a ameaçar o Canadá com tarifas, o fenômeno agora se dá também no sentido inverso: autoridades canadenses passaram a emitir alertas sobre a qualidade do ar provocados por incêndios nos Estados Unidos. 

Em comunicado divulgado no sábado à noite, 18, a província da Colúmbia Britânica advertiu que a fumaça de fogos estadunidenses, impulsionada por milhares de raios no nordeste, avançava para o norte e criava condições de ar poluído. “Grande parte dessa fumaça tem origem em incêndios ao sul da fronteira Canadá-EUA, em Washington e Oregon”, informou o serviço provincial de combate a incêndios. Segundo o Northwest Interagency Coordination Center, 22 grandes focos de incêndio queimam em ambos os estados estadunidenses, e a Colúmbia Britânica mantém alertas para as regiões de Kootenay Lake e Cranbrook, na fronteira sudeste.

Apesar de enfrentarem seus próprios incêndios, Trump e correligionários republicanos escolheram acusar o Canadá de má gestão do fogo e ameaçaram impor sanções a autoridades canadenses. Em publicação nas redes sociais na sexta-feira, 17, o presidente afirmou que os EUA haviam sido “invadidos” por ar sujo e declarou que “o custo dessa poluição deve necessariamente ser somado às tarifas que o Canadá já está pagando” — em meio a uma gestão que desmontou diversas proteções climáticas. Segundo o governo canadense, havia até segunda-feira, 20, 843 incêndios ativos no país, dos quais 181 foram considerados “fora de controle”.

O primeiro-ministro Mark Carney, que assistiu à final da Copa do Mundo no domingo ao lado de Trump — ocasião em que o estadunidense voltou a sugerir tarifas contra o Canadá —, esquivou-se das críticas: “Combater as mudanças climáticas é responsabilidade de todos os países, inclusive dos Estados Unidos”, disse na semana passada. 

Já Doug Ford, premiê de Ontário, onde muitos focos queimam, reagiu: “Se há políticos por aí reclamando, talvez o que devessem fazer, em vez de reclamar, seja enviar apoio, enviar ajuda, porque fizemos exatamente o mesmo pelos nossos amigos”. 

Eleanor Olszewski, ministra canadense de Preparação para Emergências, destacou ao jornal The Guardian que o país investiu C$ 12 bilhões (cerca de £ 6,36 bilhões) em prevenção de incêndios e sustentabilidade florestal nos últimos cinco anos: “Este é um desafio que não conhece fronteiras.”

(Informações do The Guardian)

Hamas escolhe Khalil al-Hayya, veterano pragmático e negociador do cessar-fogo, como novo líder

Foto: Hamenei.ir/Wickcommons

O Hamas anunciou nesta segunda-feira (20) a escolha de Khalil al-Hayya como seu novo chefe, preferindo-o ao histórico dirigente Khaled Meshaal. Um dos fundadores do movimento islamista palestino, Hayya foi “eleito por ampla maioria”, segundo um alto funcionário da organização, e deve assumir formalmente o cargo na próxima semana. A escolha, conduzida por “um mecanismo altamente complexo e secreto” em razão da difícil situação de segurança e do assassinato de vários líderes políticos e militares pelas forças israelenses, dá continuidade à reestruturação do grupo após a morte de Yahya Sinwar — apontado por Israel como um dos principais arquitetos dos ataques de 7 de outubro de 2023 —, pelas forças israelenses em Gaza. Desde então, o Hamas é dirigido por um conselho de cinco membros, liderado por Mohammed Darwish, que deve ser dissolvido; o birô político se reunirá em Istambul nos próximos dias para reorganizar as estruturas de comando.

Durante meses, Hayya liderou negociações indiretas de cessar-fogo com Israel, na tentativa de encerrar a guerra em Gaza. Visto como moderado e ex-integrante da Irmandade Muçulmana, é descrito por aliados como pragmático e conservador — “não se deixa levar facilmente e é respeitado por todos os membros do birô político e pelos comandantes militares”, afirmou um dirigente próximo à AFP. Instalado entre o Catar e a Turquia, ele comandará o movimento, inclusive em Gaza, onde o Hamas ainda controla amplas áreas do território com um aparato de segurança de milhares de combatentes. Hayya mantém boas relações com o Hezbollah libanês, com países árabes como Catar, Egito e Argélia, e também com o Irã, principal financiador e apoiador militar do grupo.

Origens de Khalil al-Hayya

Nascido em uma família religiosa e conservadora de Gaza, Hayya estudou na Universidade Islâmica do território, fez mestrado na Jordânia e doutorado em direito islâmico no Sudão. Sua trajetória é marcada pela violência do conflito: passou três anos em prisões israelenses no fim da década de 1990 e sobreviveu a diversas tentativas de assassinato — em 2007, 2014 e, em setembro de 2025, ao ataque israelense em Doha que matou várias pessoas, entre elas um de seus filhos e seu chefe de gabinete. 

Em 2007, uma ação militar israelense contra sua casa, no norte da Faixa de Gaza, matou sua esposa e três de seus filhos. Defensor da importância da luta armada, Hayya chefiou em 2006 o bloco parlamentar do Hamas, recém-vitorioso nas eleições — período que marcou o início da cisão entre o movimento e o Fatah, partido do presidente palestino Mahmud Abbas.

Andy Burnham assume como novo premiê britânico e promete plano de 10 anos para estabilizar o Reino Unido

Foto: Reprodução

O Reino Unido entrou em uma “nova era” nesta segunda-feira, 20, com a posse de Andy Burnham como primeiro-ministro, sucedendo Keir Starmer. Empossado pelo rei Charles III, Burnham é o sétimo premiê britânico em uma década e usou seu primeiro discurso em frente ao número 10 de Downing Street para prometer estabilidade política após anos de turbulência, além de reforçar o apoio à Ucrânia e enfrentar a crise do custo de vida. Ele anunciou um plano de dez anos para reconstruir o país, que classificou como um “disjuntor” para décadas de declínio econômico e político, e adiantou que sua primeira ordem de governo será encerrar a situação de pessoas dormindo nas ruas, respaldada por um plano de 340 milhões de libras (cerca de 400 milhões de euros) voltado à prevenção, ao abrigo emergencial e à moradia de longo prazo.

Na política externa, Burnham buscou tranquilizar os aliados, garantindo que a troca de comando não representa uma guinada em relação à gestão anterior. Afirmou que o apoio britânico a Kiev seguirá “firme” e “resoluto”, relatando uma conversa com o presidente Vlodomir Zelensky: “não há mudança. Estarei com ele 100%” e disse esperar uma conversa telefônica com o presidente estadunidense, Donald Trump, em breve. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, parabenizou o novo premiê e manifestou esperança de aprofundar os laços entre o Reino Unido e a União Europeia, cujas negociações de cooperação haviam sido suspensas com a renúncia de Starmer. 

Quem é Andy Burnham

Aos 56 anos, Burnham chega ao poder após nove anos como prefeito da Grande Manchester, região que se transformou em um dos polos mais dinâmicos do país sob sua gestão. Nascido em Merseyside e criado no vilarejo de Culcheth, em Cheshire, disse ter se interessado por política ainda jovem, ao assistir, com os pais, à série “Boys From The Blackstuff” (1982), sobre desempregados em Liverpool na era Thatcher. Torcedor do Everton, formou-se em Letras pela Universidade de Cambridge e começou a carreira no jornalismo antes de migrar para a política, tornando-se deputado por Leigh em 2001 — cargo que ocupou até 2017, passando por pastas como a da Saúde. Em junho, venceu a eleição suplementar de Makerfield com 55% dos votos, derrotando candidatos do Reform UK de Nigel Farage, e advertiu o Partido Trabalhista de que tinha “uma última chance de mudar”.

Críticos, porém, apontam Burnham como um “clássico insider de Westminster que tenta se apresentar como outsider”, citando suas posições oscilantes sobre o Brexit. Embora tenha defendido o retorno do país ao bloco no passado, ele afirmou que, apesar de considerar o Brexit “prejudicial”, este não é o momento de reabrir o debate. Em vez disso, prometeu apoiar empresas e indústrias britânicas e pôr fim à “economia do gotejamento”, afirmando ser um parlamentar “de todos, independentemente de como votaram”.

(Informações do Euronews)

Show de Madonna e título da Espanha marcam final da Copa, mas festa termina em tragédia e violência

Foto: Reprodução/Instagram Madonna

A final da Copa do Mundo de 2026, disputada no MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey), reuniu Espanha e Argentina em uma decisão que ficou marcada dentro e fora de campo. O grande espetáculo do intervalo ficou por conta de um show de Madonna — nos moldes das apresentações do Super Bowl —, que contou com as participações especiais dos brasileiros Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo. Outros artistas também se apresentaram e o intervalo do jogo durou quase 30 minutos.

Em campo, a Espanha superou a Argentina, atual campeã, por 1 a 0, com gol do atacante Ferran Torres na prorrogação (aos 106 minutos), conquistando seu segundo título mundial — o primeiro desde 2010 — e encerrando o sonho argentino do bicampeonato consecutivo. A partida foi tensa: Enzo Fernández foi expulso ainda no tempo normal, deixando a Argentina com um jogador a menos na prorrogação, e o apito final foi seguido de confusão, com Leandro Paredes também expulso e cenas de empurrões e socos entre os jogadores.

Fora dos gramados, porém, a festa deu lugar à tragédia e à violência. Na Espanha, a comemoração terminou em luto em Ciudad Rodrigo (Salamanca): um adolescente de 13 anos morreu e outras três pessoas ficaram gravemente feridas quando a parte superior da fonte do Árbol Gordo — um dos principais pontos de encontro dos torcedores — desabou sobre quem havia subido na estrutura. O Centro de Emergências 112 de Castela e Leão recebeu o primeiro alerta às 0h33, mobilizando a polícia local, a Guarda Civil, os bombeiros e os serviços médicos de emergência. A área foi isolada e as circunstâncias do acidente seguem sob investigação, com apoio psicológico acionado para a família do menino.

Na Argentina, a derrota transformou a madrugada de domingo, 19, em um cenário de confronto em Buenos Aires. Milhares de torcedores se reuniram em torno do Obelisco, ponto tradicional de celebrações, mas, por volta das 23h45, um grupo tentou romper a barreira de policiais que cercava o monumento. Torcedores passaram a atirar pedras e garrafas contra os policiais, que responderam com balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão. Ao menos 15 pessoas foram presas e dezenas ficaram feridas; imagens que circularam nas redes sociais mostraram um policial chutando um torcedor caído no chão. Apesar da derrota e do tumulto, o presidente Javier Milei anunciou um feriado nacional em homenagem à seleção, cuja data ainda será definida.

(Com informações do Euronews e The Telegraph)