Em semana marcada por demonstrações de força em Teerã, interferência política na Fifa, revolta ambiental na Albânia e novas tensões diplomáticas, o cenário internacional expõe disputas de poder em diferentes frentes
A semana no mundo foi macada por eventos que misturam guerra, política, esporte, diplomacia e disputas territoriais. Em Teerã, multidões acompanharam o funeral de Estado do aiatolá Ali Khamenei, morto durante a guerra com Estados Unidos e Israel, enquanto o regime iraniano tenta transformar as exéquias em demonstração de unidade e resiliência.
Nos Estados Unidos, Donald Trump voltou ao centro de uma controvérsia internacional, desta vez no futebol, após pressionar a Fifa pela reversão da suspensão do atacante Folarin Balogun antes do confronto entre EUA e Bélgica na Copa. Na Albânia, outro braço da família Trump virou alvo de protestos: um projeto turístico de luxo associado a Ivanka Trump e Jared Kushner provocou a chamada “Revolução dos Flamingos Cor-de-Rosa”.
Também marcaram a semana a reação chinesa a acusações de treinamento de tropas russas em seu território e a denúncia da Nigéria sobre a morte de dois cidadãos em meio à violência xenófoba na África do Sul. Em comum, os episódios mostram como conflitos internos e externos se conectam a disputas por influência, território, narrativa e poder.
Multidões tomam Teerã em funeral de Estado do aiatolá Khamenei, morto em guerra com EUA e Israel
O cortejo fúnebre do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, começou a percorrer as ruas de Teerã na manhã de segunda-feira, 6, segundo a televisão estatal, no terceiro dia de um funeral de Estado concebido pelo governo iraniano como demonstração de força e unidade. Khamenei, que governou a República Islâmica por mais de três décadas e meia, foi morto em 28 de junho, no primeiro dia dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel, junto com quatro familiares.
Após dois dias em que o corpo repousou no complexo religioso da Grande Mosalla, o cortejo seguiu em procissão acompanhado por multidões. Em meio a apelos por vingança, manifestantes reunidos na Praça Imam Hussein simularam o enforcamento do presidente dos EUA, Donald Trump.
As autoridades tentam evitar a repetição do caos de 1989, quando o funeral do antecessor de Khamenei, aiatolá Ruhollah Khomeini, reuniu cerca de 10 milhões de pessoas e terminou com mortos e milhares de feridos em tumultos. Desta vez, muros de concreto separaram o público do caixão para prevenir esmagamentos. O cortejo será seguido de cerimônias em Qom e nas cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala, culminando no sepultamento em Mashhad, cidade natal de Khamenei, na quinta-feira.
As exéquias também servem para o regime demonstrar a resiliência do povo iraniano e apoio ao sistema. O grande foco, porém, recai sobre o sucessor: seu filho, Mojtaba Khamenei, nomeado líder supremo logo após a morte do pai, mas que ainda não apareceu publicamente. A ausência estaria ligada ao fato de ele ter sido ferido nos ataques. A gravidade dos ferimentos é desconhecida. Mesmo com o cessar-fogo em vigor, tanto Washington quanto Teerã continuam a afirmar que estão prontos para retomar a ação militar.
Fonte: France 24
Trump pressiona Fifa e suspensão de Balogun é revertida antes de EUA x Bélgica na Copa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Fifa para derrubar a suspensão de um jogo do atacante norte-americano Folarin Balogun, expulso na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina. Segundo o The Guardian, Trump fez três ligações à entidade a partir de quarta-feira, antecedendo o anúncio de que o jogador estaria disponível para o confronto das oitavas de final contra a Bélgica, em Seattle, na noite de segunda-feira. “Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, escreveu o presidente em sua rede Truth Social.
O comitê disciplinar da Fifa justificou a decisão com base no artigo 27 do código disciplinar, que permite suspender cartões vermelhos desde que não estejam relacionados a manipulação de resultados. Balogun ficará em período probatório de um ano. O cartão permanece tecnicamente em sua ficha, e a suspensão será cumprida caso ele cometa nova infração de natureza e gravidade semelhantes.
O mesmo dispositivo já havia sido usado para liberar Cristiano Ronaldo no início da Copa de Portugal. A decisão favorece o país-sede, que tenta chegar às quartas de final pela primeira vez desde 2002. Balogun marcou três gols em três jogos.
A Real Federação Belga de Futebol declarou-se “atônita” com a medida, apontando que a suspensão da punição contraria os estatutos da Fifa, que preveem sanção “automática” de um jogo, e afirmou investigar “todas as opções possíveis”. O técnico Rudi Garcia comparou a decisão a uma piada de primeiro de abril. Já o treinador dos EUA, Mauricio Pochettino, celebrou a reversão, reiterando que a expulsão, por um lance considerado acidental, em que Balogun pisou no tornozelo do zagueiro Tarik Muharemovic, foi “completamente injusta”. Os jogadores estadunidenses souberam da liberação pelas redes sociais, ainda no ônibus a caminho do treino.
Fonte: The Guardian
“Revolução dos Flamingos Cor-de-Rosa”: milhares tomam as ruas de Tirana em protestos contra o governo
Dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Tirana no último sábado, no 35º dia consecutivo de manifestações contra o projeto de construção de um complexo turístico de luxo ligado à família Trump, em uma área protegida de Zvërnec, no sudoeste da Albânia. Foi, segundo estimativas, o maior protesto desde o início do movimento, no fim de maio.
O empreendimento, um hotel de luxo estimado em US$ 4,6 bilhões, ou € 4,02 bilhões, está associado a Ivanka Trump, filha do presidente norte-americano Donald Trump, e a seu marido, Jared Kushner, assessor e negociador do presidente. Os investidores pretendem transformar a ilha desabitada de Sazan, antiga base militar da era comunista, em um destino turístico de alto padrão. O projeto é contestado desde seu anúncio, em 2024.
O que começou como protesto em defesa do meio ambiente transformou-se em movimento de revolta contra o governo. Os manifestantes acusam a gestão de corrupção e falta de transparência e exigem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, que aprovou o projeto.
Sob o lema “A Albânia não está à venda”, manifestantes carregaram flamingos cor-de-rosa gigantes, em referência às aves migratórias que passam pela área protegida. Também levaram um grande bolo de concreto, numa alusão dupla ao aniversário de Rama e ao plano de “concretar” ecossistemas protegidos, e chegaram a derrubar um busto do premiê com uma corda.
Na noite de sábado, um grupo se dirigiu à delegacia onde estavam detidos 19 manifestantes presos em atos anteriores, quebrou janelas e foi contido com gás lacrimogêneo e canhões de água. Em confrontos da semana anterior, 15 policiais ficaram feridos e 25 manifestantes foram detidos.
O Comitê Albanês de Helsinque, ONG que atua na defesa dos direitos humanos, manifestou “preocupação com a escalada” e condenou o uso desproporcional da força, pedindo uma investigação independente. A onda mais recente de protestos eclodiu após o surgimento de cercas de arame farpado e de escavadeiras nas praias locais, no fim de maio.
Fonte: Euronews
China nega treinamento de tropas russas em seu território e chama relatos de “fabricados”
A China negou, nesta segunda-feira, relatos de que o Exército chinês teria treinado soldados russos em seu território. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que as informações são “infundadas e puramente fabricadas para difamar a China”.
A declaração foi dada em coletiva de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre uma reunião entre o embaixador chinês na Alemanha e autoridades do Ministério das Relações Exteriores alemão. Segundo Mao, o embaixador se reuniu recentemente com autoridades alemãs, a pedido delas, ocasião em que ambos os lados trocaram opiniões sobre as relações China-Alemanha e temas de interesse mútuo.
Sobre a crise na Ucrânia, a porta-voz reiterou que a China mantém uma posição “objetiva e imparcial”, comprometida em promover uma solução política e em incentivar negociações de paz “à sua maneira”. Mao acrescentou que a Alemanha “deveria enxergar a posição da China de forma objetiva e racional”.
Fonte: Global Times
Nigéria diz que dois de seus cidadãos foram mortos em violência xenófoba na África do Sul
A Nigéria afirmou, no domingo, que dois de seus cidadãos foram mortos na África do Sul no mês passado, em meio à violência xenófoba dirigida contra pessoas de outros países do continente. Segundo comunicado, eles morreram em 28 de junho, no período que antecedeu um prazo não oficial estabelecido por grupos anti-imigração de indocumentados para que estrangeiros deixassem o país até o fim do mês.
Abuja afirmou que um dos homens teria sido morto por policiais em Pretória e o outro por atacantes não identificados na província de Mpumalanga. A polícia sul-africana ainda não se manifestou. Manifestantes contrários à imigração de indocumentados culpam estrangeiros pelos altos índices de desemprego, pela criminalidade e pela pressão sobre os serviços públicos.
A violência em manifestações recentes e os ataques a africanos levaram países como Nigéria, Gana e Zimbábue a repatriar milhares de cidadãos. Em nota publicada no X, o Ministério das Relações Exteriores da Nigéria condenou as mortes e advertiu que tomará medidas não especificadas caso os ataques continuem. Também pediu à África do Sul que investigue rapidamente os casos, incluindo outras alegações de execuções extrajudiciais de nigerianos.
Fonte: Africanews