
Após mais de 25 anos, o acordo entre Mercosul e a União Europeia (UE) foi assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. O presidente Lula não esteve na cerimônia por questões de agenda. Em seu lugar esteve o chanceler Mauro Vieira.
Na sexta-feira (16), Lula recebeu a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e reafirmou o acordo como vitória do multilateralismo. Já na cerimônia de assinatura, o presidente do Paraguai e do Mercosul, Santiago Peña, destacou a importância do presidente Lula para a finalização do tratado, negociado principalmente no último ano durante a liderança brasileira do grupo sul-americano.
“Sem o presidente Lula, talvez não tivéssemos chegado a este dia. Ele foi um dos responsáveis fundamentais deste processo”, disse Peña.
Apesar do avanço, o acordo é visto com ressalvas pela indústria nacional — embora represente um importante negócio para os produtos do agronegócio, que ganharão mercado no bloco europeu. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), existem riscos para setores industriais e os empregos na área.
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O entendimento é de que o mercado brasileiro não está preparado para enfrentar os produtos europeus e precisará de políticas setoriais para não perder espaço. Apesar disso, o instituto descarta um colapso industrial. Para o presidente executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, a concorrência será desafiadora para a indústria de transformação nacional, que tem um custo maior e é menos avançada.
Já analistas como Paulo Nogueira Batista Jr. e Manoel Casado são mais críticos. Para eles, o acordo coloca o Brasil e os outros países do Mercosul mais próximos de uma neocolonização do que uma neoindustrialização.
Assinatura
Durante o ato de assinatura, autoridades sul-americanas e europeias comemoraram o acordo, costurado em mais de duas décadas, em tom de salvaguarda do multilateralismo em tempos de ameaças à governança global, principalmente vindas dos Estados Unidos.
Também estiveram presentes o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além dos presidentes de Uruguai e Argentina, Yamandú Orsi e Javier Milei, respectivamente.
Na sua fala, Ursula von der Leyen destacou que os blocos optaram por “comércio justo em vez de tarifas” e “parcerias de longo prazo em vez de isolamento”.
Já Peña disse que o ato é histórico, uma vez que envolve 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões entre os blocos: “um dia verdadeiramente histórico […] unir dois dos mais importantes mercados globais, o que demonstra que o caminho do diálogo, da cooperação e da fraternidade é o único caminho”, salientou.
Apesar de assinado, o acordo precisará ser ratificado pelos países dos dois blocos envolvidos, podendo enfrentar desgaste por parte de alguns países neste processo, como na França, principal opositora à negociação.
Em publicação nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, reforçou que “a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o comércio entre Brasil e UE alcançou US$ 100 bilhões, equivalente a 16% do nosso comércio exterior.”
Além disso, para o Brasil, os acordos do “Mercosul com a União Europeia, Singapura e a EFTA devem impulsionar o PIB em R$ 67,6 bilhões, aumentar os investimentos em R$ 25,3 bilhões e reduzir os preços ao consumidor brasileiro.”
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