
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (15), o vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado oficialmente neste sábado (18) no Paraguai, sob a presidência pro tempore do bloco sul-americano. “É o maior acordo entre blocos do mundo”, afirmou Alckmin, destacando que o tratado integrará 720 milhões de pessoas e economias com PIB combinado de US$ 22 trilhões.
Segundo ele, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a liderança do presidente Lula foi decisiva para superar entraves históricos após 25 anos de negociações. O texto já foi aprovado por 21 dos 27 países da UE, com apenas cinco votos contrários e uma abstenção (Bélgica). A expectativa é que o Parlamento Europeu e o Congresso brasileiro ratifiquem o acordo ainda no primeiro semestre de 2026, com vigência plena no segundo semestre.
Segundo Alckmin, o acordo estabelece livre comércio com regras claras, amplia mercados e beneficia diretamente a sociedade. “Vamos vender mais para eles, com tarifa zero, e também comprar mais. Ganha o consumidor, que terá produtos mais baratos e de melhor qualidade, e ganha a economia com mais emprego”, afirmou.
Emprego, indústria e fortalecimento do agro
Para o vice-presidente, o impacto econômico será amplo. Ele destacou que o comércio exterior é decisivo para a geração de empregos e para a sobrevivência de setores industriais estratégicos. “Há empresas que, se não exportarem, fecham. A Embraer só é a terceira maior fabricante de aviões do mundo porque exporta para os cinco continentes”, exemplificou.
Alckmin ressaltou que o acordo fortalece o agronegócio brasileiro, que passa a ter acesso ampliado a 27 países europeus, e impulsiona também a indústria e o setor de serviços. “O agro ganha um mercado enorme e a indústria amplia exportações para o segundo maior destino dos manufaturados brasileiros, que é a União Europeia”, disse.
Exportações batem recorde mesmo com tarifas dos EUA
Alckmin ressaltou que, apesar do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, o Brasil atingiu em 2025 um recorde histórico de exportações: US$ 348,7 bilhões. “Conseguimos esse feito justamente porque abrimos mais de 500 novos mercados desde 2023”, explicou. Ele lembrou que os EUA são o terceiro parceiro comercial do Brasil — atrás de China e UE — e que o governo tem trabalhado para reduzir progressivamente as tarifas adicionais, já tendo retirado produtos como carne, café e suco de laranja da lista.
“Hoje, apenas 19% dos produtos brasileiros estão sujeitos à sobretaxa de 10% + 40%. Estamos negociando para zerar isso”, disse, reforçando que o objetivo é um “ganha-ganha” com Washington.
Reforma tributária entra em fase de testes e promete impulsionar exportações
O vice-presidente destacou que 2026 é o ano de testes da reforma tributária, que substituirá cinco impostos sobre consumo (IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS) por um IVA dual. “É uma reforma aguardada há 40 anos”, afirmou. Segundo estudos do Ipea citados por Alckmin, a medida pode elevar as exportações em 17%, os investimentos em 14% e o PIB em 12% nos próximos 15 anos.
Ele também mencionou a reforma do Imposto de Renda, que isenta quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz alíquotas para a faixa de R$ 5 mil a R$ 7.350, com compensação fiscal via aumento de tributação sobre altas rendas. “É justiça tributária”, resumiu.
Move Brasil renova frota com juros pela metade
Na área de logística, Alckmin anunciou que o programa Move Brasil está oferecendo financiamento para caminhões novos e seminovos com juros entre 13% e 14% ao ano — menos da metade das taxas anteriores. “Um caminhão Euro 6 polui 40 vezes menos que um modelo com mais de 20 anos”, destacou, vinculando a renovação da frota a ganhos ambientais, de segurança e produtividade.
Ele também defendeu a expansão dos modais ferroviário e hidroviário, citando projetos estratégicos como a Ferrogrão — que ligará o Mato Grosso ao porto de Miritituba (PA) — e a dragagem do Pedral do Lourenço, obstáculo na hidrovia Tocantins-Araguaia. “Precisamos tirar carga das rodovias e baratear o custo Brasil”, afirmou.
Sustentabilidade e soberania mineral no centro da nova indústria
Alckmin vinculou o acordo com a UE aos compromissos climáticos do Brasil, como a meta de reduzir emissões de gases de efeito estufa em 59% a 67% até 2035. Ele citou o TFFF (Tropical Forests Fund), lançado na COP29, como exemplo de governança ambiental reconhecida globalmente.
O vice-presidente afirmou ainda que o tratado deve estimular investimentos recíprocos. “Mais europeus vão investir no Brasil e nós também vamos investir na Europa”, declarou. Segundo ele, o acordo está alinhado aos compromissos ambientais assumidos pelo país, incluindo a redução das emissões de gases de efeito estufa e a preservação da Amazônia.
Alckmin lembrou que o Brasil apresentou metas ambiciosas de descarbonização nas conferências climáticas e destacou o lançamento do fundo internacional para proteção de florestas tropicais. “É uma mensagem clara de que desenvolvimento econômico e sustentabilidade caminham juntos”, afirmou.
Sobre minérios estratégicos, elogiou o potencial de Minas Gerais em nióbio e lítio — essenciais para baterias e tecnologia verde — e defendeu investimentos em geologia para mapear reservas. “O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo”, lembrou.
Multilateralismo em tempos de instabilidade
Em um cenário global marcado por guerras, protecionismo e tensões geopolíticas, Alckmin disse que o acordo tem significado político que vai além do comércio. “Mostra que é possível, pelo diálogo e pela negociação, fortalecer o multilateralismo e aproximar os povos. O comércio aproxima culturas e promove a paz”, avaliou.
Ele também destacou o papel da liderança do presidente Lula na retomada e conclusão das negociações. Após a assinatura, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso Nacional para entrar em vigor, o que o governo espera que ocorra ainda em 2026.
Encerrando a entrevista, Alckmin reforçou a visão de um Brasil que “promove paz, multilateralismo e desenvolvimento sustentável”. “Enquanto outros constroem muros, nós construímos pontes”, concluiu.
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