
Em um embate que resume o fosso entre modernidade trabalhista e conservadorismo empresarial, o vice-presidente Geraldo Alckmin rebateu Paulo Skaf, presidente da Fiesp, defendendo o fim da escala 6×1 ainda em 2026 como “tendência mundial” impulsionada por automação e IA.
A divergência pública ocorreu na sede da Fiesp, em São Paulo, durante assinatura de protocolos com o MDIC na segunda-feira (23). Skaf pediu adiamento para 2027, alegando “ano eleitoral” e “emoções conflituosas com interesses do país”. Alckmin, alinhado com a economia contemporânea dos países desenvolvidos, enfatizou que “a redução da jornada de trabalho é uma ‘tendência mundial’ […] mecanização, automação e uso de inteligência artificial”. Skaf, conservador, contrapôs: “A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Ano eleitoral, as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se conflituam com os interesses do país”, disse se referindo à PEC 8/2025 que está na CCJ da Câmara desde fevereiro e avança, apesar do alarmismo empresarial. O relator deve ser indicado até março. Após, segue para comissão especial (40 sessões). Governo Lula prioriza a urgência da votação da PEC. Oposição pressiona Hugo Motta para travar.
Oposição bolsonarista é procurada por instituto empresarial
Também na segunda-feira (23), os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e União Brasil, Antônio Rueda, prometeram barrar a PEC na CCJ durante evento no Esfera Brasil, think tank de empresários, que ocorreu no restaurante Varanda Faria Lima (SP). Valdemar chamou a proposta de “uma bomba para o país” e jurou: “Vamos trabalhar para não deixarmos votar. Vamos trabalhar para isso, dar a vida para isso”, dizendo que irá procurar Hugo Motta.
Rueda reforçou a articulação de centro-direita contra o avanço. O Esfera, financiado por setores privados, promove “pluralidade”, mas abriga representantes oriundos do comércio e dos supermercados.
CTB prioriza fim da 6×1 e intensifica mobilizações
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), declarou que “o fim da desumana escala 6×1 […] é uma batalha prioritária da CTB, centrais sindicais e movimentos sociais”. Ele alerta: “Não é prudente subestimar o poder do empresariado, que financia campanhas e domina o Congresso. Uma ampla mobilização da classe trabalhadora é fundamental”.
Estudo CESIT/Unicamp desmonta alarmismo patronal
Projeções de “caos” – R$ 2,9 tri de perda (FIEMG), 18 mi de empregos – repetem erros contra o 13º e o salário mínimo (2004), que geraram crescimento. Os estudos dos empresários desconsideram que os custos do trabalho caíram 3,6% (2012-2019). Além disso, o impacto nos preços deverá ser pontual e de 1-1,5%, facilmente absorvível por lucros bilionários. A jornada brasileira de 1.936h/ano é alta e a quarta da OCDE, apesar da produtividade mais baixa. A previsão do estudo da CESIT/Unicamp é a de que o fim da 6×1 distribui ganhos tecnológicos e reduz o absenteísmo por doenças.
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