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Alta nas exonerações e aposentadorias reduz efetivo e acende alerta na Polícia Civil do RS

No primeiro semestre de 2025, 29 servidores da Polícia Civil do Rio Grande do Sul pediram exoneração. Somado às 94 aposentadorias registradas no mesmo período, o número acende um alerta sobre a defasagem no quadro funcional da instituição. A UGEIRM, sindicato que representa os agentes da Polícia Civil gaúcha, aponta que o problema é uma consequência das perdas salariais acumuladas pela categoria.

O levantamento realizado pelo sindicato mostra que as exonerações vêm crescendo desde 2020 e mantêm-se em patamar considerado elevado. Naquele ano, foram 16 exonerações. Em 2021, o número subiu para 24. Em 2022, foram registradas 43 exonerações; em 2023, 64; e em 2024, 53.

O cenário se agrava ainda mais quando somado ao volume de aposentadorias. Apenas nos primeiros seis meses de 2025, 94 policiais civis se aposentaram, totalizando 123 servidores que deixaram a ativa até o momento. Para comparação, ao longo de todo o ano de 2024, foram 103 aposentadorias, resultando em 156 saídas ao todo.

Desde o início de 2024, o total de desligamentos chega a 279 policiais civis. Segundo a UGEIRM, esse número se aproxima do total de formandos da última turma da Academia da Polícia Civil (Acadepol), apontando que a reposição de efetivo não acompanha as perdas acumuladas no mesmo período.

Para o vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, os números são extremamente preocupantes. “É uma situação que está nessa tendência já há um bom tempo e tem se acentuado agora, e em uma categoria que já tem um efetivo bastante reduzido. Isso impacta diretamente nas condições de trabalho e na própria saúde de quem permanece”, afirma.

Entre os principais motivos para os desligamentos, o sindicato destaca a defasagem salarial. “Uma das principais queixas dos policiais é a questão salarial. Em primeiro lugar, para os novos policiais”, afirma Castro. “O salário inicial na Polícia Civil é muito baixo. Porque as perdas, elas são essencialmente na primeira e segunda classe, que é o início da carreira.”

“A nossa carreira já foi bem mais atrativa, a gente costumava receber pessoas de outros estados para trabalhar aqui. E agora o que está acontecendo? O nosso pessoal está fazendo concurso para trabalhar em Brasília, no Paraná, outros lugares, em que o salário é melhor”, relata.

Castro aponta que as exonerações geram um ciclo vicioso na estrutura interna da Polícia Civil gaúcha: a saída de servidores, especialmente os que estão no início da carreira, reduz o efetivo disponível, o que leva à sobrecarga de trabalho e ao acúmulo de funções. Esse cenário, por sua vez, intensifica os motivos que levam outros policiais a pedirem exoneração ou, no caso dos mais experientes, a optarem pela aposentadoria.

Na avaliação da UGEIRM, é necessária a elaboração de uma nova política salarial consistente, que recupere as perdas da categoria e deixe a profissão atrativa novamente. “O governo diz: “Estamos anunciando um novo concurso”, mas não basta anunciar um novo concurso. Tem que manter essas pessoas na carreira”, pontua Castro.

Questionada pelo Sul21, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul não retornou até a publicação da reportagem.

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