
A Amazon anunciou nesta quarta-feira (28) a demissão de cerca de 16 mil funcionários em todo o mundo, aprofundando a maior reestruturação corporativa de sua história recente. A nova rodada de cortes se soma às 14 mil demissões realizadas em outubro de 2025, totalizando aproximadamente 30 mil desligamentos em apenas três meses ou 2% do quadro total ou 9% do quadro geral de funcionários administrativos da empresa. De acordo com um PitchBook (Memorando de Informações Confidenciais) a Amazon tem uma força de trabalho total de mais de 1,5 milhão de funcionários.
O anúncio foi feito por Beth Galetti, vice-presidente de experiência de pessoas e tecnologia da companhia, em comunicado publicado no site oficial da empresa.
O volume supera as 27 mil demissões realizadas entre o fim de 2022 e o início de 2023, até então o maior ajuste da empresa.
Áreas atingidas e ruído interno
Segundo informações da agência Reuters, os cortes atingem principalmente áreas corporativas como Amazon Web Services (AWS), varejo, Prime Video e recursos humanos. Antes do anúncio oficial, um erro interno aumentou a tensão entre os funcionários: um e-mail que mencionava o plano de demissões — chamado internamente de “Project Dawn” — foi enviado por engano a equipes da AWS e depois rapidamente cancelado.
Além dos cortes, a empresa anunciou o fechamento de suas últimas lojas físicas, como Amazon Fresh e Amazon Go, e confirmou que deixará de usar o sistema de pagamento biométrico Amazon One, baseado na leitura da palma da mão.
Funcionários baseados nos Estados Unidos terão, em geral, 90 dias para buscar recolocação interna. Caso não consigam uma nova posição, receberão pacotes de indenização, serviços de apoio à recolocação profissional e manutenção temporária do plano de saúde.
E o Brasil?
No Brasil, a Amazon informou que não há detalhes adicionais a compartilhar sobre impactos locais. Procurada, a empresa não confirmou se haverá demissões no país. Ainda assim, a notícia acendeu um sinal de alerta entre funcionários administrativos.
O contexto é ambíguo: recentemente, a Amazon Brasil anunciou a contratação de cerca de 13 mil trabalhadores, entre temporários e efetivos, para reforçar a logística. No entanto, essas vagas estão concentradas nos centros de distribuição, enquanto os cortes globais miram sobretudo o quadro corporativo, o que gera apreensão entre equipes de áreas administrativas e de tecnologia no país.
Um ajuste que reflete o setor
Com cerca de 1,58 milhão de funcionários no mundo, a Amazon afirma que os cortes representam aproximadamente 10% de sua força de trabalho corporativa, não incluindo operações de armazém. Ainda assim, o volume supera ajustes anteriores e reflete um movimento mais amplo no setor de tecnologia, marcado pelo fim da expansão acelerada da pandemia e pela reorientação para a IA.
Embora a empresa diga que não pretende transformar demissões em um “novo ritmo”, o recado é claro: em um mercado que muda rapidamente, a estabilidade do emprego nas big techs deixou de ser garantida — inclusive em países onde a expansão logística segue em curso, como o Brasil.
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