Notícias

Apoio de Milei a Flávio aumenta chance de voto em Lula, aponta Quaest

O apoio do presidente argentino Javier Milei à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência produz um efeito eleitoral mais favorável a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que ao próprio senador apoiado pelo argentino.

É o que mostra um recorte da pesquisa Genial/Quaest divulgado nesta segunda-feira (10). Segundo o levantamento, 34% dos brasileiros afirmam que o apoio de Milei aumenta suas chances de votar em Lula. Outros 27% dizem que o endosso os aproxima de Flávio Bolsonaro.

Outros 17% afirmaram que a manifestação do presidente argentino aumenta as chances de votarem em outro candidato, enquanto 16% disseram que o apoio não faz diferença. Seis por cento não souberam ou não responderam.

A Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.

O resultado ganha peso diante da intervenção de Milei na campanha eleitoral brasileira e da escalada de ataques do presidente argentino contra Lula e autoridades do país nas últimas semanas.

Segundo a Quaest, 55% dos entrevistados afirmaram não saber que Milei havia declarado apoio ao candidato do PL. Outros 45% disseram conhecer o posicionamento do presidente argentino.

O desconhecimento chega a 64% no Nordeste e a 58% no Norte e Centro-Oeste. No Sul, metade dos entrevistados afirmou conhecer o apoio, enquanto no Sudeste o percentual é de 49%.

Entre os eleitores que não votaram, anularam ou votaram em branco no segundo turno de 2022, o efeito é diferente: 35% dizem que o apoio de Milei aumenta suas chances de escolher um candidato que não seja Lula nem Flávio. Nesse grupo, 22% afirmam ficar mais propensos a votar no atual presidente e 15%, no senador.

Milei entrou diretamente na campanha brasileira

Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro e passou a atuar publicamente em favor da candidatura do senador. Em junho, os dois se encontraram em Buenos Aires durante uma conferência promovida pela Fundação Aliados de Israel. 

Na ocasião, o argentino manifestou apoio à então pré-candidatura de Flávio e disse esperar que uma “onda azul” chegasse ao Brasil.

O apoio ficou ainda mais explícito em 25 de julho, quando Milei veio a São Paulo para participar da convenção do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. 

Durante o evento, o argentino atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de voltar a manifestar apoio à família Bolsonaro. Milei chamou Jair Bolsonaro de “grande amigo” e afirmou que o Brasil enfrentaria o que classificou como “risco Lula”.

A presença de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção partidária brasileira e os ataques contra autoridades do país elevaram a tensão entre Brasília e Buenos Aires em um nível nunca antes registrado.

Lula respondeu às provocações com ironia. Questionado sobre as declarações de Milei, afirmou: “Eu? Quem que é esse cara?”.

A crise se aprofundou no início de agosto, quando Milei voltou a atacar publicamente o presidente brasileiro, chamando Lula de “ladrão” e “corrupto”.

Diante da sucessão de ataques e da interferência do argentino na disputa eleitoral brasileira, o governo convocou o embaixador Julio Bitelli e posteriormente decidiu rebaixar o nível da representação diplomática em Buenos Aires, que passou a ser conduzida por um encarregado de negócios.

O post Apoio de Milei a Flávio aumenta chance de voto em Lula, aponta Quaest apareceu primeiro em Vermelho.