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Após chegar a 1.719 mortos, Venezuela registra novo tremor de terra nesta segunda (29)

Equipes de resgate continuam trabalhando nos escombros na tentativa de localizar sobreviventes. Foto: RS/Via Fotos Publicas

Por Brasil de Fato | São Paulo

Nesta segunda-feira (29), um novo tremor de magnitude 4,6 foi registrado na Venezuela. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o epicentro ocorreu em Caraballeda, no litoral norte do país, a cerca de 30 quilômetros de Caracas, às 7h no horário local.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge, informou que “nenhum dano foi relatado imediatamente em decorrência do tremor secundário na Venezuela”. Desde os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados na quarta-feira (24), o país voltou a registrar novos abalos. Um tremor de magnitude semelhante ocorreu na sexta-feira (26) e outros de magnitudes 4,2 e 4,5 foram registrados no domingo (28).

As equipes de resgate continuam trabalhando entre os escombros na tentativa de localizar sobreviventes. O governo informou que 33 pessoas foram retiradas com vida no domingo. As operações são realizadas de forma manual em diversos pontos e enfrentam dificuldades provocadas pelo calor e pelo avanço da decomposição dos corpos. 

Segundo boletim divulgado pelo governo venezuelano, o número de mortos aumentou de 1.450 para 1.719, nesta segunda-feira (29). “No boletim de domingo, informamos que o número de mortos chegou a 1.450 pessoas, mulheres e homens que perderam a vida em decorrência do desastre natural mais brutal que nosso país já sofreu”, declarou Rodríguez. O balanço também aponta 5.034 feridos e 15.866 famílias afetadas pelos terremotos.

As autoridades informaram que 774 edifícios sofreram danos ou desabaram. Desse total, 189 foram completamente destruídos e 585 tiveram danos parciais. Também foram atingidos 38 hospitais, 44 centros comerciais e outras 1.645 estruturas. Segundo o governo, 527 pacientes foram transferidos de hospitais de La Guaira para unidades de saúde em Caracas devido à pressão sobre o sistema hospitalar da região.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que até 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos terremotos. O risco de novos danos permanece devido às réplicas registradas desde a última quarta-feira. 

A presidente interina Delcy Rodríguez determinou a continuidade das operações de busca e resgate e afirmou que os trabalhos não serão interrompidos enquanto houver possibilidade de localizar sobreviventes. O governo também informou que os centros de atendimento médico e de recebimento de doações permanecem em funcionamento para atender vítimas e familiares.

O governo venezuelano anunciou ainda a criação de uma comissão responsável por avaliar as condições de moradias e outras estruturas atingidas. Também foi criado um grupo para organizar abrigos temporários destinados às famílias que perderam suas casas e coordenar a reconstrução das áreas afetadas. 

Ajuda humanitária

Diante da tragédia, o Brasil enviou, no domingo (28), um quarto avião com ajuda humanitária para reforçar as operações de resgate no país. A aeronave partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos com 35 bombeiros de São Paulo e Minas Gerais com destino a La Guaira, região mais atingida pelos abalos. Segundo o Itamaraty, dois brasileiros estão entre as vítimas. 

A missão humanitária brasileira começou sábado (27), logo após a chegada à Venezuela. As equipes atuam principalmente no município de Vargas, no estado de La Guaira. De acordo com o governo brasileiro, apesar das dificuldades logísticas da operação, a equipe, coordenada pelo diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun, resgatou pelo menos duas pessoas com vida e trabalhou no resgate de uma criança sob os escombros.

A primeira missão brasileira foi enviada na sexta-feira (26) a partir da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo. A operação contou com 44 profissionais dos Corpos de Bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de integrantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. A aeronave também transportou seis cães farejadores e equipamentos destinados às operações de busca e resgate.

Além do envio do quarto avião com ajuda humanitária, o governo brasileiro transportou 13 brasileiros que estavam na Venezuela e procuraram a Embaixada do Brasil em Caracas após o fechamento do aeroporto comercial da capital. Eles foram levados em uma aeronave da Força Aérea Brasileira que retornava ao Brasil após entregar ajuda humanitária. “O transporte foi feito em aproveitamento da aeronave que levou ajuda humanitária ao país vizinho e teria retornado vazia ao Brasil”, informou o Itamaraty.

A missão brasileira é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. O Brasil já enviou quatro voos de apoio com equipes de busca e resgate, hospital de campanha, purificadores de água, medicamentos e bombeiros militares que atuam principalmente em La Guaira.

Segundo Jorge Rodríguez, cerca de 2.624 socorristas internacionais atuam na Venezuela com apoio de 137 cães de resgate, 49 veículos e 84,8 toneladas de equipamentos, medicamentos e insumos cirúrgicos. Aproximadamente 30 países enviaram equipes para auxiliar nas operações. Delegações da Índia, Costa Rica, Vietnã, Cuba e República Dominicana chegaram ao país para reforçar as buscas. O Paraguai também anunciou o envio de 32 militares especializados em operações de resgate.

Como ajudar?

O Consulado-Geral da Venezuela em São Paulo (SP) iniciou uma campanha para receber doações destinadas exclusivamente às equipes de socorro e aos voluntários que atuam nas áreas atingidas pela emergência no país.

Nesta etapa, estão sendo arrecadados capacetes de proteção, lanternas, luvas de proteção, óculos de proteção, botas de borracha e tendas. O consulado informou que não serão recebidas doações de água, medicamentos, roupas, alimentos ou dinheiro.

As doações podem ser entregues na sede do Consulado da Venezuela, localizada na Rua Teixeira da Silva, 660, no bairro Paraíso, na capital paulista. Informações sobre a campanha podem ser solicitadas pelo e-mail consuladovenezuela.sp.aportes@gmail.com. O consulado também pede apoio na divulgação da iniciativa para ampliar a arrecadação de equipamentos destinados às equipes que atuam nas áreas de emergência.

Editado por: Rafaella Coury

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