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Após tarifaço de Trump, suco de laranja e café têm alta na bolsa dos EUA

O tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros a partir de 1º de agosto pode ter efeito inflacionário naquele país antes da medida entrar em vigor. Os contratos do suco de laranja, por exemplo, registram aumento de 9,48% na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Os analistas de mercado dizem que a valorização se deve ao tarifaço de Trump, pois o Brasil exportou para os EUA, até junho, 41% da sua produção da safra 2024/2025.

À CNN, o diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus), Ibiapaba Netto, diz que a taxação inviabiliza a exportação do suco. 

“Se a gente pegar as cotações do fechamento da Bolsa de Nova Iorque de ontem, o total de imposto que o suco de laranja pagaria para acessar o mercado americano, se implementada essa tarifa, representaria hoje 70% do valor total. Na prática, isso inviabiliza qualquer tipo de operação que não resulte em graves prejuízos para toda a cadeia”, disse Netto.

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Outro produto que tem causado preocupação devido à elevação de preços nos EUA é o café. Isso porque 34% de tudo que é consumido naquele país vem da importação brasileira. Os EUA não cultivam a cultura e nem teriam como substituir a quantidade que importa do Brasil.

Pelo mesmo motivo do suco de laranja, o café teve alta de 2,4% nos contratos de setembro negociados na Bolsa de Nova Iorque a US$ 2,947 por libra-peso.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), ambos países são prejudicados com a promessa de taxação, embora os Estados Unidos levem vantagem nas transações comerciais.

Ao contrário do que alega Trump, nos últimos 15 anos os Estados Unidos mantêm superávit com o Brasil de US$ 256,9 bilhões.

Além de produtos do agro como café em grãos, suco de laranja e carne bovina, o Brasil vende para os EUA aviões da Embraer, produtos manufaturados e semimanufaturados.

Já os EUA vendem ao Brasil componentes para a fabricação de aviões, gás natural liquefeito e petróleo bruto, entre outros produtos.

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) afirmou que o Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica, alicerçada em 200 anos de parceria.

“Os EUA são o 3° principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. O aumento da tarifa para 50% terá impacto significativo na competitividade de cerca de 10 mil empresas que exportam para os Estados Unidos”, diz nota da entidade.

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