Após telefonema ao presidente russo, Vladimir Putin, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou neste sábado (10/10) que, em sua opinião, a Ucrânia precisa de um novo líder “capaz de chegar a um acordo” com a Rússia.
Em conversa com a imprensa, o republicano afirmou que seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, “quer criar problemas para o mundo” e para os agricultores e pecuaristas norte-americanos ao se recusar a interromper os ataques às refinarias russas.
“Então é melhor ele parar agora mesmo. […] E sabe o que eu sugiro? Sugiro que eles encontrem um novo líder que possa fazer um acordo, porque ele poderia ter feito muitos acordos e, por algum motivo, nunca fez”, disse.
Além disso, ele apontou que Zelensky “poderia ter terminado essa guerra muitas vezes”. “Muitas, muitas vezes. E ele optou por não fazê-lo”.
Trump ainda acrescentou que Moscou fornece grande parte do combustível diesel mundial e que Washington já pediu repetidamente a Kiev que não lance tais ataques. “E o que ele faz? Ele ataca as refinarias de diesel. Ele pode fazer o que quiser, mas isso não pode ser feito porque temos um problema global. E o problema se deve à falta de refinarias de diesel. E o que ele faz? Ele ataca as refinarias”, disse.
Os presidentes russo e norte-americano conversaram por telefone na última sexta-feira (09/10). O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Trump pediu que “a maior parte da conversa” fosse dedicada a uma “solução para o conflito na Ucrânia”.
“Durante a conversa, o presidente russo respondeu com compreensão a algumas propostas do lado norte-americano referentes a medidas destinadas à desescalada”, disse Peskov.
Por sua vez, Zelensky afirmou em entrevista à Axios que o anúncio do acordo o pegou de surpresa e descreveu a medida como “injusta e desonesta”.
Segundo o Financial Times (FT), a notícia também surpreendeu a delegação ucraniana que “negociava com representantes norte-americanos em Miami”. Com isso, a delegação ucraniana encerrou sua viagem mais cedo, sem participar da segunda rodada de negociações, que estava agendada para este sábado (10/10).
“Foi um pedido firme do presidente dos EUA”, disse ao jornal londrino uma fonte ucraniana envolvida nas negociações. “Vamos incendiar as refinarias [russas]”, afirmou um representante ucraniano. Horas depois, as forças de Kiev atacaram um terminal de petróleo no centro administrativo de Rostov-on-Don.

Foto: oficial da Casa Branca por Daniel Torok.
Conforme noticiado pelo Financial Times, durante as negociações em Miami, os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, levantaram a possibilidade de o compartilhamento de informações de inteligência dos EUA ser interrompido caso Kiev não suspendesse os ataques.
Zelensky, por sua vez, declarou que a Rússia lançou “ataques mortais” contra civis na Ucrânia como “agradecimento” por um acordo firmado entre Trump e Putin, e acusou Washington de ajudar a financiar a guerra de Moscou. De acordo com as autoridades ucranianas, a ofensiva russa atingiu o sudeste do país, na madrugada de sábado, matando 20 pessoas, incluindo três crianças.
O presidente da Ucrânia também afirmou que a Rússia “deve sentir suas perdas” e prometeu responder. Nesse sentido, segundo o governador da região de Luhansk, Leonid Pasechnik, ataques ucranianos nas últimas 24 horas mataram quatro civis e feriram cinco.
Acordo do diesel
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a suspensão temporária das sanções às entregas de diesel russo até as 00h01 (horário do leste dos EUA) do dia 7 de abril de 2027. Dessa forma, põe fim a cerca de quatro anos de pressão financeira ocidental sobre Moscou.
De acordo com o documento publicado, todas as transações relacionadas à venda, entrega, descarregamento e importação de combustível diesel de origem russa, incluindo sua entrada em território americano, estão autorizadas.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que o acordo “fornece a Moscou mais receitas para financiar a guerra”, acrescentando que “este não é o momento para aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará”.
“Na segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da UE pretendem aprovar o maior conjunto de sanções contra a máquina de guerra russa desde o início da guerra”, informou Kallas, referindo-se aos planos de adicionar formalmente 1.600 novos indivíduos e entidades à lista de sanções da UE.
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