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Após tensão e ameaças, Petro e Trump falam em cooperação

Após meses de acusações públicas, sanções e ameaças, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, encontrou-se nesta terça-feira (3) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.

O encontro, marcado pelo esforço de reconstrução do diálogo, terminou com declarações cordiais e a promessa de cooperação no “combate ao narcotráfico”, mas sem anúncio de acordos concretos.

A reunião ocorre após um ano de tensão aberta entre Bogotá e Washington. Trump chamou Petro de “líder ilegal das drogas”, impôs sanções ao mandatário colombiano, revogou seu visto e aplicou restrições a integrantes de seu governo e familiares. 

Após a operação militar dos EUA que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela, o republicano insinuou que a Colômbia poderia ser alvo de ação semelhante, acusando o país de inundar os Estados Unidos com cocaína.

Petro criticou a ação e chegou a classificá-la como “sequestro”. Disse ainda que o Caribe se tornou o “olho do furacão” da política externa dos EUA. Antes da viagem, convocou manifestações e afirmou que iria à Casa Branca “defender a nação”. Milhares se concentraram na Praça Bolívar, em Bogotá, enquanto a reunião ocorria em Washington.

Participaram do encontro, pelo lado norte-americano, o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o senador Bernie Moreno, de origem colombiana.

A reunião, que durou quase duas horas, reuniu vice-presidente, secretário de Estado e senador crítico de Petro na Casa Branca. Foto: Reprodução

A presença deste último, um dos mais fortes detratores de Petro nos Estados Unidos, causou surpresa. Primeiro, porque a presença de congressistas não é comum nesse tipo de encontro; segundo, porque Moreno advertiu que o futuro da relação bilateral dependeria da erradicação total dos cultivos de coca. 

Pela Colômbia, acompanharam Petro o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, o embaixador Daniel García-Peña e a chanceler Rosa Villavicencio. García-Peña portava uma pasta com a inscrição “Colômbia, aliada número 1 da América contra o narcoterrorismo”.

O encontro desta semana marca uma inflexão retórica. Perguntado por jornalistas se havia sido fechado algum acordo para conter o fluxo de drogas da Colômbia para os Estados Unidos, Trump respondeu: “Trabalhamos nisso e nos demos muito bem”. 

Disse ainda que “não éramos exatamente os melhores amigos” e que estavam “trabalhando também em outras coisas, incluindo as sanções”. Em mensagem escrita entregue a Petro, registrou: “Gustavo – Uma grande honra – Eu amo a Colômbia.”

Petro classificou a reunião como “positiva” e afirmou que foi um diálogo “entre diferentes, mas sem humilhações”. “Não nos batemos nem nos arranhamos, buscamos soluções”, declarou após o encontro. 

O colombiano disse ainda que se trata de uma conversa “de igual para igual”. Petro avaliou a reunião com nota “nove” e afirmou que não dedicou “nem um segundo” para discutir as sanções contra ele e sua família ou seu visto.

Narcotráfico no centro da agenda

O combate ao narcotráfico foi apresentado como ponto comum entre governos com posições divergentes sobre política regional. Ambos não mencionaram nenhuma meta ou trabalho em conjunto.

Petro reiterou que a cooperação deve se concentrar nas estruturas do crime organizado. Defendeu que a política antidrogas não pode penalizar agricultores envolvidos em economias de subsistência e insistiu que a erradicação deve ser manual e realizada pelos próprios camponeses.

Dados apresentados pelo governo colombiano indicam que, desde o início do mandato, foram realizadas 810 extradições — número superior ao registrado nos governos anteriores: 760 sob Iván Duque, 751 no segundo mandato de Álvaro Uribe e 724 no primeiro período de Juan Manuel Santos. 

Até 31 de dezembro, segundo o Ministério da Justiça colombiano, cerca de 2.800 toneladas de cocaína foram apreendidas. Programas de substituição voluntária de cultivos ilícitos somam aproximadamente 30 mil hectares inscritos.

O programa de substituição voluntária prevê que agricultores deixem de plantar folha de coca em troca de apoio estatal para migrar para atividades legais, como produção agrícola ou projetos comunitários. 

A adesão depende de acordo formal entre o governo e as comunidades, com previsão de assistência técnica e apoio econômico durante a transição.

Washington havia negado à Colômbia a certificação anual na política antidrogas, instrumento previsto na legislação norte-americana que pode restringir assistência financeira e apoio em organismos multilaterais. 

O governo colombiano contesta o enquadramento e sustenta que o esforço repressivo não pode ser dissociado das dimensões sociais e econômicas do problema.

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