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As raízes arcaicas das mineradoras e petroleiras

Foto: Jae C. Hong / AP

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A atual concentração dos mercados globais de minérios e petróleo não constitui um fenômeno recente. Suas bases foram lançadas ainda no final do século XIX, no contexto da transição do capitalismo concorrencial para formas monopolistas, quando grandes corporações passaram a se articular com Estados na exploração de recursos naturais em escala mundial. Foi nesse período que se estruturaram os primeiros mecanismos de controle sobre territórios ricos em recursos, por meio de concessões, acordos diplomáticos e formas iniciais de internacionalização do capital, dando origem a empresas que, em muitos casos, permanecem centrais na organização desses mercados.

Na atual quadra histórica, quando se trata da extração mineral, os mercados globais encontram-se dominados por um pequeno número de corporações. Ao analisar a extração do ferro, a Vale S.A., a BHP Billiton, a Rio Tinto e a FMG detêm cerca de 44% da produção global e 70% do mercado mundial do minério. O mesmo quadro se reproduz na produção de alumínio, em que cinco corporações, a Chalco, a Hongquiao Group, a Rusal, a Alcoa e a Rio Tinto, controlam aproximadamente 50% da produção. Diferentemente do setor do ferro, entretanto, essa concentração é fortemente determinada por empresas estatais chinesas, refletindo uma estrutura híbrida entre corporações privadas e estatais. O mesmo padrão encontramos na produção global de cobre, com cinco corporações destacadas em nome da Freeport-McMoran, a BHP, a Glencore, a Anglo American e a Codelco, em que a exceção aqui fica por conta da estatal chilena Codelco em meio às corporações transnacionais. Diferentemente de outras commodities, a produção de ouro é mais fragmentada, em que a Newmont, a Barrick Gold, a Agnico Eagle e a AngloGold Ashanti configuram-se como as quatro maiores empresas, com algo em torno de 20 a 25% da produção global. No entanto, o ouro exibe alta concentração no segmento de refino, comércio e intermediação financeira.

No que se refere à produção mundial de petróleo, o quadro apresenta-se de modo heterogêneo; as corporações transnacionais privadas convivem na extração de óleo bruto com empresas nacionais controladas por Estados produtores. Por esse sentido, entre as corporações transnacionais de capital privado estão, por exemplo, a ExxonMobil, a Shell, a BP, a Chevron e a TotalEnergies, enquanto entre as empresas estatais detentoras das maiores reservas estão a Saudi Aramco, a Nationail Iranian Company, a CNPC, a Rosneft e a ADNOC.

Por detrás desse quadro geral de alta concentração de capital controlado por corporações, na extração de minérios e petróleo, desenvolveram-se complexos processos com historicidades e espacialidades específicas. A estruturação de cadeias globais de produção mineral e petrolífera, portanto, é parte inerente daquilo que é o imperialismo. Isso decorre, consequentemente, de que os componentes minerais integram a produção de múltiplas e variadas mercadorias, cumprindo funcionalidades que se desdobram desde a produção de energia até o transporte (circulação) de outras mercadorias.

Por essa via de compreensão, as corporações transnacionais cumprem um papel destacado na produção mineral e petrolífera desde que o capitalismo ingressou em sua fase monopolista. No entanto, há corporações de tempo mais recente e corporações que foram fundadas como estruturas globais praticamente desde a primeira hora da transição entre o capitalismo concorrencial do século XIX. É esse o caso, por exemplo, da British Petroleum, da Royal Dutch Shell, da BHP Billiton, da Rio Tinto, da Anglo American e da Standard Oil. O alvorecer dessas corporações envolve datas de surgimento ou do quartil final do século XIX ou das primeiras décadas do século XX. Especificamente a Shell e a BHP derivam da fusão de corporações antecessoras, ao passo que a Standard Oil foi fracionada em várias outras corporações que influenciam significativamente a produção global de petróleo, tais como a Chevron e a Exxon.

A configuração contemporânea dos mercados globais de minérios e petróleo revela, portanto, não uma ruptura, mas a continuidade de uma forma histórica de organização do capitalismo. A concentração corporativa observada hoje é herdeira direta de processos que articularam, desde o século XIX, o controle de recursos naturais, a expansão de grandes empresas e a formação de uma economia mundial profundamente hierarquizada, na qual o acesso à natureza permanece mediado por estruturas concentradas de poder econômico.

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