Às vésperas de mais uma disputa eleitoral que definirá os rumos do país pelos próximos quatro anos, a Escola Nacional de Formação do Partido dos Trabalhadores, em parceria com a Fundação Perseu Abramo, reuniu novos filiados e filiadas da legenda para apresentar a estrutura do partido e fortalecer o trabalho da militância nas ruas e nas redes.A atividade, realizada de forma virtual no dia 16 de abril, contou com a participação de mais de 500 novos “petistas de carteirinha”, que puderam conhecer o funcionamento do partido, sua organização interna e as formas de atuação política no atual cenário, marcado pela disputa eleitoral e pelo enfrentamento à extrema direita.O PT foi a sigla que mais ganhou filiados em 2025, com mais de 26 mil novos membros, ultrapassando a marca de 1,7 milhão. O processo de ampliação da base, no entanto, é contínuo e tem sido intensificado no período recente.
Formação política e renovação de quadros
Em mensagem aos participantes, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, destacou o papel da formação política na renovação do partido e no fortalecimento de suas pautas.“A formação política significa não só acolhermos as novas filiadas e filiados, mas também nós termos um processo de construção de novos quadros dirigentes, de nós investirmos na transição de dirigentes. Esse é o momento em que nós debatemos a conjuntura, o que está em disputa no Brasil no próximo período. Vocês sabem tudo o que representa a reeleição do Presidente Lula, não só a reafirmação de um projeto de Brasil justo e igualitário, mas também de defesa das nossas bandeiras”, afirmou.Filiada desde os 16 anos, a secretária nacional de formação e educação política do PT e diretora da Escola Nacional de Formação, Tássia Rabelo, reforçou a importância da militância ao longo da história do partido.“Nós temos militantes e dirigentes que constroem o partido diariamente nos territórios. A formação política é um instrumento de disputa e de transformação da sociedade. É por meio dela que fortalecemos a consciência, organizamos a base e ampliamos nossa capacidade de atuação”, disse.Tássia também divulgou o curso básico disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem, plataforma que oferece acesso contínuo a conteúdos sobre a história do PT, seu funcionamento, o sistema eleitoral e o trabalho de base.

Militância e organização de base
Alexandre Macedo, diretor da Escola Nacional de Formação do PT e da Fundação Perseu Abramo, destacou a capacidade de mobilização do partido.“Não existe um partido mais organizado e enraizado como o PT. Essa força vem da base, da militância e da construção coletiva que sustenta o partido em todos os territórios. Por isso, é fundamental conectar a formação política com a realidade do país, fortalecendo a atuação da militância e qualificando o debate político”, afirmou.O secretário nacional de organização do PT, Laércio Ribeiro, também destacou o papel histórico da militância em momentos decisivos.“Agora, mais uma vez, estamos assistindo tantos outros companheiros e companheiras entrarem na luta partidária. Aqueles que entram nesse partido não entram nos momentos fáceis. Entram, principalmente, quando precisamos de pessoas dispostas a lutar”, disse.Segundo ele, o partido costuma ampliar sua base em períodos de maior tensão política. Após a prisão de Lula em 2018, por exemplo, mais de 3 mil pessoas se filiaram ao PT nos primeiros dias, número que chegou a mais de 11 mil ao final daquele ano.
Juventude e participação das mulheres
O PT conta hoje com cerca de 600 parlamentares jovens em todo o país, entre deputados federais, estaduais e vereadores. A ampliação dessa presença tem sido uma das prioridades da Secretaria Nacional de Juventude.“Quando a gente se filia, é como se chegasse à cidadania completa. Fazer parte de um partido como o PT é poder transformar de maneira concreta a realidade do povo brasileiro. Agora é hora de pensar em renovação, sem perder a essência que levou à criação do partido”, afirmou a secretária nacional da Juventude, Júlia Köpf.A secretária nacional de mulheres do PT, Mazé Morais, destacou o papel das mulheres na organização partidária.“As mulheres têm papel fundamental na construção partidária. São elas que organizam, mobilizam e sustentam grande parte da luta cotidiana. Fortalecer a participação das mulheres é fortalecer o próprio partido e a construção de uma sociedade mais justa”, afirmou.
Combate ao racismo como eixo central
Outro ponto destacado durante o encontro foi a necessidade de ampliar o debate antirracista na formação política. O secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Tiago Soares, defendeu que o tema esteja no centro das ações do partido.“Compreendi como sujeito negro nessa sociedade a necessidade de enfrentar o racismo. Essa é uma história coletiva, que um partido como o PT, desde a sua fundação, carrega junto aos movimentos negros”, afirmou.Soares também relacionou o tema às políticas públicas recentes.
“A única coisa que defendemos é a igualdade de oportunidades. É por isso que o presidente Lula criou o Ministério da Igualdade Racial. E é por isso que precisamos avançar para que novas conquistas possam sair do papel”, disse.