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Às vésperas do 1º de Maio, trabalho doméstico segue marcado por informalidade e baixos salários

Às vésperas do Dia do Trabalhador, dados recentes reacendem o debate sobre a precarização histórica do trabalho doméstico no país. Levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE, divulgado no 4º trimestre de 2025 e repercutido nas redes sociais no Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica (27 de abril) pelo Instituto Alziras , revela que 76% das trabalhadoras domésticas estão sem carteira assinada e 65% não contribuem para a Previdência Social.

O cenário expõe a persistência da informalidade em um dos setores mais marcados por desigualdades estruturais no Brasil e coloca em evidência os desafios para garantir direitos básicos a milhões de mulheres.

Informalidade estrutural e persistente

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o Brasil possui cerca de 5,57 milhões de trabalhadores domésticos, dos quais aproximadamente 4,2 milhões atuam na informalidade, o equivalente a mais de 75% da categoria .

O próprio governo reconhece que se trata de um problema estrutural, disseminado em todo o país e que, em alguns estados, ultrapassa 80%. Mesmo após avanços legais importantes, como a PEC das Domésticas e a ampliação de direitos trabalhistas na última década, a formalização segue sendo exceção, não regra.

Salários menores e desigualdade racial

Além da falta de direitos, os dados também escancaram a desigualdade de renda. Trabalhadoras domésticas recebem, em média, 59% a menos do que mulheres em outras ocupações, o que representa cerca de R$ 23 mil a menos por ano, como foi destacado pelo Instituto Alziras nas redes sociais.

A desigualdade se aprofunda quando se observa o recorte racial: mulheres negras, maioria na categoria, recebem ainda menos e enfrentam condições mais precárias de inserção no mercado de trabalho.

Esse quadro reflete uma herança histórica ligada ao período escravocrata e à naturalização do trabalho doméstico como atividade desvalorizada, feminina e racializada.

Dentro das casas, fora da proteção

Especialistas apontam que o local onde o trabalho ocorre ( ambiente privado das residências) também dificulta a fiscalização e contribui para a informalidade.

Sem contrato formal, milhões de trabalhadoras ficam sem acesso a direitos básicos como:

  • férias remuneradas
  • 13º salário
  • licença médica
  • aposentadoria

A ausência de contribuição previdenciária, por exemplo, compromete a segurança futura dessas mulheres, perpetuando ciclos de vulnerabilidade.

Mobilização e políticas públicas

Diante desse cenário, o Ministério do Trabalho reforçou, no último 27 de abril, a Campanha Nacional pelo Trabalho Doméstico Decente, criada em 2022, com ações de conscientização, qualificação e acesso a serviços .

A iniciativa envolve órgãos públicos, entidades da sociedade civil e organizações internacionais, com foco na promoção de direitos, saúde e segurança no trabalho doméstico.

Reconhecimento e valorização

Para além dos números, o debate envolve reconhecer o papel central dessas trabalhadoras na sustentação do cuidado cotidiano — uma atividade invisibilizada, mas fundamental para o funcionamento da sociedade.

Um debate urgente no 1º de Maio

Às vésperas do Dia do Trabalhador, os dados reforçam que a luta por direitos no Brasil ainda passa, necessariamente, pelo reconhecimento do trabalho doméstico.

Reduzir a informalidade no setor não é apenas uma questão trabalhista, é um passo decisivo no enfrentamento das desigualdades históricas que atravessam gênero, raça e classe no país.

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