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Ataque às urnas é aceno de Flávio Bolsonaro a grupos radicais, diz especialista

Os ataques do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, às urnas eletrônicas já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reiterou a segurança e credibiliade do sistema responsável por contabilizar as votações no Brasil.

No entanto, a postura do nome escolhido pela representar a extrema-direita na disputa ao Palácio do Planalto despertou preocupação com a possibilidade de nova onda de extremismos, numa reedição da tentativa de golpe de janeiro de 2023.

“Vejo a fala do Flávio Bolsonaro como algo planejado dentro do núcleo fascista brasileiro. O objetivo é,, diante do declínio de uma candidatura fracassada, manter ativo seus seguidores mais radicais. Ele se dirige a esse grupo com o objetivo de criar tumultos durante o processo eleitoral”, explica o jurista e cientista político Jorge Folena.

Para Folena, o que mais preocupa é a repetição de cenário semelhante à tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023, dias depois de Lula vencer Jair Bolsonaro nas urnas. “Ele está repetindo o que fez o pai dele ao atacar as instituições do Brasil criando um ar de instabilidade institucional para no final tentar uma aventura para um golpe de Estado, uma intervenção estrangeira algo nesse sentido como forma de sobrevivência política”.

A também cientista política Esther Solano complementa que atacar o sistema eleitoral tem sido cada vez mais frequente em discursos de políticos da extrema direita . “Eu tenho a sensação de que ele está se vendo isolado, envolvido em escândalos, com diminuição de potencial de votos e já preparando um discurso de fraude eleitoral que é cada vez mais comum entre políticos da extrema direita”.

Histórico de ataques

Atacar o sistema eleitoral não é novidade para Flávio Bolsonaro. Em 2014, enquanto deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ele contestou a reeleição de Dilma Rousseff (PT): “O que nos une é a desconfiança da urna eletrônica, um programa feito por uma empresa venezuelana, a Smartmatic”.

A associação é falsa. Segundo a Justiça Eleitoral, a empresa nunca forneceu urnas nem programas usados nos equipamentos brasileiros. Seus contratos foram para serviços auxiliares, como conexão de dados e voz e treinamento de suporte.

Em 2018, cinco dias antes do primeiro turno, Flávio afirmou em entrevista ao jornal O Globo que a população tinha “o direito de desconfiar da urna eletrônica”. No dia da votação, o senador compartilhou em suas redes sociais um vídeo manipulado que sugeria o preenchimento automático de voto a favor do candidato Fernando Haddad. A publicação foi classificada como desinformação e desmentida pelo TSE.