Desde a última segunda-feira (30), ativistas da organização internacional Sinergia Animal estão mobilizados em frente à unidade do supermercado Zaffari Higienópolis, em Porto Alegre. A ação pede que a empresa assuma o compromisso de não adquirir carne suína de fornecedores que utilizem gaiolas de gestação, prática apontada como cruel aos animais.
Com a instalação de um escritório provisório na calçada em frente ao supermercado, os ativistas buscam conscientizar os consumidores e pressionar a empresa para que aceite dialogar sobre suas práticas de fornecimento. A Sinergia Animal realiza ações desde abril de 2024, mas afirma que, até agora, não obteve nenhum retorno da rede Zaffari.
“A gente montou o escritório na frente do Zaffari para ver se a gente conseguia conversar com eles, porque às vezes até eles nem sabem o que está acontecendo. A gente viu que eles não estavam nem entendendo direito o que a gente queria, por recusarem a conversa”, relata a diretora do Sinergia Animal no Brasil, Cristina Diniz.
O grupo reivindica que a rede se comprometa formalmente a eliminar fornecedores que utilizam gaiolas de gestação para porcas, uma estrutura extremamente restritiva que impede os animais de se virarem ou caminharem. De acordo com a organização, esse tipo de confinamento causa dores, lesões e sofrimento psicológico intenso, levando os animais a desenvolverem comportamentos repetitivos e sinais claros de estresse.
A ativista também relatou que, durante os protestos desta semana, a polícia foi acionada, mas, ao constatar que não havia irregularidades, apenas deixou o local. “A gente não parte para uma mobilização sem uma tentativa de diálogo. Nesse caso, nunca houve abertura para o diálogo, nem com a gente, nem com nenhuma outra organização que a gente saiba. Os e-mails que a gente mandou foram ignorados e tentativas de reuniões não aconteceram”, diz.
Além da falta de diálogo, Cristina também questiona a ausência de transparência sobre a origem da carne suína vendida com o selo de marca própria da rede. “O objetivo da nossa organização é diminuir ou até excluir e acabar com as piores práticas da indústria. E são coisas que mudam muito a qualidade de vida do animal. Nesse caso, a gente não sabe o que o Zaffari faz ou não faz nas marcas próprias e a gente também não sabe de quem o Zaffari compra”, aponta.
A campanha é parte de uma mobilização internacional da Sinergia Animal, que já obteve avanços com outras redes comerciais no Brasil, comprometidas em banir a prática das gaiolas de gestação. A expectativa da organização é que a rede Zaffari adote a medida. “A gente sabe que da parte dos produtores isso já está acontecendo, mas a gente também pressiona e conversa com os mercados, para eles também se comprometerem a só comprar produtos com essa origem”, pontua Cristina.
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