Os ativistas e organizadores da Flotilha Global Sumud, o brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abukeshek, chegaram na manhã deste domingo (03/05) ao porto de Ashdod, em Israel. Eles foram transferidos para a Prisão de Shikma em Askalan, ao norte de Gaza, na Palestina ocupada, após serem sequestrados em águas europeias pelas forças de ocupação israelenses.
Em nota nas redes sociais, a psicóloga Lara Souza, esposa de Ávila, informou que o brasileiro se sujeitou à primeira audiência também na manhã deste domingo.
“A audiência, que não será migratória e sim de direitos civis, acontecerá sem que a advogada responsável pelo caso saiba qual é a acusação. Thiago e a embaixada brasileira também não foram informados sobre o motivo da detenção e de seu interrogatório”, denunciou Lara, em vídeo difundido horas antes da audiência.
A advogada responsável pelo caso foi comunicada que o ativista estava detido sob acusação de “atividades ilegais e associação com terrorismo”, sem qualquer especificação do que isso significaria ou de qual organização terrorista eles acreditam que Ávila fez parte ou que ação configuraria isso.
“Nenhuma acusação formal foi feita, nem para Thiago, nem para a embaixada brasileira ou sua advogada”, complementou Lara.
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O Tribunal de Magistrados de Ashkelon decidiu prolongar a detenção deles por mais dois dias, metade do prazo pedido pelas autoridades israelenses, ou seja, até terça-feira (05/05). “O Estado de Israel pediu a prorrogação da detenção deles por quatro dias”, informou Miriam Azem Adalah, da ONG de defesa dos direitos humanos Adalah.
Após ter chegado à prisão do regime sionista, Ávila só pode ter contato com a embaixada do Brasil e sua advogada, que será responsável pelo caso. “Não permitiram a comunicação com a família. As forças israelenses apenas permitiram que ele escrevesse uma carta, na qual os representantes consulares transcreveram e que eles lessem uma carta que eu escrevi”, contou Souza.
Segundo os representantes de Ávila, após ter sido repetidamente interrogado pela inteligência israelense, ele está com marcas de agressão pelo corpo, sofreu espancamentos, ameaças e violência psicológica.
“Ameaçaram que o jogariam no barco ou também ameaçaram a nossa família aqui no Brasil. A advogada nos relatou que ele está com o olho esquerdo fechado devido a ferimentos e ficou temporariamente cego, voltando a enxergar só algumas horas antes de ver sua defensoria hoje (03/05), dois dias depois de ter sido sequestrado em águas internacionais”, denunciou.
A embaixada brasileira também informou que Ávila passou por um médico que “não prestou um atendimento adequado. Apesar de a missão diplomática ter insistido que ele deveria receber um tratamento correto, isso não aconteceu até o momento em que a embaixada precisou se retirar da prisão”.
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Desde que foram sequestrados em águas internacionais, a mais de mil quilômetros de distância do território de Israel, na quarta-feira (29/04), Thiago e Saif estão em greve de fome em protesto às violações que os soldados israelenses estão cometendo contra eles e cometem diariamente contra o povo palestino.
Lara Souza instou mobilizações em suas redes sociais, e também mobilizações parlamentares e governamentais, para dizer que “o governo israelense não pode fazer o que quiser, violando todas as leis de direitos internacionais, e que não podem sequestrar cidadãos de outros países para serem interrogados e presos sem nenhuma acusação, sem informar suas embaixadas, a eles mesmos e seus advogados sobre o que serão julgados”.
“Precisamos de ajuda para que Thiago, Saif e todos os mais de nove mil presos palestinos, que estão injustamente nas masmorras de Israel, possam voltar para suas casas e famílias. Nós precisamos interromper as violações do governo e do exército genocida de Israel e nós seguimos lutando pela Palestina livre”, rechaçou.
A Global Sumud Flotilha é uma missão humanitária civil, composta por médicos, jornalistas e ativistas, em cerca de 50 embarcações, que leva mantimentos, medicamentos e alimentos para Gaza.
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