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Ativistas denunciam estupros e tortura após prisão por Israel

As denúncias contra Israel se agravaram nesta sexta-feira (22), após ativistas da flotilha humanitária Global Sumud relatarem estupros, agressões sexuais, espancamentos e tortura durante a custódia israelense. 

Os depoimentos foram dados por participantes da missão após a deportação dos detidos que haviam sido capturados por forças israelenses durante a interceptação da flotilha em águas internacionais.

Os relatos foram feitos por ativistas de diferentes países, incluindo o brasileiro Thiago Ávila.

Segundo os depoimentos, os abusos ocorreram tanto durante a interceptação das embarcações quanto nos centros de detenção e prisões israelenses para onde os ativistas foram levados após a captura da flotilha.

A coalizão Global Sumud afirmou que ao menos 15 participantes denunciaram violência sexual, incluindo casos de estupro. 

A australiana Juliet Lamont declarou ao Guardian que foi vítima de violência sexual e agressões físicas durante a custódia israelense. 

Segundo ela, dezenas de ativistas sofreram fraturas, choques elétricos e espancamentos sistemáticos. Lamont afirmou que a violência tinha como objetivo impedir novas missões humanitárias rumo a Gaza.

Organizações ligadas à missão também relataram fraturas, disparos de balas de borracha à queima-roupa, uso de armas de choque, humilhações públicas e detenções em condições degradantes. 

De forma cínica, Israel nega as acusações e afirma que os presos foram tratados “de acordo com a lei”.

A nova onda de denúncias aprofunda a crise diplomática já aberta após a divulgação, pelo ministro da Segurança Nacional de Israel e representante da facções supremacistas, Itamar Ben-Gvir, de vídeos em que ativistas aparecem ajoelhados, algemados e sendo humilhados durante a custódia israelense. 

O episódio provocou condenações internacionais e abriu discussões na União Europeia sobre possíveis sanções contra o ministro de extrema direita.

Os relatos de abusos também foram feitos por ativistas europeus e árabes deportados para a Turquia após a interceptação da flotilha.

O neozelandês Mousa Taher afirmou à agência Anadolu que soldados israelenses o obrigaram a rastejar pelo chão, apertaram algemas plásticas até ferir suas mãos e o agrediram repetidamente durante a detenção.

Segundo Taher, os militares o fotografaram enquanto pressionavam seu rosto com botas. 

“Eles queriam nos fazer sentir pequenos. Queriam que sentíssemos que não éramos nada”, afirmou o ativista.

O economista italiano Luca Poggi disse à Reuters que os participantes foram despidos, jogados ao chão e chutados. 

“Muitos de nós receberam choques elétricos, alguns sofreram abuso sexual e vários ficaram sem acesso a advogados”, declarou após chegar a Roma.

Já a organizadora francesa Sabrina Charik afirmou que cinco cidadãos franceses precisaram ser hospitalizados na Turquia após a deportação. Segundo ela, alguns apresentavam costelas quebradas e fraturas vertebrais, além de denúncias detalhadas de estupro e violência sexual.

Ativistas relatam espancamentos, abusos sexuais e humilhações

O ativista brasileiro Thiago Ávila, preso por 11 dias e libertado em 10 de maio, afirmou que os participantes da missão sofreram uma “campanha planejada de violência” por parte das forças israelenses. 

Ele relatou que soldados o espancaram até a perda de consciência durante uma interceptação anterior da flotilha, ocorrida em abril, próxima à ilha grega de Creta.

“Eles colocaram cordas no meu pescoço e me bateram até eu perder a consciência”, declarou Ávila. Segundo ele, os militares o arrastaram desacordado, o ameaçaram de morte e o mantiveram vendado durante grande parte da detenção. 

O brasileiro afirmou ainda ter ouvido gritos de palestinos sendo torturados em celas vizinhas durante os dias em que permaneceu isolado em uma prisão israelense.

Outro integrante da flotilha, o australiano Zack Schofield, relatou que soldados israelenses utilizavam armas de choque, disparavam projéteis não letais contra os presos e mantinham os detidos em posições de estresse por horas. Ele afirmou ainda que os ativistas dormiam em contêineres superlotados, sem colchões ou cobertores, sob frio intenso.

Pressão internacional cresce contra Ben-Gvir e Israel

As novas denúncias ampliaram a pressão internacional sobre o governo israelense. O chanceler italiano Antonio Tajani declarou que mantém conversas com os demais países da União Europeia para tentar aprovar sanções contra Ben-Gvir.

A discussão ocorre após o próprio ministro divulgar vídeos provocando os ativistas presos. Nas imagens, os participantes aparecem ajoelhados, com as mãos amarradas, enquanto Ben-Gvir ironiza os detidos e os chama de “apoiadores do terrorismo”.

O desgaste internacional provocado pelas imagens levou integrantes do governo israelense e aliados de Tel Aviv a tentar conter a crise diplomática aberta pelo próprio Ben-Gvir. O episódio gerou críticas inclusive dentro do governo de Israel, numa tentativa de dissociar o país das cenas divulgadas pelo ministro. 

O primeiro-ministro e criminoso de guerra Benjamin Netanyahu afirmou, de forma cínica, que a postura do aliado “não está alinhada com os valores e normas de Israel”. 

Já o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee — aliado histórico da direita israelense e integrante do governo Trump — criticou Ben-Gvir após a divulgação das imagens, embora tenha defendido a interceptação da flotilha.

O Itamaraty já havia convocado a chefe da embaixada de Israel em Brasília para exigir explicações sobre o tratamento dado aos participantes da flotilha. Em nota, o governo brasileiro classificou como ilegais tanto a interceptação das embarcações em águas internacionais quanto a detenção dos ativistas.

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