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Atos do 8M mobilizam o país contra violência e misoginia

As ruas do Brasil voltarão a ser tomadas por mulheres neste 8 de março. Mobilizações feministas convocadas por movimentos sociais, políticos, sindicatos e organizações populares ocorrerão em todas as regiões do país para denunciar a violência de gênero, exigir direitos e enfrentar a desigualdade estrutural que ainda marca a vida das mulheres brasileiras.

As manifestações ocorrem em um momento de alerta sobre a situação das mulheres no Brasil e no mundo. Apesar de avanços legislativos, a violência de gênero permanece em níveis alarmantes. Dados recentes apontam crescimento de feminicídios e estupros no país, com mais de 87 mil vítimas de violência sexual registradas em um único ano e milhares de assassinatos motivados por gênero.

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Diante desse cenário, os atos do 8M reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas de proteção às mulheres e enfrentar as raízes estruturais da violência, como o machismo, o patriarcado e a desigualdade social.

Luta feminista ganha as ruas

Historicamente marcada pela resistência das mulheres trabalhadoras, a data volta a reunir milhares de manifestantes nas capitais e cidades do interior. As mobilizações deste ano trazem como eixo a defesa da vida das mulheres, o combate à exploração econômica e a luta por igualdade.

Além da denúncia da violência de gênero, as manifestações também incorporam pautas relacionadas às condições de trabalho e à divisão desigual das responsabilidades domésticas. Entre as reivindicações estão a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1 e políticas públicas que reconheçam e valorizem o trabalho de cuidado — uma realidade que pesa majoritariamente sobre as mulheres.

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Segundo organizações feministas, as manifestações também se posicionam contra guerras e conflitos armados que atingem especialmente mulheres e crianças, além de denunciar o crescimento de ideologias misóginas e autoritárias em diferentes partes do mundo.

Violência contra mulheres exige resposta urgente

A convocação dos atos ocorre em meio ao agravamento da violência de gênero no Brasil. O país registrou quase 1.500 feminicídios em um único ano e segue enfrentando números recordes de estupros, muitos deles contra meninas e adolescentes.

Para especialistas e ativistas, esses dados revelam que a luta feminista permanece essencial para pressionar governos e instituições a garantir proteção e justiça para mulheres e meninas.

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No plano internacional, a própria ONU alertou que mulheres ainda possuem apenas 64% dos direitos legais garantidos aos homens em escala global, evidenciando que a igualdade jurídica plena ainda não foi alcançada em nenhum país do mundo.

“A violência contra as mulheres tem raízes profundas”, diz Flávia Calé

Em entrevista ao Entrelinhas Vermelhas, secretária nacional de Mulheres do PCdoB, Flávia Calé, destaca que a violência contra as mulheres tem raízes estruturais no patriarcado e nas desigualdades históricas, agravadas pelo avanço da extrema direita e pela disseminação de discursos de ódio nas redes sociais. “A violência contra as mulheres no Brasil se constituiu como um fator cultural. O patriarcado e a subjugação das mulheres historicamente se deram com muita violência, com a cultura do estupro. No cenário atual, o avanço da extrema-direita e da misoginia reforça essa lógica e tenta recolocar as mulheres em um lugar de superexploração e submissão”, afirma.

Segundo ela, o enfrentamento desse quadro exige não apenas leis e punição, mas uma transformação cultural profunda e a participação ativa de toda a sociedade. “Se existe violência, existe porque homens praticam violência. Romper o silêncio e enfrentar a cultura da violência contra as mulheres é uma tarefa coletiva, que precisa envolver homens e mulheres na defesa da vida e da dignidade feminina”, ressalta Calé. O programa Entrelinhas Vermelhas, do Portal Vermelho, vai ao ar todas as quintas-feiras, às 17h, no canal da TV Vermelho no YouTube.

Agenda de atos do #8M no Brasil e no exterior

As mobilizações feministas do 8 de março ocorrerão em diversas cidades brasileiras, reunindo movimentos sociais, coletivos feministas, organizações populares e centrais sindicais. Confira alguns dos principais atos convocados:

SUDESTE
São Paulo (SP) – 14h – MASP
Campinas (SP) – 9h – Largo do Rosário
Santos (SP) – 9h – Praça das bandeiras Gonzaga
Rio de Janeiro (RJ) – 10h – Posto 3, Copacabana
Vitória (ES) – 10h30 – Parque Moscoso
Belo Horizonte (MG) – 9h30 – Praça Raul Soares

SUL
Blumenau (SC) – 8h – Concentração na Escadaria da Igreja Matriz
Chapecó (SC) – 9h – Praça Coronel Bertaso
Curitiba (PR) – 9h – Praça Santos Andrade
Balneário Camboriú (SC) – 9h – Praça Almirante Tamandaré
Florianópolis (SC) – 9h30 – Concentração no Parque da Luz (Centro)
Porto Alegre (RS) – 9h30 – Praça dos Açorianos
Garopaba (SC) – 10h – Praça Governador Ivo Silveira
Cascavel (PR) – 10h – Feira do Teatro (ação cultural)
Joinville (SC) – 14h30 – Praça da Biblioteca
Guaratuba (PR) – 14h – Letreiro da Praia Central

CENTRO-OESTE
Cuiabá (MT) – 7h45 – Espaço Cultural do CPA II
Goiânia (GO) – 9h – Praça do Trabalhador
Brasília (DF) – 13h – Concentração na Funarte

NORDESTE
Aracaju (SE) – 8h – Feira Livre do Bugio
Maceió (AL) – 8h – Praça do 7 Coqueiros
Natal (RN) – 8h – Caju da Redinha (Zona Norte)
Fortaleza (CE) – 14h – Rua Dr. José Roberto Sales, 44 (Projeto 4 Varas, Barra do Ceará)
Cariri (CE) – 8h – Concentração na Prefeitura do Crato
Salvador (BA) – 9h – Concentração no Cristo (Barra), com destino ao Farol da Barra

NORTE
Belém (PA) – 9h – Escadinha da Doca
Bragança (PA) – 16h – Praça das Bandeiras
Santarém (PA) – 17h – Praça da Matriz
Marabá (PA) – 8h – Feira da Folha 28
Palmas (TO) – 8h – Feira da Aureny I
Manaus (AM) – 15h – Marcha das Mulheres Indígenas de Manaus e entorno, na sede da CUFA
Boa Vista (RR) – 17h30 – Concentração no Portal do Milênio

9 de março

Altamira (PA) – 8h – Calçadão das Americanas
Marabá (PA) – 8h – Feira da Folha 28
Belém (PA) – 9h – Concentração na Escadinha das Docas
Bragança (PA) – 16h – Praça das Bandeiras
Santarém (PA) – 17h – Praça da Matriz

Outras datas de mobilização

06 de março (sexta)
Vitória (ES) – 14h – Palácio da Fonte Grande

07 de março (sábado)
Rio Preto (SP) – 9h – Praça Rui Barbosa
Ribeirão Preto (SP) – 10h – Esquina Democrática

09 de março (segunda)
Recife (PE) – 16h – Praça do Diário
Sobral (CE) – 8h – Praça de Cuba
Altamira (PA) – 8h – Calçadão das Americanas

Mobilização internacional

A mobilização feminista também ganha dimensão internacional. Em Porto, Portugal, coletivos feministas convocaram uma marcha para o dia 8 de março, com concentração às 16h na Praça dos Poveiros. A manifestação seguirá em desfile até a Praça D. João I, onde será lido um manifesto e ocorrerão apresentações culturais. A convocatória reúne dezenas de organizações e denuncia o patriarcado, o racismo, o capitalismo e outras formas de opressão, reforçando a dimensão global da luta feminista.

Um 8 de março de luta

Para organizações feministas, o 8M reafirma que os direitos das mulheres estão diretamente ligados à democracia, à justiça social e ao combate às desigualdades estruturais. Nas ruas, as palavras de ordem devem ecoar denúncias contra o feminicídio, a precarização do trabalho, o racismo e a violência política de gênero, ao mesmo tempo em que reafirmam a resistência histórica das mulheres.Mais do que um ato simbólico, as manifestações deste ano buscam fortalecer a mobilização social para garantir que nenhuma mulher seja silenciada, explorada ou assassinada simplesmente por existir.

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com agências

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