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Aventura militar de Trump no Irã fracassa em meio a custos bilionários

A aventura militar de Donald Trump contra a República Islâmica do Irã completou 30 dias consolidando um paradoxo clássico das guerras de agressão contemporâneas: a supremacia bélica não se traduz em controle político. Iniciado em 28 de fevereiro, o conflito, que prometia ser uma “cirurgia rápida” com o objetivo de desmantelar o programa nuclear e as capacidades de mísseis de Teerã, transformou-se em um dreno econômico e geopolítico que ameaça a estabilidade global e a própria sustentação interna do governo republicano.

O custo da invasão

Embora o Pentágono declare a destruição de cerca de 90% do arsenal de mísseis balísticos iranianos e da infraestrutura da Guarda Revolucionária (IRGC), o balanço material é alarmante. Segundo o Center for Strategic and International Studies (CSIS), os gastos militares dos EUA ultrapassaram os US$ 30 bilhões apenas em março, com uma média diária de gastos que flutua entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão.

O pedido suplementar de US$ 200 bilhões feito por Trump ao Congresso norte-americano gerou uma crise institucional. Em Washington, figuras da oposição democrata, como o deputado Adam Schiff (ex-presidente do Comitê de Inteligência) e o senador Cory Booker, classificam o conflito como uma “guerra ilegal”, enquanto a senadora republicana Lisa Murkowski (Alasca), voz moderada no partido governista, exige transparência sobre a ausência de um “plano de saída”.

O golpe de misericórdia na narrativa oficial veio com a demissão de Christopher Miller, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC), em 15 de março, afirmando que a justificativa para a guerra era uma “farsa” e que não havia inteligência sólida que corroborasse uma ameaça nuclear iminente a partir do Irã. 

O xeque-mate de Ormuz e a economia de guerra

Estrategicamente, o fechamento do Estreito de Ormuz provou ser a arma mais eficaz de Teerã. Com a redução de 15% no suprimento global de petróleo, o barril do Brent saltou para a casa dos US$ 116, elevando o preço da gasolina nos EUA para mais de US$ 4 por galão. Ironicamente, a análise do The Economist aponta que, ao contrário do esperado, o Irã dobrou sua receita pré-conflito ao exportar entre 2,4 e 2,8 milhões de barris por dia através de rotas alternativas e mercados asiáticos, lucrando com a própria alta de preços gerada pela agressão de Trump. Além disso, os iranianos estão negociando o petróleo em Yuan aprofundando o desuso da moeda norte-americana como global. 

O inventário de vidas perdidas até 31 de março revela que a ofensiva conjunta não poupa áreas civis nem fronteiras nacionais: enquanto o bloco liderado pelos Estados Unidos registra 15 baixas militares e mais de 300 feridos — somados a danos críticos em 17 bases e nas refinarias da Aramco —, o Irã contabiliza entre 1.300 e 1.900 mortos em meio à destruição de mais de 500 alvos, incluindo portos e depósitos de mísseis. Esse rastro de sangue estende-se severamente ao Líbano, onde a agressão israelense no sul do país já vitimou 773 pessoas, evidenciando uma tática de terra arrasada.

Resistência em Teerã e Isolamento em Washington

No plano internacional, a resistência diplomática é capitaneada por Sergei Lavrov (Ministro das Relações Exteriores da Rússia) e Wang Yi (Diplomata-chefe da China), que denunciam a agressão como uma quebra do Direito Internacional. A agressão unilateral unificou o Conselho de Segurança contra Washington. Rússia e China condenaram os ataques como violação direta da Carta da ONU. Pequim foi além, classificando os EUA como “instigadores da crise”, enquanto Moscou destacou que a AIEA nunca confirmou o desvio do programa nuclear iraniano para fins militares.

Internamente, o regime iraniano, agora sob a liderança de Mojtaba Khamenei, demonstra resiliência. Teerã rejeitou sumariamente o plano de 15 pontos apresentado pela Casa Branca, exigindo não apenas o fim dos bombardeios, mas reparações de guerra e o reconhecimento de sua soberania sobre as águas de Ormuz.

Trump sem saída honrosa

O balanço deste primeiro mês revela que, embora os EUA tenham ajudado Israel contra o Hezbollah e a Guarda Revolucionária do Irã, o objetivo central de “mudança de regime” ou neutralização total do Irã permanece uma miragem. Por outro lado, internamente, Trump enfrenta, também, uma onda de protestos nas ruas em todos os 50 estados norte-americanos que prometem crescer às vésperas das eleições (midterms) de novembro. No último final de semana, manifestações com o lema NO KINGS reuniram 9 milhões de pessoas contra a entrada dos EUA na guerra do Irã; contra a explosão da inflação, por causa do aumento do preço do petróleo; e contra a polícia de migração de Trump, ICE. Mesmo que se retire da guerra, agora, nem o Irã, nem os norte-americanos do NO Kings estão dispostos a parar. 

Para os analistas internacionais, a “guerra de escolha” do republicano pode se tornar o maior erro estratégico do século XXI, consolidando a influência do yuan e acelerando a desdolarização em um Oriente Médio cada vez mais hostil à presença norte-americana.

Se Donald Trump demonstrasse apreço pelo conhecimento histórico ou se seus assessores não desprezassem a ciência da estratégia, o atual pântano no Oriente Médio poderia ter sido evitado. A Casa Branca ignorou a máxima dos estrategistas da Segunda Guerra Mundial:

“Não vale a pena travar uma batalha na qual você, vencendo, não ganha nada.”

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