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Banco Central mantém Brasil “estrangulado” com juros de 15%

Inflação sob controle, sólido crescimento econômico e o menor desemprego da história. Mesmo com esse equilíbrio entre diversos fatores que influenciam a economia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (5), de forma unânime, pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano.

A elevada taxa de juros por um longo período tem sido um obstáculo para o país, estrangulando a economia ao represar investimentos e aumentar a dívida pública e privada. Além disso, encarece o custo de vida das famílias, com a diminuição do poder de compra e o aumento da inadimplência por conta do crédito mais caro.

Este é o maior nível desde julho de 2006, quando os juros chegaram a 15,25% ao ano. Desde junho deste ano, a Selic é mantida no atual nível, alcançado após sete aumentos consecutivos.

A decisão dessa quarta era esperada pelo mercado financeiro devido às informações fornecidas na última ata do Comitê, em setembro, que indicou a manutenção dos juros no atual patamar por período prolongado.

Apesar disso, com a inflação desacelerando, analistas esperam espaço para cortes logo no início do ano que vem, nos encontros de 27 e 28 de janeiro.

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Na justificativa para a manutenção dos juros, o Copom afirma que a “decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.”

“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, completa o comunicado.

Na projeção do BC, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar 2025 em 4,6%. Para 2026, a projeção para o índice é de 3,6%, e para o segundo semestre de 2027, de 3,3%.

A última reunião do Copom no ano está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.

Inflação

A meta de inflação considerada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% com margens de 1,5 ponto, podendo chegar a 4,5% no intervalo de tolerância. Dessa maneira, a inflação já converge para dentro da meta a ser alcançada nos próximos meses — o que torna a decisão do Copom ainda mais inexplicável.

Outros indicadores corroboram a avaliação de controle inflacionário. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), do IBGE, conhecido como a prévia da inflação, ficou em 0,18% em outubro. No acumulado de 12 meses, ficou em 4,94%, abaixo dos 5,32% observados no mesmo período encerrado em setembro.

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Na avaliação do economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), o terceiro mandato do presidente Lula, que se encerra em 2026, poderá terminar com a menor inflação acumulada das últimas décadas, de 19,11%.

A menor taxa atualmente, também na conta do presidente Lula, é de 22% entre 2007 e 2010.

Repercussão

Na última terça-feira (4), as centrais sindicais reuniram milhares de pessoas para protestar contra os juros altos. Os sindicalistas alertaram para o freio ao desenvolvimento imposto pelo BC com a Selic alta, que somente beneficia os especuladores do mercado financeiro que lucram com títulos da dívida pública.

Eles ainda chamaram a atenção para o controle inflacionário, reconhecido pelo próprio Boletim Focus, publicado pelo BC, utilizado como justificativas do Copom para manter os juros em 15%. Ou seja, o principal argumento que sustentava a argumentação não existe mais.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB) afirmou que a decisão é uma vergonha e que os BC foi capturado pelos interesses do rentismo: “polo de sabotagem ao crescimento e ao emprego”.

A DECISÃO DO COPOM É UMA VERGONHA! Há tempos que o Banco Central, capturado pelos interesses do rentismo, representa um entrave às forças produtivas nacionais.

Independente, virou um polo de SABOTAGEM ao crescimento e ao emprego. É injustificável manter a Selic a 15%! ABSURDO!

— Orlando Silva (@orlandosilva) November 5, 2025

Para o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, a continuidade dessa política monetária é lesiva ao país: “A Selic tem freado a economia muito além do necessário, uma vez que a inflação está em clara trajetória de queda. A taxa de juros atual traz custos desnecessários, ameaçando o mercado de trabalho e, por consequência, o bem-estar da população. Além disso, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros real do mundo, penalizando duramente o setor produtivo”.

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