
Uma nova crise pode abater a já cambaleante popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na última sexta-feira (1º), o banco norte-americano Capital One afirmou à Justiça dos Estados Unidos que encerrou mais de 300 contas ligadas à Trump Organization após uma revisão interna de prevenção à lavagem de dinheiro (AML). A declaração foi apresentada em resposta ao processo movido pela própria empresa da família Trump, que acusa a instituição financeira de ter fechado as contas por discriminação política.
Segundo o banco, a decisão foi resultado de “meses de análise e de uma cuidadosa revisão” conduzida por sua equipe especializada em crimes financeiros. A instituição afirma ter identificado movimentações compatíveis com aquelas que as diretrizes federais de prevenção à lavagem de dinheiro determinam que sejam monitoradas pelas instituições financeiras.
Na petição, o Capital One sustenta que o encerramento das contas não teve relação com a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, como alega a Trump Organization. O banco classifica as acusações de motivação política como “equivocadas” e afirma que elas se baseiam em trechos retirados de contexto.
A Trump Organization e Eric Trump, filho do presidente norte-americano, ingressaram com a ação em março de 2025.
A empresa sustenta que cerca de 385 contas pertencentes ao grupo empresarial e a empresas associadas foram encerradas em razão de uma suposta discriminação política, impulsionada pelo ambiente criado após a invasão do Capitólio.
Na ação, o grupo afirma que o Capital One aderiu à chamada “agenda woke” e buscou se distanciar de Donald Trump por razões ideológicas.
A empresa também sustenta que a justificativa relacionada à prevenção à lavagem de dinheiro foi construída posteriormente para encobrir a verdadeira motivação do encerramento das contas.
O Capital One rejeita essa versão. Segundo a instituição, a decisão nunca foi divulgada publicamente e a Trump Organization recebeu meses de prazo — além de sucessivas prorrogações — para transferir seus recursos a outras instituições financeiras.
Banco pede arquivamento definitivo
O juiz federal Roy Altman já havia rejeitado duas versões anteriores da ação por entender que os contratos autorizavam o banco a encerrar unilateralmente as contas. Agora, o Capital One pede que o processo seja arquivado definitivamente, sem nova possibilidade de apresentação da ação.
O banco também afirma que, ainda que desejasse, estaria impedido pela legislação bancária norte-americana de revelar detalhes de suas análises internas de prevenção à lavagem de dinheiro, protegidas pelas regras de sigilo do sistema financeiro.
O caso ocorre em meio à campanha de Donald Trump contra o chamado debanking — termo usado por conservadores para denunciar o suposto encerramento de contas bancárias por motivos políticos.
Em agosto de 2025, já em seu segundo mandato, Trump assinou um decreto determinando que os órgãos reguladores intensificassem a fiscalização sobre práticas consideradas discriminatórias por instituições financeiras.
Até o momento, não há acusação criminal nem investigação pública conhecida contra a Trump Organization relacionada às alegações apresentadas pelo Capital One no processo.
Entretanto, esta é a primeira vez que um grande banco norte-americano afirma formalmente perante a Justiça que o encerramento das contas da empresa da família Trump decorreu de uma revisão interna de prevenção à lavagem de dinheiro.
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