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BC liquida gestora suspeita da fraude no Master e de lavagem de dinheiro do PCC

Na manhã desta quinta-feira (15), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), nova denominação da Reag. A gestora administra R$ 320 bilhões em diferentes fundos. A decisão fundamenta-se em “graves violações às normas” do Sistema Financeiro Nacional e ocorre apenas 24 horas após a Polícia Federal deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero.

Embora a instituição seja classificada no segmento S4 pelo Banco Central como de pequeno porte, representando menos de 0,001% do sistema, e, portanto, com baixo risco sistêmico, o fechamento expõe uma brecha para operações fraudulentas na regulação do mercado de capitais brasileiro.

A investigação aponta para um arranjo criminoso que atinge a cifra astronômica de R$ 17 bilhões. O esquema funcionava como um motor de “lucro infinito” e fictício. O Banco Master, de Daniel Vorcaro, emprestava capital a empresas de fachada que, imediatamente, aplicavam os recursos em fundos administrados por João Carlos Mansur na Reag, que investiam em papéis supervalorizados, registrando um falso ganho. Publicações especializadas, como Bloomberg e Valor Econômico, destacam o caso do fundo Brain Cash, que multiplicou seu patrimônio em 30 mil vezes em apenas 20 dias — um “milagre” financeiro sem lastro real usado para inflar artificialmente os ativos do Master.

O cerco jurídico fechou-se com a autorização do ministro do STF, Dias Toffoli, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise o material apreendido nos 42 mandados de busca da PF. A suspeita é de que os fundos de Mansur também serviam de blindagem para o patrimônio de organizações criminosas e para a ocultação de ativos sobrevalorizados. Até o momento, o bloqueio de bens determinado pela justiça ultrapassa R$ 5,7 bilhões. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não poupou críticas, classificando o episódio como a “maior fraude bancária da história do país”, referindo-se especificamente à tentativa de venda de carteiras podres de R$ 12,2 bilhões ao BRB (Banco de Brasília).

Gestora funcionava como “lavanderia industrial” para o narcotráfico.

Em outra frente de investigação, o aprofundamento das investigações na Operação Carbono Oculto revela que a Reag servia ao PCC. Através de fundos em cascata, como o Mabruk II e o Hans 95, a facção injetava dinheiro do tráfico e da máfia de combustíveis no sistema financeiro. O Mabruk II movimentou R$ 250 milhões via fintechs para investir em ativos complexos, enquanto o Hans 95 aplicava em CDBs do próprio Banco Master, transformando o capital do crime em rendimento bancário auditado.

Com a liquidação, a Reag (CBSF) está impedida de operar. A gestão de seus cerca de 80 fundos agora depende de assembleias de cotistas para a escolha de novos administradores, sob a supervisão do liquidante nomeado pelo BC, a APS Serviços Especializados.

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