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Boato entre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida é 3º mais viral do ano

A controvérsia envolvendo o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil alcançou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações nas redes sociais em cerca de 55 horas.

Os números, divulgados pelo Instituto Democracia em Xeque no sábado (26/09), colocam o episódio entre os de maior repercussão política monitorados pela entidade em 2026 às vésperas do primeiro turno eleitoral, marcado para 4 de outubro.

A discussão começou na quinta-feira (24/09), após uma declaração da jornalista Maria Cristina Fernandes, durante o programa Em Pauta, da GloboNews. Ao comentar a disputa religiosa na política, ela mencionou um projeto antigo que pretendia alterar a referência legal a Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. A fala foi associada nas redes sociais a Flávio Bolsonaro, embora ele não tenha apresentado o projeto nem exista registro de uma proposta sua com esse objetivo.

A GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas. O projeto citado era o PL 2.623/2007, de autoria do então deputado federal Victório Galli, apresentado em dezembro de 2007 e arquivado em agosto de 2008. A proposta pretendia substituir, na legislação sobre o feriado de 12 de outubro, a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Flávio negou que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira e atribuiu a circulação da informação a adversários políticos. A questão passou a envolver a reação de católicos, a atuação da campanha do candidato, a circulação de conteúdos nas redes e os limites da intervenção da Justiça Eleitoral.

Na sexta-feira (25/09), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações que atribuam a Flávio Bolsonaro, ou a integrantes de sua família, a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A decisão também estabeleceu medidas para impedir a circulação de novas publicações com o mesmo conteúdo.

A partir disso, além da informação falsa que deu origem ao caso, passou a estar em debate a atuação da Justiça Eleitoral sobre conteúdos publicados durante a campanha presidencial. A controvérsia ganhou outro capítulo neste sábado, quando a campanha de Flávio apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência da República. A defesa pediu a abertura de investigação, prisão preventiva e busca e apreensão de equipamentos do funcionário, a quem acusa de disseminar desinformação sobre o episódio.

A iniciativa foi motivada por republicações feitas por Marques no X. Segundo a campanha, algumas mensagens incentivaram a continuidade da circulação de conteúdos sobre uma suposta ameaça ao título de Nossa Senhora Aparecida, mesmo depois da retratação da GloboNews.

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) contestou as acusações e afirmou que Flávio distorce os fatos. Segundo o órgão, as manifestações ocorreram em uma conta pessoal, fora do horário de expediente e com equipamento próprio. A secretaria também criticou o pedido de prisão e afirmou que o governo defende a liberdade de expressão e de religião.

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