
Após ver sua relações promíscuas com o banqueiro Daniel Vorcaro serem expostas publicamente e sua preferência no eleitorado cair, agora o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) apela para o uso de colete à prova de balas para se colocar na posição de alvo de seus oponentes.
A “revelação” do uso do equipamento foi feita em vídeo publicado neste domingo (24), em suas redes sociais. A tática, claramente eleitoreira, é mais uma das cortinas de fumaça que o bolsonarismo cria sempre que se vê acuado.
Essa foi a grande sacada de Zero Um para desviar o foco do enrosco em que se meteu, após vir a público o pedido de R$ 134 milhões que fez ao banqueiro preso e investigado por fraude e corrupção. A proximidade entre ambos foi revelada pelo site Intercept Brasil.
Para tentar explicar o inexplicável, Flávio (e outros envolvidos do seu entorno) lançou mão de uma série de mentiras e versões que não se sustentaram, o que jogou o senador num turbilhão de lama.
O jeito, então, foi se vitimizar — um clássico de sua família e da extrema direita que contradiz sua própria “filosofia” e forma de agir. A fórmula usada também é conhecida: Flávio faz parecer um desabafo o discurso que foi cuidadosamente calculado para seduzir a sua bolha, dito enquanto ele veste o colete e uma camiseta da seleção brasileira por cima.
Em sua fala contraditória, tenta colar em seus opositores atitudes que, na verdade, sempre foram as principais marcas do bolsonarismo: perseguir e usar o discurso de ódio para inflamar seus seguidores a agirem com violência contra seus adversários. Vale lembrar que também é praxe da extrema direita defender o uso de arma de fogo pelo cidadão comum — e agora, vejam só, Flávio se coloca na posição de quem teme ser alvejado…
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Toda a agressividade bolsonarista, no entanto, se derrete quando seus negócios espúrios são expostos. Da posição de ogros políticos, passam para a de vítimas das atitudes que eles mesmos pregam.“Não gostaria de sair com isso aqui para a rua não, mas tenho que sair. Tem muito ódio, muito ataque, muita desumanização. Eu sei que esse pessoal não tem limites para destruir quem se coloca no caminho deles”, lamenta cinicamente.
Em referência indireta à facada que ajudou seu pai, Jair Bolsonaro, a vencer as eleições de 2018, diz que “infelizmente eu sei do que eles são capazes; já tentaram fazer com meu pai, não conseguiram, e eu não posso dar sopa para o azar”.
Flávio também apela ao espírito policialesco, ao dizer que “tem trabalhador que bota farda, tem trabalhador que bota capacete…eu era só para botar terno e gravata, uma calça jeans e tal”.
A fala dialoga diretamente com os militares (das Forças Armadas e das polícias) que compõem uma das bases de sustentação do bolsonarismo, assim como as milícias, grupos comandados principalmente por policiais e ex-policiais que decidiram se dedicar ao crime, mas ainda assim são admirados pelo clã Bolsonaro.
Não é a primeira vez que Flávio usa colete. Mas, neste momento, o equipamento serve a outro propósito. O senador está naquela posição de quem busca, de toda a forma, se livrar da própria sujeira. O avanço nas investigações sobre o Master indicam que Zero Um terá de pensar em muitas outras artimanhas para tentar limpar sua barra e se viabilizar como candidato.
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