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BP anuncia maior descoberta de petróleo em 25 anos na costa do Brasil

A petroleira britânica BP anunciou nesta segunda-feira (4) a maior descoberta de petróleo e gás da empresa em 25 anos. O achado ocorreu no campo de Bumerangue, na Bacia de Santos, em águas profundas do pré-sal brasileiro, a aproximadamente 400 km da costa do Rio de Janeiro. A área explorada possui mais de 300 km² — o equivalente a cinco vezes o tamanho da ilha de Manhattan, nos Estados Unidos.

“Estamos empolgados em anunciar esta descoberta significativa, a maior realizada pela BP em um quarto de século”, afirmou Gordon Birrell, vice-presidente executivo da companhia. A última descoberta dessa magnitude havia sido o campo de Shah Deniz, no Mar Cáspio, em 1999.

Bloco estratégico no coração do pré-sal

A BP detém 100% dos direitos de exploração do bloco Bumerangue, adquirido em leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 2022, durante o 1º Ciclo de Oferta Permanente no modelo de Partilha de Produção. Nesse sistema, a empresa deve repassar parte do lucro óleo ao governo brasileiro. No caso do Bumerangue, a BP se comprometeu a entregar 5,9% do excedente à União.

A área se localiza próxima ao bloco de Aram, operado pela Petrobras em parceria com a chinesa CNPC, onde foram identificadas reservas estimadas em até 29 bilhões de barris. Segundo especialistas, a perspectiva para Bumerangue também é de grande volume de reservas.

CO₂ em alta concentração é obstáculo técnico

Apesar do otimismo, a BP revelou que os testes iniciais indicaram alta concentração de dióxido de carbono (CO₂) no campo, o que pode dificultar a extração. Segundo Alexandre Szklo, professor da Coppe/UFRJ, o CO₂, ao ser comprimido com o gás natural, forma clatratos — estruturas sólidas que danificam os dutos de transporte.

“A solução é capturar o CO₂ e reinjetá-lo no reservatório ou em áreas adjacentes, o que eleva os custos de produção e processamento”, afirmou Szklo. A BP informou que realizará análises laboratoriais para aprofundar a avaliação do potencial do bloco e das melhores estratégias de exploração.

Produção pode levar até uma década

Colocar um campo em águas profundas em operação no Brasil pode levar entre quatro e dez anos, segundo estimativas do setor. A BP tem planos de tornar a costa brasileira um novo centro estratégico de produção, como parte da retomada de foco nos combustíveis fósseis — movimento adotado pela companhia após resultados insatisfatórios com investimentos em energias renováveis.

A empresa anunciou ainda que esta foi sua décima descoberta de petróleo e gás em 2025, após sucessos anteriores em regiões como Trinidad e Egito. No ano passado, a produção global da BP foi de 2,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A expectativa é de uma leve redução em 2025.

Pressão de investidores e rumores de fusão

A descoberta no Brasil ocorre em meio a mudanças internas e pressões externas. A BP acaba de nomear o irlandês Albert Manifold como novo presidente do Conselho de Administração. A companhia também está sob escrutínio do fundo ativista americano Elliott, que recentemente ingressou no capital da petroleira exigindo mudanças estratégicas.

Além disso, rumores de uma possível fusão com a rival britânica Shell circulam no mercado e colocam a BP no centro das atenções. O anúncio da descoberta no pré-sal brasileiro impulsionou as ações da empresa, que subiram 1,4% na Bolsa de Londres nesta segunda-feira.

A BP deve divulgar seus resultados financeiros do segundo trimestre nesta terça-feira (5), com forte expectativa dos investidores após o anúncio da nova descoberta no Bumerangue.

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