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Brasil cansou de ser tratado como um país pobre e pequeno, diz Lula na Alemanha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, na manhã desta segunda-feira (20), o pavilhão brasileiro da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, onde reafirmou que o Brasil pode dar saltos importantes em seu desenvolvimento de maneira sustentável, já que possui a matriz energética mais limpa do mundo, e se tornar uma potência mundial na transição energética.

Lula salientou que o Brasil “cansou de ser tratado como um país pobre e pequeno”, em “vias de desenvolvimento”, de “terceiro mundo” e de ser “tratado como invisível”. “Nós somos uma grande nação, temos 215 milhões de habitantes, temos uma economia razoavelmente estável e conquistamos muita credibilidade nos últimos anos”, acrescentou.

Para o presidente, a feira dá a oportunidade de o Brasil dizer que “quer se transformar numa economia rica”. “Nós temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo”, agregou.

O presidente também discorreu sobre a necessidade de que o desenvolvimento se dê sobre bases sustentáveis, para que o mundo possa enfrentar a crise climática.

“O Brasil é o país que tem a matriz energética mais limpa do mundo do ponto de vista da energia elétrica — quase que 90% da nossa energia é renovável. Nós somos grandes produtores de biodiesel e de etanol. Nós temos 30% de etanol misturado na nossa gasolina e 15% de biodiesel misturado no nosso diesel. O nosso combustível já emite menos (poluentes)”, ponderou, salientando que o País “será uma potência mundial na transição energética e na oferta de combustível renovável ao mundo”.

Cenário conflagrado

Lula também dedicou parte de seu pronunciamento ao atual momento vivido mundialmente, marcado por guerras, falta de diálogo, ações imperialistas e pelo mal uso das tecnologias digitais para a disseminação de fake news e discurso de ódio, sobretudo pela extrema direita.

“Nesse momento o mundo está conflagrado, o multilateralismo está sendo destruído e aquilo que era a harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial está sendo jogado fora”.

Sem citar nomes, mas num recado claro ao imperialismo estadunidense, Lula disse que “estão fazendo com que a força tecnológica, a força das armas ou a força do PIB sejam os indutores das negociações entre países potentes e países pequenos. Não é possível que a gente não tenha noção de que nós precisamos mudar essa situação mundial”.

Lula disse que sua presença na Alemanha é, também, uma forma de chamar atenção para a necessidade de superação desse quadro, envolvendo “todos aqueles que defendem o multilateralismo; que não querem guerra, mas a paz; que querem construir e não destruir; para todos aqueles que querem defender a vida e não a morte, para todos aqueles que pensam no futuro da humanidade humana”.

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Ao usar a expressão “humanidade humana”, o presidente salientou ser uma forma de alertar para o fato de que “a humanidade está virando algoritmo”. A revolução digital, continuou, “está induzindo a humanidade a ter um comportamento totalmente diferente daquilo para o qual os seres humanos foram criados: conviver em comunidade e harmonia”.

O presidente salientou, ainda, que “a era da verdade esvaiu-se. Nós estamos vivendo a era do fake news. A era em que quanto menos verdade você falar, mais importante você passa a ser. E o mundo não pode ser dirigido por mentiras. O mundo não pode ser dirigido na medida em que alguém pensa que é mais importante que os outros, e toma decisões para se impor ao mundo como se o mundo não existisse democraticamente”.

Lula também falou sobre a histórica relação entre o Brasil e a Alemanha e sobre o fato de a imigração de vários povos ter construído a identidade brasileira. “Somos um país criado por imigrantes junto com indígenas e junto com os negros. Portanto, nós não temos nada contra a imigração. Sejam bem-vindos aqueles que querem chegar ao nosso país para trabalhar e para ajudar a gente a produzir. Sejam bem-vindos aqueles que querem defender a democracia, o multilateralismo e a paz”.

Agenda presidencial

O presidente Lula chegou a Hannover no domingo (19), foi recebido pelo primeiro-ministro Friedrich Merz e participou da abertura da feira. Em sua fala, sinalizou a intenção de fechar diversas parcerias comerciais com a Alemanha. O evento reuniu autoridades, lideranças empresariais e representantes de setores estratégicos dos dois países.

Lula é recebido pelo primeiro-ministro e autoridades alemãs. Foto: Ricardo Stuckert

Lula também abordou as políticas públicas para a indústria implementadas em sua gestão, que incentivam a vinda de empresas estrangeiras e apresentam cenário favorável para investimentos; demonstrou sua preocupação com impactos humanos, sociais e econômicos da escalada dos conflitos armados pelo mundo e retomou a pauta em defesa do multilateralismo e da reforma dos organismos internacionais.

Além disso, ressaltou a importância da transição energética e da energia limpa e falou sobre a exploração de minerais críticos, entre outros pontos.

Durante a visita à Alemanha, o Brasil deverá assinar cerca de dez acordos, além do anúncio de iniciativas e parcerias em áreas como defesa, inteligência artificial, inovação, infraestrutura, pesquisa climática, energia, bioeconomia, economia circular, financiamento climático e cooperação tecnológica.
Antes de chegar ao país, Lula esteve na Espanha, onde participou da Mobilização Progressista Global e da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia.

Nesta terça-feira (21), Lula estará e Lisboa, onde se encontrará com com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro. Lula deverá chegar ao Brasil na quinta (23).

Feira de Hannover
A Feira Industrial de Hannover acontece de 20 a 24 de abril e é considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do planeta. Nesta edição, o Brasil é país parceiro oficial do evento.

O Pavilhão Brasil em Hannover reúne empresas, instituições e representantes do governo em um espaço de 2.660 m², distribuídos em seis áreas temáticas: transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial.

A delegação brasileira ao evento soma 270 integrantes, sendo considerada a maior do país já enviada a essa feira. Ao todo, 140 empresas brasileiras e outras 300 estão representadas na comitiva.

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