
O governo brasileiro deu os primeiros passos práticos para tentar reverter as barreiras tarifárias e diminuir as pressões comerciais impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa ocorre após a reunião presencial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada na Casa Branca.
Na última terça-feira (19), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, conduziu uma videoconferência com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. O encontro virtual marcou a abertura formal dos trabalhos da comissão bilateral encarregada de desenhar propostas em um prazo regulamentar de trinta dias, visando afastar o risco de novos agravamentos alfandegários.
A interlocução técnica serviu para dar andamento às diretrizes estipuladas pelos chefes de Estado em Washington. O emissário norte-americano, Jamieson Greer, manifestou-se publicamente elogiando o engajamento construtivo da delegação brasileira para fazer avançar as pautas econômicas de interesse mútuo. Pelo lado de Brasília, a avaliação do primeiro contato foi considerada positiva, indicando que a estratégia nacional se concentrará na costura de um acordo parcial e progressivo. A meta imediata do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é garantir a retirada de sobretaxas que oneram produtos de alta sensibilidade social, a exemplo de insumos e equipamentos médicos fundamentais adquiridos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Paralelamente às negociações ministeriais, a diplomacia brasileira atua de forma incisiva para encerrar os procedimentos da chamada Seção 301, uma investigação unilateral aberta pela Casa Branca sobre supostas práticas desleais de comércio por parte do Brasil. O governo brasileiro reiterou formalmente que não reconhece a legitimidade de tais mecanismos punitivos por estarem em desacordo com as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC). O escopo técnico da investigação norte-americana abrange contestações que vão desde a tributação sobre o etanol e a fiscalização de propriedade intelectual na região da Rua 25 de Março, na capital paulista, até questionamentos inesperados sobre a regulação das plataformas digitais e o funcionamento do sistema de pagamentos Pix.
A estratégia de contenção do Palácio do Planalto ganhou um desdobramento financeiro e de segurança institucional coordenado de forma simultânea em âmbito internacional. Em Paris, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, aproveitou a reunião de ministros do G7 para se alinhar com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. Nesta frente paralela, os dois países avançaram em tratativas para a criação de uma força-tarefa voltada à inteligência aduaneira e à asfixia financeira do crime organizado. O plano prevê ações conjuntas entre a Receita Federal e agências americanas para bloquear o contrabando de armamentos e interceptar fluxos de capital vinculados ao tráfico de drogas sintéticas, demonstrando um pragmatismo que busca estabilizar as relações bilaterais e blindar o parque produtivo nacional até a entrega do relatório final, prevista para o início de junho.
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