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Brasil encerrará custódia da embaixada argentina na Venezuela

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encerrar a custódia e a representação diplomática da Embaixada da Argentina na Venezuela, função que vinha sendo exercida pelo Brasil desde agosto de 2024. A decisão foi comunicada oficialmente ao governo argentino na última quinta-feira (8) e, no dia seguinte, às autoridades venezuelanas. A transição da responsabilidade deve começar ao longo da próxima semana, segundo fontes diplomáticas.

A medida ocorre poucos dias após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na derrubada de Nicolás Maduro e em meio ao agravamento das divergências políticas entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei. No Itamaraty, a avaliação é de que o Brasil já cumpriu o papel que lhe cabia em um momento considerado crítico e que, diante do novo cenário político na Venezuela, a Argentina pode retomar a responsabilidade sobre sua representação diplomática em Caracas. Até o momento, no entanto, o motivo oficial para a decisão não foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.

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Desde agosto de 2024, o Brasil havia assumido a custódia do prédio da embaixada argentina e das atividades consulares, além da proteção de opositores venezuelanos que buscaram asilo no local. Diplomatas brasileiros avaliam que a missão envolveu riscos elevados e exigiu esforço contínuo da diplomacia nacional para garantir a segurança das instalações e das pessoas protegidas ao longo de cerca de 17 meses.

A mudança de posição também reflete o distanciamento entre Brasília e Buenos Aires quanto à resposta internacional à crise venezuelana. Enquanto o governo Lula condenou a operação militar dos Estados Unidos e tem defendido a autodeterminação dos povos e a soberania nacional, Javier Milei elogiou publicamente a ação ordenada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Esse contraste de posições aprofundou os atritos políticos entre os dois governos.

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Mesmo com a devolução da custódia da embaixada à Argentina, o governo brasileiro manteve interlocução com as autoridades venezuelanas para solicitar a libertação de Nahuel Gallo, policial argentino preso em dezembro de 2024, acusado pelo regime chavista de envolvimento em atividades terroristas. Até agora, ele segue detido.

O Brasil, porém, continuará responsável pela representação diplomática do Peru em Caracas. O governo peruano rompeu relações com a Venezuela após contestar o resultado das eleições que haviam garantido um novo mandato a Nicolás Maduro, antes de sua saída do poder.

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As informações são da Folha de S.Paulo e de O Globo.

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